SOS FAMÍLIA ENDIVIDADAS

Apenas 10% das famílias avançam com processo

A quase a totalidade (90%) das 835 famílias que recorreram à SOS Famílias Endividadas recusaram-se a avançar com o processo de reestruturação da dívida ou a insolvência por preconceito e vergonha, disse o director da rede. Criada há seis meses, a rede é uma iniciativa da Confederação Nacional das Associações de Famílias (CNAF) - composta por cerca de 150 associações, entre instituições de solidariedade social e autarquias -, e conta com especialistas que tentam dar "uma resposta célere e eficaz" na resolução do sobre-endividamento das famílias.

Quando contactam a rede as famílias já estão numa situação de sobre-endividamento: "Já gastaram todas as suas poupanças, já arrastaram os familiares para o seu problema, pedindo-lhes dinheiro emprestado", e têm penhoras nos vencimentos, adiantou Hélder Mendes.

Dados da SOS Famílias Endividadas referem que foram resolvidos 80 casos, dos quais 52 tiveram como solução a reestruturação da dívida por via judicial e 28 a insolvência.

A rede foi contactada por 835 famílias e pessoas em seis meses, um número que ficou aquém do esperado, disse Hélder Mendes, apontando como explicações para esta situação o facto de poder haver algum desconhecimento do serviço e o receio das famílias em procurarem ajuda. "Estávamos a contar com um número de contactos bastante superior, mas é o que temos", disse Hélder Mendes, lamentando ainda que 90% das famílias que contactaram a rede não terem avançado com o processo. "Até nos sentimos um pouco frustrados, porque temos uma solução para apresentar na maioria dos casos", que passavam em 62% das situações pela reestruturação da dívida e em 37,96% pela insolvência.

Relativamente aos casos de insolvência, Hélder Mendes disse entender que "as pessoas não queiram perder os bens, embora não haja outra solução", mas no caso da negociação dos créditos, as pessoas mantêm os bens e podem reduzir as mensalidades para cerca de metade. "Ao não fazerem nada, as pessoas apenas estão a protelar a resolução do problema e ficam com penhoras", sublinhou.

Sobre os motivos que impedem as famílias de avançarem para a solução dos seus problemas, o responsável disse que "há muito preconceito" em relação a estas questões. "Os portugueses são muito agarrados a uma questão de status, que não faz sentido", e "têm receio que os vizinhos ou os familiares percebam que estão em dificuldade", sustentou.

Perante estes receios, acabam por optar pela "solução mais fácil": Pedir mais dinheiro para pagar os créditos. "O problema não se resolve com mais dinheiro, mas sim com o devido saneamento financeiro e esse trabalho só é possível com a reestruturação judicial", salientou. As pessoas com mais formação são "as menos hesitantes", enquanto as da classe média e média baixa, "com menos informação, são mais reticentes".

Mesmo que decidem não avançar para a solução apontada pela rede, as famílias ficam, pelo menos, "devidamente esclarecidas e sabem como podem agir em relação aos contactos dos credores, que são bastante agressivos e persistentes", e o que podem fazer na sua situação.

Metade das pessoas que contactaram a rede (417) era casada, 170 divorciadas, 149 solteiras, 83 viviam em união de facto e 16 eram viúvos. Das pessoas que pediram apoio, 350 estavam empregadas, 345 desempregadas, 78 eram pensionistas e 62 empresários.

Mais de um quarto dos pedidos foi oriundo do distrito de Lisboa (219), seguindo-se o do Porto (158), Setúbal (114), Aveiro (40), Braga e Santarém (ambos com 37), Faro (36), Coimbra (31) e a Madeira (30).

 

Data de introdução: 2014-08-04



















editorial

Adenda 2026

Foi consensualizada e está concretizada a Adenda 2026 ao Compromisso de Cooperação para o biénio 2025-2026. Se foi subscrita é porque há acordo entre o Governo e as ERSSS. E, quando se estabelece acordo, todos beneficiam e há...

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

A Constituição Portuguesa garante da democracia
Dois dias antes de se assinalar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa participei no Fórum das Políticas Públicas 2026, dedicado a esta Carta Magna da...