A última etapa da volta a Portugal da Solidariedade vai acontecer em Aveiro. A Festa da Solidariedade teve o ponto de partida a 29 de setembro de 2007, na Quinta da Bela Vista em Lisboa. Depois de 18 edições chega ao fim no dia 9 de outubro no Cais da Fonte Nova em Aveiro. Nos dias 7 e 8 decorre o VII Congresso da CNIS, no Centro de Congressos, e antes disso a Chama da Solidariedade vai percorrer o distrito de Leiria e desagua em Aveiro.
Apesar de sempre diluir a organização da Festa pela direção da CNIS e sobretudo sempre evidenciar o papel do presidente Lino Maia, Eleutério Alves, vice-presidente da CNIS, é, mais uma vez, o rosto mais visível da Festa da Solidariedade. E é com orgulho que pode dizer: valeu a pena.
SOLIDARIEDADE - A Festa da Solidariedade chega a Aveiro em 09 de outubro com a Chama a fazer a passagem por Leiria. É a XIX edição desta iniciativa da CNIS. E também é a última, fechando o ciclo que teve início em Lisboa em 2007. Vai ser uma festa com sabor especial?
ELEUTÉRIO ALVES - Acho que não, apesar de nos 20 anos em que a CNIS promoveu esta Festa, muita coisa tenha mudado. Foi uma aposta numa iniciativa que desse visibilidade ao sector social solidário, que fosse descentralizada, cada ano em seu território e que envolvesse as IPSS e as comunidades que as apoiam e para as quais prestam serviços. Lembro que a primeira Chama da Solidariedade fez o percurso a pé, desde Lisboa até Barcelos com a participação de milhares de pessoas que foram envolvidas no evento. Hoje ao olhar para estes 20 anos sentimos que valeu a pena e é esse sabor de missão cumprida com que nos despedimos desta primeira volta solidária a Portugal, não só continental, mas também Açores e Madeira. Vai ser uma Festa e Chama da Solidariedade partilhadas entre Leiria e Aveiro. E será com certeza uma Festa que vai deixar boas memórias a todos quantos quer na CNIS, quer nas associadas intermédias e de base, se envolveram e contribuíram para que hoje essas memórias compensem o compromisso que houve da parte de todos.
Nos dias 7 e 8 decorre também o VII Congresso sobre Pobreza e Proteção Social. É o fim de um ciclo?
Nada, do que estas iniciativas promovidas desde a constituição da UIPSS e depois continuada pela CNIS, é um fim. Houve já vários
congressos ao longo dos diferentes mandatos e acredito que assim vai continuar porque a missão da CNIS não está ultrapassada nem esgotada. Acredito mesmo que os tempos em que vivemos no passado próximo e no presente, obrigam a que a CNIS esteja ainda mais atenta e comprometida na promoção e na defesa dos interesses das suas associadas, contribuindo para comunidades mais inclusivas, mais sustentáveis, mais desenvolvidas e com cidadãos e famílias mais felizes. Os congressos da CNIS foram sempre grandes congressos, com temas da maior importância para o sector social e para as comunidades e cidadãos. A CNIS procurou sempre que estes encontros deixassem uma pegada de orientações que pudesse ser aproveitada por quem tem a responsabilidade de gerir os interesses das populações seja qual for a área em que atuam. O VII congresso vai abordar um tema da maior importância para o país, uma oportunidade para os responsáveis deste país poderem pensar e partilhar com todos, como podemos acabar com a Pobreza, garantindo mais Proteção Social.
A estrutura das iniciativas vai manter a coerência das edições anteriores?
Sim, é um formato que está sustentado e tem funcionado.
A Chama da Solidariedade vai fazer a ponte entre os dois distritos onde ainda faltava fazer a Festa. É intencional para não deixar nenhum distrito de fora desta iniciativa da CNIS?
É intencional. Não pudemos organizar a Festa em 2020 devido à COVID e daí ter que acumular em 2026 as duas Festas porque não quisemos que nenhum distrito ficasse sem este evento. Infelizmente todos sabemos a tragédia que uma depressão causou naquele território e entendemos, em consenso com a UDIPSS de Leiria, substituir o formato e promover iniciativas de menos dimensão em alguns concelhos de Leiria. E vamos utilizar estes pequenos eventos para manifestar o nosso reconhecimento a todas as IPSS do distrito, pelo apoio extraordinário que souberam dar às famílias afetadas.
Espera muita participação de IPSS?
