LAR LUÍS SOARES DE SOUSA, PONTA DELGADA

Instituição assinalou 150 anos de atividade e pede mais apoio

No passado dia 23 de julho, o Lar Luís Soares de Sousa assinalou 150 anos de atividade, uma “marca a generosidade de muitas pessoas de Ponta Delgada e da ilha” de São Miguel, segundo Noé Rodrigues, presidente da instituição.
Ao longo do último século e meio, a instituição atravessou alguns momentos difíceis em termos financeiros, especialmente nas últimas décadas.
A instituição conseguiu recuperar a sua estabilidade financeira através da coexistência de dois regimes de financiamento: o privado e o protocolado com o Instituto de Segurança Social do Açores (ISSA).
Noé Rodrigues sublinhou que o regime privado tem compensado o desequilíbrio financeiro gerado com o protocolado com o Estado.
“O custo médio de uma cama por idoso na instituição, como noutras instituições, é superior a 2.200 euros por mês. No regime protocolado, recebemos uma verba que ronda os 1.400 euros por mês. Ou seja, há uma diferença sempre de 800 euros por mês entre aquilo que nós recebemos dos utentes do regime protocolado para o custo real de cada utente”, explicou, lembrando que o montante de 2.200 euros inclui os custos para os salários, alimentação, água, eletricidade, lavandaria, higiene e restantes despesas de funcionamento da instituição.
“A atualização dos protocolos tem sido sempre numa percentagem ínfima relativamente à equiparação do aumento do custo normal de vida”, sustentou o dirigente, acrescentando: “Nós não temos, como têm outros sectores, água a preço especial, eletricidade a preço reduzido, o IVA a preço reduzido, nem o gasóleo a um preço especial”.
Noé Rodrigues não esqueceu os profissionais que cuidam dos idosos e que devem ser mais bem remunerados.
“Quem trata dos nossos idosos devia ser mais dignificado. Portanto, devíamos ter um regime que valorizasse os trabalhadores de apoio a idoso. O que nós temos não é um regime de valorização do trabalho ao idoso”, afirmou Noé Rodrigues, lembrando que a instituição procura sempre formas para melhorar as condições dos trabalhadores, como a organização dos turnos, apoio suplementar em épocas especiais e regime de rendas sociais.
“As pessoas que trabalham todos os dias do ano, fins de semana, a toda hora aqui, precisavam de ter o reconhecimento público que não têm”, sublinhou.
Com os olhos no futuro, a instituição abraçou o projeto de recuperação e transformação do Solar da Glória, situado na freguesia do Livramento, numa ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) com 20 camas.
Noé Rodrigues avançou que as obras no Solar da Glória estão avançadas, lembrando que são obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, por isso, têm de estar concluídas até 31 de agosto deste ano.
Por outro lado, face às longas listas de espera, mesmo com o Programa «Novos Idosos», Noé Rodrigues lembrou que a instituição espera ver aprovado um projeto para a criação de um Centro de Dia e 22 camas de descanso do cuidador num edifício adjacente à sede social, um investimento que ronda os dois milhões de euros.

 

Data de introdução: 2026-08-13



















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