Arrancaram hoje, em Aveiro, os trabalhos do VII Congresso da CNIS, em que a «Pobreza e Proteção Social» é o tema central.
Muitas foram as ideias veiculadas e os subtemas abordados pelos diversos oradores participantes ao longo dos três painéis do dia,
mas, provavelmente, a mais significativa foi lançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e, posteriormente, confrontada pelo pensamento do economista Carlos Farinha Rodrigues.
Logo na sessão de abertura, Maria do Rosário Palma Ramalho insistiu na ideia de que, “sem uma ligação indissociável entre proteção social e criação de riqueza, o Estado não poderá completar a sua função social”.
Por seu turno, o economista e especialista no estudo da pobreza em Portugal, discordou daquela ideia, defendendo que “o processo de criação de riqueza não é indiferente do processo de redistribuição da riqueza criada”.
“Os pobres são menos pobres do que há 50 anos, mas a diferença entre ricos e pobres está muito maior”, afirmou o Tenente-General Marco António Serronha,
lembrando que “estamos num mundo de poucos, os ricos, em que a pobreza cresce e a tecnologia está a favor do poder” desses poucos ricos, enquanto Carlos Farinha Rodrigues alertou que “a pobreza não é um problema dos pobres, mas de toda a sociedade, porque também é um travão ao desenvolvimento social”.
Foi uma longa jornada de trabalho, onde foram feitos diagnósticos sobre a pobreza em Portugal, que atualmente regista valores de cerca de 18% da população – e porque as reformas/pensões não são contabilizadas nas estatísticas (por serem uma espécie de ordenado), sabendo-se que uma das faixas mais afetadas pela pobreza são os idosos.
Na tarde do primeiro dia de trabalhos no Centro de Congressos de Aveiro,
foram ainda abordados os temas «Enquadramento Global, Ético e Doutrinário» e ainda a «Proteção Social como Direito».
Ainda pairando sobre as questões financeiras e a proteção social, a professora de Direito Sofia Pinto Oliveira defendeu que “não basta apenas a compensação financeira por parte do estado, através das prestações sociais, porque, cada vez mais, são precisos cuidados”.
O dia terminou com um passeio cultural de barco moliceiro para os congressistas, seguido de um jantar de celebração.
Os trabalhos do VII Congresso da CNIS serão mais profundamente abordados na próxima edição do jornal Solidariedade, a sair na próxima semana.
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