CARLOS FARINHA RODRIGUES

Programa de Estabilidade deve priorizar as políticas sociais

O economista Carlos Farinha Rodrigues espera que o Programa de Estabilidade dê prioridade às políticas sociais e identifica duas prioridades: o combate à pobreza de jovens e crianças e a avaliação das medidas para as tornar mais eficientes.
Em entrevista à agência Lusa, o investigador social defendeu que o Programa de Estabilidade, que o Governo deverá aprovar no Conselho de Ministros de dia 21 de abril, deve conter “novas políticas para reduzir as desigualdades e combater a pobreza”, acrescentando que “houve já um esforço muito ativo por parte do Governo para corrigir as principais limitações das políticas que vinham de trás” e que “há claramente uma disposição de colocar as questões sociais num patamar de prioridade”.
Questionado sobre quais as áreas que o executivo de António Costa deve definir como prioridades, Carlos Farinha Rodrigues disse que, do ponto de vista social, “é necessária uma nova filosofia e é necessário definir novas metas”.
Relativamente a esta “nova filosofia” das políticas sociais, Carlos Farinha Rodrigues entende que é preciso que o combate à pobreza seja “uma das prioridades da intervenção do Governo, não só do Ministério da Segurança Social, mas de todo o Governo”.
Isto porque, acrescentou, “praticamente todas as políticas económicas têm impacto em termos de pobreza e, portanto, é necessário levar para a implementação da política económica uma preocupação social”.
A segunda prioridade identificada por Carlos Farinha Rodrigues prende-se com a importância de “definir metas e objetivos”, sendo que as crianças e os jovens devem ser os grupos prioritários.
“Nos quatro ou cinco anos do processo de ajustamento, as famílias com crianças foram as mais penalizadas. Assistimos a um aumento do número e da percentagem de crianças e jovens em situação de pobreza como não havia memória há muitos anos”, recordou o economista do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), acrescentando que é preciso “claramente a definição de um programa de combate à pobreza” direcionado para estes grupos.
Para além disso, Carlos Farinha Rodrigues considera que a segunda meta a determinar deve passar por “repensar e recriar muito da política social” atual.
“Temos um conjunto de medidas de apoio aos mais desfavorecidos que, sendo importante, acaba por ser uma malha extremamente densa e pouco clara”, alertou o investigador social, defendendo que “é necessário melhorar, simplificar e tornar mais transparente a política social em Portugal”.
Questionado sobre se os compromissos orçamentais assumidos com Bruxelas dificultam a prossecução destas políticas a nível social, Carlos Farinha Rodrigues afirma que “tudo isto seria mais fácil se estivéssemos num período de forte crescimento económico e com a economia sem outro tipo de problemas”.
No entanto, o economista considera que “essa envolvente, que é poderosa no sentido em que impõe restrições, não deve ser desculpa para não atuar” e que acaba por ser “uma razão para se ter mais cuidado e ser mais seletivo”.
Carlos Farinha Rodrigues diz que o facto de Portugal continuar num contexto de restrições orçamentais “não é motivo para baixar os braços” e acrescentou estar “convencido de que este Governo não o vai fazer”.
O Governo português deverá apresentar o Programa de Estabilidade, o primeiro do executivo de António Costa, no qual deverá detalhar a estratégia orçamental de médio prazo e comprometer-se com metas para o défice orçamental até 2020.
Nesse documento, o Governo pode também rever as metas já apresentadas para este ano, sendo que no Orçamento do Estado para 2016 o executivo se comprometeu com um défice de 2,2% em 2016 e com um crescimento económico de 1,8%.

(Fotografias - D.R.)

 

Data de introdução: 2016-04-20



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...