MARÇO DE 2015

NO ANO EUROPEU PARA O DESENVOLVIMENTO

1. Por decisão do Parlamento e do Conselho Europeu e com o lema “o nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”, 2015 é o “Ano Europeu para o Desenvolvimento”. Tem como objetivos: informar sobre a cooperação para o desenvolvimento da União e dos respetivos Estados-Membros; fomentar a participação direta, o pensamento crítico e o interesse ativo na cooperação para o desenvolvimento, inclusive na formulação e execução das respetivas políticas; sensibilizar para os benefícios decorrentes da política de cooperação não apenas para os beneficiários da ajuda ao desenvolvimento da União mas também para os cidadãos.

2. O "ano europeu para o desenvolvimento" decorre quando já se sabe que, no próximo ano, metade da riqueza mundial estará nas mãos de cerca de 1% da população. É um número impressionante e que mostra como há muita coisa errada na distribuição da riqueza. Poucos com muito e muitos com pouco ou sem nada. É certo que a existência de quem cria riqueza é decisiva para o desenvolvimento, através da criação de emprego em larga escala, mas como se pode combater a pobreza e as desigualdades (mais de mil milhões vivem com pouco mais de um euro por dia) se, no final, grande parte do "bolo" fica nas mãos de poucos, alguns dos quais provavelmente à revelia do bem comum?

Os cultores da ciência económica, os operadores do sector e os responsáveis políticos devem advertir para a urgência de se repensar a economia, considerando, por um lado, a dramática pobreza mundial de milhões de pessoas e, por outro, o facto de que as atuais estruturas económicas, sociais e culturais sentem dificuldade em assumir as exigências de um autêntico progresso. As legítimas exigências de eficiência económica deverão ser mais harmonizadas com as exigências da verdade, da participação política e da justiça social. Em concreto, isto significa tecer de solidariedade as redes das interdependências económicas, políticas e sociais, que os processos de globalização em curso tendem a acrescentar.

3. Neste esforço de repensamento, que se perfila articulado e tende a incidir nas conceções da realidade económica importa ter presente aquele princípio segundo o qual os bens são bem quando ao serviço da pessoa toda e do maior número possível de pessoas. É também preciosa a cultura de uma verdadeira "civilização do amor" em que o imperativo do dom poderá levar a uma forma de vida assente e orientada para a verdadeira esperança. Civilização onde mais que querer ter um lugar, sobressai o querer ser e o procurar ser o lugar onde cada um se poderá encontrar consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Será sempre uma civilização do bem maior, para o qual são orientadas vontades e bens, capacidades e dons.

Construir e contribuir para uma civilização do amor para o "Desenvolvimento do nosso Mundo, da nossa Dignidade e do nosso Futuro", implica audácia e capacidade de robustecer uma vivência do Encontro (como lembra o papa Francisco na Evangelii Gaudium). Vivência onde todos se reconhecem igualmente dignos, mas diferentemente capazes de sonhar e realizar as condições de vida que da relação leve à comunhão.

Assim se constrói uma sociedade onde o desenvolvimento coletivo se manifesta no crescimento de cada um e de todos e em que o desenvolvimento pessoal faz sentido, por ser parte de um desenvolvimento coletivo assente na justiça e na verdadeira solidariedade (aquela que solidifica a fraternidade), que não sinta vergonha em partilhar para assistir aqueles que mais necessitam, mas sempre na senda da plenitude da Pessoa toda e de todas as Pessoas.

Lino Maia

 

 

Data de introdução: 2015-03-08



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

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