ASSOCIAÇÃO EMÍLIA CONCEIÇÃO BABO, VILA MEÃ

Ampliação para mais 34 lugares é já insuficiente para responder a uma creche feliz

Ainda antes do lançamento da creche gratuita, a Associação Emília Conceição Babo já decidira alargar a capacidade da sua resposta, que atualmente é de 41 crianças. Nesse sentido, tem em curso as obras de ampliação das suas instalações, aumentando a capacidade em mais 34 petizes.
“Se soubéssemos o que sabemos hoje tínhamos feito um projeto para 44… O projeto foi feito em 2019 e não sabíamos que vinha aí a Creche Feliz, que fez crescer muito a procura”, conta Daniel Queirós, diretor-técnico da instituição, acrescentando: “A procura cresceu muito, mas temos um problema que necessita de ser resolvido, porque há pais que estão desempregados e em casa, mas também há pais que estão empregados e não têm vaga”.
Para além da valência de creche, a instituição de Vila Meã, concelho de Amarante, tem ainda um centro de dia com 30 utentes e um Serviço de Apoio Domiciliário que presta serviços a 56 idosos.
Face à realidade da população que serve, a Associação candidatou ainda um outro projeto ao PRR, que não foi aprovado, de criação de um centro de dia para pessoas com alzheimer.
“O fim com que foi criado o centro de dia está completamente desvirtuado, porque as pessoas estão muito envelhecidas e não há vagas em lar… No fundo, muitos vêm para o centro de dia à espera de uma vaga num lar ou então aguardar no domicílio com o nosso apoio. Por isso, fizemos um projeto para um centro de dia para pessoas com alzheimer, mas a candidatura que apresentámos ao PRR não foi aceite, porque não tínhamos projeto de especialidade. Tínhamos o projeto de arquitetura aprovado na Câmara, mas faltava o outro”, conta Daniel Queirós, que explica o que pretendia a instituição: “Uma resposta destas é uma necessidade a nível nacional, é preciso diferenciar os cuidados, pois temos pessoas com alzheimer e outras demências em centro de dia e não é bom para eles nem para os outros. Por isso, a nossa intenção era criar um espaço com uma equipa qualificada para lidar com essas problemáticas, ou seja, um centro de dia diferenciado, com uma equipa de técnicos diferenciados para trabalhar um problema diferenciado”.
“Mas não vamos deixar cair este projeto, vamos deixar passar um tempo, terminar as obras da creche e pôr tudo a funcionar primeiro e depois pensamos nisso. Temos cerca de 50 crianças em lista de espera e, por isso, queremos mesmo terminar esta obra”, atalha António Pinto da Cunha, presidente da instituição, acrescentando: “Na Direção temos por lema a estabilidade e não damos passos sem saber que são passos certos. A creche é um passo desses, o do centro de dia para pessoas com alzheimer era outro, mas de momento nada mais. E neste momento estamos sem espaço físico. Aliás, no futuro, penso que o passo deveria ser adquirir espaço físico para poder construir”.
A Associação Emília Conceição Babo nasce da vontade de Aurélio Babo Magalhães que, em testamento, doou um edifício onde se ergue hoje a instituição.
“A primeira pedra foi colocada no último dia do prazo de três anos que o doador tinha imposto. O doutor Babo doou o edifício à Junta de Freguesia para fazer uma obra social e que fosse dado o nome da mãe dele à instituição. Para além disto, ainda temos a responsabilidade de tratar dos jazigos deles”, conta o presidente.
“Inicialmente não havia dinheiro. O edifício já estava degradado, depois ainda houve um incêndio e foi graças ao dinheiro do seguro que foi possível avançar no projeto. Na altura não havia fundos que pudessem apoiar à construção, mas, entretanto, surgiu o PARES e foi, então, que a obra começou a crescer. Em 2010 a obra estava concluída, mas houve um diferendo com o empreiteiro. Para além de que, da nossa parte, não havia dinheiro”, acrescenta o diretor-técnico.
A empreitada só foi possível porque a instituição recorreu a uma linha de apoio do Montepio, no valor de 180 mil euros, “que serviu para resolver o problema e foi o fundo de maneio para começar em outubro de 2013”, lembra o presidente.
Desde que começou a funcionar, a instituição viveu 10 anos de sobressaltos (crise financeira, pandemia e o momento presente de guerras e inflação).
