ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

A Jhiad e a basílica de S. Pedro

O último número da revista oficial do estado islâmico, (EI), apresentava, na sua capa, uma fotomontagem dominada pela bandeira negra do califado, frente à basílica de S. Pedro, em Roma. Ocupando toda a capa, uma mensagem clara: “ A cruzada falhada”. No interior da publicação, uma promessa: “conquistaremos a vossa Roma, quebraremos as vossas cruzes. Se nós não chegarmos a ver esse momento, os nossos filhos ou os nossos netos irão vê-lo, e serão eles a vender os vossos filhos nos mercados de escravos” .

Trata-se, naturalmente, de guerra psicológica, feita de imagens e palavras destinadas a galvanizar os militantes radicais e a semear o medo entre aqueles que são considerados seus inimigos, nomeadamente os cristãos. Mas seria redutor e perigoso limitar a guerra do “Estado Islâmico” a uma estratégia de cariz psicológico. Os seus seguidores portam-se como membros de um exército treinado, soldados que vão buscar a sua força à fé muçulmana e a sua confiança às armas que não lhes faltam.

Este é um dos paradoxos da guerra que os jhiadistas travam em áreas territorialmente significativas do Iraque e da Síria contra uma coligação que, por enquanto, é mais formal do que real. Os Estados Unidos ficam-se pelos ataques aéreos e os restantes aliados não são capazes de os derrotar em terra. Pelo menos até ao momento, pode dizer-se que a coligação não dá sinais de os vencer

Esta é, certamente, uma das razões porque vai crescendo o número dos voluntários que, oriundos de muitos países, incluindo europeus, vão aumentando as fileiras dos seus combatentes. Quanto maiores forem os êxitos, reais ou propagandeados, que estes alcançarem, maior é o número daqueles que se oferecem fazer a “guerra santa”.

O mais surpreendente e difícil de explicar neste cenário é o fascínio que um movimento político e religioso, caracterizado pela sacralização do fanatismo e da violência, pode exercer sobre jovens ocidentais aparentemente formados em valores diametralmente opostos, como são os da tolerância e da liberdade. Muitos dos novos aderentes à causa da jhiad tiveram contactos com o mundo islâmico em cidades europeias de forte imigração. Desse contacto ficou-lhes a admiração pelo cumprimento rigoroso dos preceitos religiosos por parte dos seus crentes, em contraste com o relativismo do seu próprio mundo.

Essa admiração levou, em alguns casos, à conversão, mas é difícil perceber como é que se pode seguir quem faz uma promessa como aquela de destruir a basílica de S. Pedro, de quebrar todas as cruzes e levar os que se não convertem para os mercados de escravos.

António José da Silva

 

Data de introdução: 2014-11-06



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

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