PADRE JOSÉ MAIA

Fundamento da Comunidade Política

Nunca terá passado pela cabeça de ninguém e, sobretudo do Governo e da Comunidade Política, que um incêndio, como o de Pedrógão Grande, pudesse abalar os alicerces da nossa organização como Povo valente e imortal, a ponto de toda a classe política, no Governo e no Parlamento, ter percebido que algo de grave tinha acontecido que reclamava muitas explicações que ninguém estava à altura de poder prestar!

Foi confrangedor verificar que, uma vez mais, se tenha utilizado o recurso sempre à mão em situações análogas a esta: uns a acusarem os outros, com promessas de instauração de rigorosos inquéritos que, por sistema, nunca levam lado nenhum!

Mas, desta vez, a coincidência de vários fenómenos em áreas que atingiram a responsabilidade do funcionamento do Estado, acompanhada de muitas e bem documentadas reportagens da comunicação social, semeou o pânico na classe política!

Convenhamos que, para além da tragédia que se abateu sobre Pedrógão Grande, a forma como o assalto a instalações militares, em Tancos, seguido de roubo de muito e muito perigoso armamento, como se de uma casa normal se tratasse, não deixa ninguém tranquilo!

Esperando que, desta vez, os políticos levem a sério todas estas ameaças à segurança das populações, aqui fica um modesto contributo para se poder compreender qual é o verdadeiro fundamento da “comunidade política”. Sendo verdade que é o voto que legitima o acesso ao Poder, nos seus diversificados patamares: Parlamento, Governo, Administrações Centrais e Locais, incluindo, naturalmente as Autarquias, convém ter presente que “a comunidade política deve ter na referência ao povo a sua autêntica dimensão: ser a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro Povo".

Quem se propõe assumir a responsabilidade de “governar um Povo” deve ter consciência de que um Povo não é uma multidão amorfa, uma massa inerte que se pode manipular ou instrumentalizar!

Talvez fosse uma boa ideia incluir nos cursos de verão, que costumam organizar-se para “formar quadros políticos”, este tema: “considerar a pessoa humana como fundamento e fim da comunidade política. Por isso, toda a ação política deve esforçar-se antes de mais, pelo reconhecimento e pelo respeito da sua dignidade, mediante a tutela e a promoção dos direitos fundamentais e inalienáveis do homem”.

Uma comunidade política que deseje credibilizar-se, terá de cuidar muito mais da dimensão ética, humanista, social, inclusiva, de coerência entre o ser e o parecer, de quantos vão ser convidadas para o exercício do Poder!

 

Pe. José Maia

 

Data de introdução: 2017-07-08



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...