“Foram 10 anos complicados, mas, acho, que temos feito um bom trabalho. Pagámos o empréstimo dentro do prazo inicialmente previsto, temos angariado muitos associados, fomos buscar trabalhadores ao Centro de Emprego. Penso que temos feito um bom trabalho. Passámos aqui alguns tempos complicados em termos económicos com a pandemia, porque os utentes deixaram de pagar, pois duas das três valências fecharam”, recorda António Pinto da Cunha, ao que o diretor-técnico acrescenta: “Foi um período em que houve alguma falta de dinheiro, mas conseguimos sempre manter as coisas equilibradas, fruto de uma gestão criteriosa e eficiente, para ser rentável e haver fundos para investir na instituição. E o saldo destes 10 anos é positivo, a instituição tem crescido. Em 2015 já estávamos com a capacidade lotada”.
Por isso, o líder da associação considera que a situação financeira da casa é salutar: “Neste momento, é saudável e temos tido sempre resultados positivos, o que nos permite fazer estes investimentos, comprar carrinhas, fazer o SAD ao fim-de-semana. Sempre que há atividades fora é tudo a expensas da instituição. Depois, em janeiro todos os salários são atualizados. Aqui também temos recebido alguns jovens do Centro de Emprego que integrámos na equipa de trabalho, apesar dos seus problemas. É a chamada inclusão social”.
A referência de António Pinto da Cunha ao serviço de fim-de-semana do SAD prende-se com o facto de o mesmo não ser comparticipado pela Segurança Social.
“O SAD foi estendido aos fins-de-semana logo no início de funcionamento, porque sentimos essa necessidade. Mas é tudo por nossa conta, porque a Segurança Social não comparticipa os fins-de-semana. Cobramos uma taxa adicional ao utente, mas não cobre os custos. Nunca houve possibilidade de alargamento do acordo. O SAD tem uma tabela nova desde 2016, mas desde essa altura não aconteceu nada”, argumenta Daniel Queirós, que deixa um lamento: “Em 2020, devido ao aumento de procura que tivemos, fiz um pedido de alargamento da capacidade do SAD, preenchemos os requisitos e foi-nos concedido, mas comparticipação para mais 16 vagas nada”.
E se os responsáveis pela instituição já referiram que a realidade do centro de dia é muito diferente do que se pretendia dele, há a questão financeira que se arrasta há anos, com a valência a ser endemicamente deficitária. Porquê?
“O nosso centro de dia tem 30 utentes, recebemos por cada um 150 euros, temos de ter quatro carrinhas para ir busca-los e levá-los, cada uma a fazer uma média de 40 quilómetros por dia e quatro funcionários para conduzir as carrinhas. O exigido são quatro funcionários, mas nós temos seis devido à incapacidade de alguns utentes, pois só assim podemos cuidar bem deles”, começa por responder, acrescentando: “E este é um dos motivos para dar prejuízo, porque a Segurança Social define um quadro de pessoal que é insuficiente para prestarmos os serviços devidos às pessoas perante as suas incapacidades. O espírito do centro de dia era para ser algo tipo universidade sénior, mas a realidade demonstra que está desvirtuado. Devia ser redefinido para responder às novas realidades. Depois é uma resposta com muita despesa, pequeno-almoço, almoço e lanche, porque os utentes só não dormem na instituição”.
Pelo serviço que presta, a relação com a comunidade “é boa”. “Estes últimos anos, por causa da pandemia, estamos um pouco mais retraídos e ficamos mais cá dentro, mas estamos agora a começar a sair novamente”, afirma o diretor-técnico, ao que o presidente acrescenta: “A relação é boa e temos muita gente a ajudar-nos com donativos. E há muita empresas que todos os anos nos ajudam, o que é muito importante para equilibrar as contas”.
E como é que seria Vila Meã sem a Associação Emília Conceição Babo?
“Era mais pobre, com menos serviços de apoio quando as pessoas mais precisam”, diz António Pinto da Cunha, enquanto Daniel Queirós acrescenta: “Acabamos por fixar as pessoas em Vila Meã, seja pelo trabalho, seja por acolhermos os familiares de alguém, e em termos económicos fazemos funcionar a economia local”.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2023-12-13



















editorial

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