Uma comitiva da CNIS, composta pelo presidente, padre Lino Maia, vice-presidente, Eleutério Alves, e dois elementos do Departamento Técnico, Filomena Bordalo e Mafalda Jesus, deslocou-se à Madeira onde, ao longo de dois dias, teve diversas reuniões de trabalho, não apenas com instituições madeirenses, mas igualmente com alguns governantes regionais, e apadrinhou a tomada de posse dos novos órgãos sociais da União das IPSS regional para o quadriénio 2026-2029.
Na sessão, que decorreu no passado dia 20 de julho, no auditório da Escola da APEL, no Funchal, a que assistiram também a secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, pela presidente do ISS Madeira, Nivalda Gonçalves e diversos dirigentes de IPSS da Região Autónoma da Madeira, o padre Lino Maia lembrou que “as IPSS não são empresas e não devem esquecer a sua missão, que é para com os mais carenciados”, reforçando: “Cooperamos com o Estado, não revindiquemos uma autonomia total. Devemos apoiar o Estado e ter o apoio do Estado”.
De seguida, o presidente da CNIS frisou que “a proteção social não é um direito universal inscrito na Constituição da República, mas era importante a sua consagração como direito universal”.
O padre Lino Maia indicou que as IPSS a nível nacional apoiam 900 mil pessoas, sendo 300 mil idosas, “por isso, é necessário, cada vez mais, envolver a Saúde” no trabalho de ação social que as instituições desenvolvem.
Depois de lembrar que “a sustentabilidade é uma preocupação permanente” de todas as IPSS, sublinhando que “é necessário implementar justiça nas instituições, que não estão a praticar justiça com os seus trabalhadores”, repetindo que “a empresarialização é um risco, porque nos desvia da nossa missão”.
Ainda durante a cerimónia que reempossou Maria do Céu Carreira como presidente da UIPSS Madeira para o quadriénio 2026-2029, Paula Margarido relevou a importância da União na Região, cujo “papel é absolutamente decisivo, sendo uma voz credível e um parceiro exigente, mas construtivo”.
“Hoje renovamos um compromisso com uma causa que atravessa gerações e une todos os que aqui estamos: cuidar das pessoas. É, por isso, com enorme satisfação que me associo a esta cerimónia, em representação do Presidente do Governo Regional”, afirmou.
Dirigindo-se à reempossada presidente, Paula Margarido considerou que “a sua recondução constitui um inequívoco reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo do mandato anterior e da confiança que as instituições continuam a depositar na sua liderança”, acrescentando: “Ao longo destes anos, encontrámos em si uma interlocutora leal, exigente e construtiva. A sua capacidade de diálogo, aliada ao profundo conhecimento do sector, tem contribuído para reforçar a cooperação entre a UIPSS Madeira e o Governo Regional, sempre em benefício das instituições e, sobretudo, das pessoas que elas servem”.
Para a secretária Regional, “aceitar esta missão é aceitar uma responsabilidade exigente, porque quem aceita dirigir uma instituição social não assume apenas responsabilidades de gestão, assume a responsabilidade de honrar a confiança que tantas pessoas depositam na entidade”.
MISSÃO
“É esse espírito de missão que quero, antes de mais, reconhecer”, sustentou Paula Margarido, deixando uma palavra de incentivo aos novos órgãos sociais: “Estou certa de que este novo mandato será marcado pelo mesmo sentido de missão, dedicação e compromisso com o Sector Social Solidário”.
Depois, dirigindo-se ao presidente da CNIS, a governante começou por dizer que “há pessoas que exercem cargos e há pessoas que deixam um legado”, acrescentando: “O seu percurso demonstra que a solidariedade não é apenas uma missão, é uma forma de estar na vida. A Madeira agradece-lhe o apoio constante às nossas instituições e a voz firme com que, ao longo dos anos, tem dignificado o Sector Social Solidário”.
Numa palavra às instituições, Paula Margarido começou por lembrar que “a Madeira dispõe de uma rede de 89 Instituições Particulares de Solidariedade Social, das quais 71 trabalham em estreita cooperação com o Instituto de Segurança Social da Madeira”, considerando que “são números importantes, mas, mais importante do que os números, é aquilo que eles representam”.