Estamos nesta data a receber inscrições de IPSS que vão estar presentes e querem participar com iniciativas próprias neste dia. Contamos com um número significativo de associadas. É bom que assim seja, para podermos aproveitar a iniciativa e sair para a rua mostrar o que de bom e de bem as IPSS fazem. Será garantidamente um dia de Festa participada e animada.
Com quem conta para a organização da Chama e da Festa em Leiria e Aveiro?
A organização da Festa é partilhada entre a CNIS e as UDIPSS onde decorre, tendo depois diversos apoios sempre importantes, sobretudo das autarquias no que se refere a apoio logístico e comunicacional com o tecido social, associativo, económico de cada concelho. Mas não só, as Associações Humanitárias de Bombeiros, PSP, GNR são também parceiros relevantes para que o dia corra com sucesso.
Tem sido o rosto da CNIS para a Festa e Chama desde setembro de 2007, em Lisboa, na Quinta da Bela Vista. Alguma vez pensou que ao cabo de 20 anos continuaria a organizar este evento?
Não é bem assim, o rosto da Festa e Chama da Solidariedade foi sempre e será este ano o do nosso Presidente P. Lino Maia. Eu sou apenas um dirigente que com a confiança da direção se disponibilizou a assumir a coordenação destas realizações, teve sempre responsabilidades partilhadas por outros membros da CNIS e a confiança do nosso Presidente. Houve uma equipa que muitas vezes de forma invisível, mas atuante, esteve sempre presente nas diversas tarefas que esta organização exigia. Permito-me apenas referir dois nomes incontornáveis nesta coordenação ao longo do tempo, o Sr. Eduardo Mourinha e a Srª Drª Goreti Teixeira, pela importância que sempre tiveram quer na promoção da Festa e Chama com reuniões por todo o país quer na angariação de apoios financeiros e logísticos, sempre importantes para que estes eventos não constituíssem custos para a CNIS. Por isso ao revisitar todas as Festas, lembro muitos colaboradores e a todos agradeço a disponibilidade e a competência que sempre manifestaram quando tinha de assumir responsabilidades. Nestes 20 anos que estamos a percorrer na história da CNIS, houve sempre gente de muito valor, solidária entre si e com as comunidades, o que me facilitou neste caso a missão de coordenar esta iniciativa.
Sente-se realizado por ter conseguido terminar a volta a Portugal da Solidariedade?
Sinto-me realizado pelo meu percurso de 30 anos nos Órgãos Sociais da CNIS. Dei à organização, tudo o que pude e fui capaz de dar. Criei grandes e boas amizades, conheci homens e mulheres de grande valor e competência que enriqueceram a minha personalidade. Tive dois bons amigos e mestres com quem aprendi muito do que hoje sei e me moldaram no que sou, o Padre José Maia e o Padre Lino Maia, dois cidadãos que a história da cidadania e da solidariedade terá obrigatoriamente que registar. Tive a felicidade de partilhar esta vida da solidariedade com figuras ilustres deste país, mas pude também conhecer e conviver, com pessoas que invisíveis e até insignificantes para muitos, me deram grandes lições de vida e me fizeram acreditar que quando as causas são justas, vale a pena comprometer-nos e lutar pelo seu sucesso. A volta a Portugal foi apenas um pequeno contributo no grande mundo que é a CNIS e o Sector Solidário.
Pensa que a Festa e a Chama continuam a contribuir para a notoriedade da CNIS?
A Festa e a Chama da Solidariedade foram alguns momentos visíveis da ação da CNIS, mas a CNIS é muito mais do que isso. A CNIS é atualmente a maior organização do sector solidário, com a missão de promoção e defesa dos interesses de todo o sector na sua envolvente social, cultural, económica e de cidadania. A CNIS representa hoje, pela sua história, a esperança de um país melhor, mais solidário, mais coeso, mais digno e mais justo.
Se pudesse começar de novo mudaria alguma coisa no figurino da Festa e da Chama?
Penso que não, talvez alguns ajustes mas o formato e os objetivos estão consolidados.
O objetivo foi desde o início, criar um tempo e um espaço onde todos os agentes do sector social se pudessem encontrar, partilhar conhecimentos, mostrar o que de bom se faz nestas instituições e agradecer às comunidades o apoio que sempre lhe dedicaram. Dar visibilidade às IPSS. E isso valeu há 20 anos e continua a valer hoje.
V. M. Pinto (texto) P.V.O. (fotos)
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