“Representam uma rede de instituições presente em praticamente toda a Região. Uma rede construída por dirigentes, trabalhadores e voluntários que, todos os dias, transformam a solidariedade em ação. É por isso que o Governo Regional vê nas IPSS verdadeiros parceiros estratégicos. Não apenas porque executam respostas sociais, mas porque conhecem as pessoas, conhecem as famílias, conhecem cada comunidade. E sabem que nenhuma política pública será verdadeiramente eficaz se não chegar à vida concreta das pessoas, se não transformar a vida dessas pessoas”, afirmou, terminando: “Vivemos tempos de grande mudança. Mudam as sociedades, mudam as famílias, mudam as necessidades, mas há valores que não mudam. O cuidado. A solidariedade, a capacidade de olhar pelo outro. É isso que as IPSS representam e é, por isso, que continuarão a ser indispensáveis. As IPSS distinguem-se pelas pessoas que servem e pelas pessoas que cuidam. Enquanto esse espírito de missão continuar vivo, tenho a certeza de que o futuro da solidariedade na Madeira continuará a ser um futuro de esperança”.
Já Maria do Céu Carreira, no discurso de arranque de mais um mandato à frente da UIPSS Madeira, começou por salientar a firmeza da nova equipa: “No mandato que agora se inicia, conscientes do compromisso que assumimos e atentos às necessidades das IPSS, queremos ir mais longe, isto é, queremos fazer mais e, no aplicável, queremos fazer melhor, porque os desafios que se colocam às instituições são múltiplos, muitas vezes complexos e, em crescendo, inesperados”.
A terminar, a presidente da UIPSS Madeira citou o poeta Daniel Faria: “Não acredito que cada um tem o seu lugar, acredito que cada um é um lugar para os outros”.
SECRETARIA REGIONAL
A cerimónia de tomada de posse foi antecedida por um encontro matinal com a adjunta do gabinete da secretária Regional da Saúde, Carla Baptista, onde também marcaram presença, para além dos elementos da CNIS, alguns dos novos elementos da Direção da União das IPSS da Madeira.
Na reunião, os dirigentes sociais instigaram a Secretaria Regional da Saúde a ter um papel mais ativo e articulado com o sector social, para além de terem abordado o momento da a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados na Madeira, as altas sociais e ainda a situação dos cuidadores informais. Houve grande troca de informação e o compromisso de uma maior cooperação entre todas as entidades.
Seguiu-se, na manhã do dia seguinte (21), um longo encontro na Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude com Paula Margarido, que contou também com a presidente do ISSA, Nivalda Gonçalves.
No final do encontro, a secretária Regional considerou a reunião muito proveitosa, considerando que “a CNIS é um parceiro inestimável e insubstituível no que diz respeito às nossas IPSS”.
“Nesta reunião estivemos a auscultar a CNIS sobre os trabalhos que estão a ser feitos no continente e fomos alertados para iniciativas que estão a acontecer no continente e que estão a descurar as regiões autónomas”, afirmou Paula Margarido, que acrescentou: “A CNIS alertou-nos para isso e para nos fazermos acompanhar dessas iniciativas, com as nossas idiossincrasias, para que as nossas regiões não fiquem esquecidas”.
A demorada reunião serviu ainda para a governante regional “auscultar a CNIS sobre os projetos em curso na Madeira e para aproveitar toda a experiência e trabalho que a CNIS tem para nos dar o seu contributo a fim de que as nossas respostas sejam ainda mais adequadas, porque a CNIS tem desenvolvido um vasto trabalho, ao longo dos anos, em especial em prol dos mais desfavorecidos”.
E estes são, para Paula Margarido, os grandes destinatários do trabalho da Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude: “Esta Secretaria trabalha para todos todos, mas especialmente para os mais fragilizados estejam eles em que fase da vida estiverem”.
“Foi uma reunião muito produtiva e saímos todos muito mais enriquecidos, porque é toda esta troca de experiências que nos fortalece”, terminou.
LIVING CARE
A derradeira jornada da CNIS na Madeira aconteceu na Living Care, uma IPSS que emprega 407 funcionários, distribuídos por duas ERPI, situadas em Câmara de Lobos, com 60 utentes, e na Bela Vista, com 180, e ainda uma unidade de cuidados continuados integrados de Longa Duração e Manutenção, com capacidade para 260 utentes e que “está sempre cheia”.
Inspirada no modelo da RNCCI do continente, a REDE, como é designada na Madeira tem as suas especificidades.
Perceber melhor como funciona a resposta na Região Autónoma foi o grande propósito da reunião, com os elementos da comitiva da CNIS a recolher informação para o trabalho que está a desenvolver para melhorar a resposta.
Dois dias de intenso trabalho na recolha de informação e apoio e fortalecimento da UIPSS Madeira.
Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)
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