Edgar Carneiro, da CAID – Cooperativa de Apoio à Integração do Deficiente, de Santo Tirso, foi o grande vencedor da 19ª edição do Cridem - concurso nacional de obras de expressão plástica de pessoas com deficiência intelectual, com a escultura «Entre».
Na altura de receber o Prémio Fundação Manuel António da Mota (PMAM), no valor de 3.300 euros, Edgar Carneiro, bastante satisfeito, soltou um simples, sincero e humilde: “Que sorte!”.
A APPACDM de Braga, representada por Nuno Guimarães e Bruno Silva, arrecadou o segundo lugar ao vencer o Prémio Fundação Montepio, no valor de 2.500 euros, com a obra coletiva «Entre ruínas e a Esperança», da categoria Outras Expressões Plásticas.
Para Coimbra foi o terceiro lugar, com a Cavalo Azul (AFSD - Associação de Famílias Solidárias com a Deficiência), representada por Lara Antunes e Vânia Rosa, a levar para casa o Prémio Porto, no valor de 1.500 euros, com a obra coletiva «Da minha janela vejo o mundo», da categoria Desenho e Pintura.
Já o Prémio Aires Moreira (1.000 euros), que distingue a instituição que, pelo conjunto das três obras submetidas, evidenciou maior consistência e qualidade artística global, foi atribuída à AEDS – Associação de Educação e Desenvolvimento Social, do Porto, pelas obras: «A ilha das cores», de Sandra Oliveira (Tapeçaria), «Memorável», obra coletiva (Escultura) e «Paisagem das memórias», obra coletiva (Outras Expressões Plásticas).
Na abertura da sessão, Rui Pedroto, presidente da Fundação Manuel António da Mota, relevou a importância do Cridem e os seus 35 anos de história, reforçando o compromisso da instituição que lidera com a continuidade do concurso, algo em que foi acompanhado pelo representante da Fundação Montepio, Carlos Beato.
“Este é um evento único e singular na produção artística na área da deficiência”, afirmou Rui Pedroto, sublinhando que é “dos artistas, para os artistas, pelos artistas”.
Teresa Guimarães, presidente da APPACDM do Porto, destacou a importância do concurso e da exposição, que estará patente até 30 de outubro de 2026, nas instalações da Fundação Manuel António da Mota, antes de entrar em itinerância, deixando uma palavra especial para Josefina Bazenga, presidente da APPACDM do Porto quando o Cridem foi lançado em 1991 e atual presidente da Mesa Assembleia Geral da instituição.
Por seu turno, Alberto Santos, secretário de Estado da Cultura, relevou o facto de os artistas a concurso serem “pessoas que encontram na criação artística a forma de olhar e interpretar o mundo”, algo que lhes “permite afirmar a sua autonomia”.
Por fim, Alberto Santos deixou um agradecimento: “Obrigado pelo contributo que dão para a cultura portuguesa”.
De seguida, Clara Marques Mendes frisou que, “através da cultura, também se faz inclusão social”.
“Quero deixar um elogio a todos os premiados, porque isto é arte que tem de ser vista”, afirmou a secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, sublinhando que “autonomia e poder critico ganham-se com Cultura”.
Revelando a intenção de o Governo “majorar o apoio para pessoas menos autónomas”, a governante afirmou o “reconhecimento do trabalho do Sector Social”, defendendo que “tem havido um avanço” na cooperação.
“Queremos reforçar os apoios, que é a missão do Estado, mas também eliminamos dificuldades, como foi com o CACI, para não deixar ninguém de fora”, argumentou Clara Marques Mendes, terminando, dirigindo-se aos muitos artistas presentes no lotado auditório onde decorreu a cerimónia: “Vocês são uma inspiração”.
Rui Maia, curador da exposição e presidente do júri do Cridem’26, depois de deixar um rasgado elogio ao trabalho dos artistas a concurso, deixou um conselho: “Percorram a exposição com tempo, devagar, parem e olhem os pormenores”.
Outras obras foram premiadas nas quatro categorias, a saber:
Categoria Desenho e Pintura
1º Prémio - APPACDM de Coimbra, com «Me, Myself and I», de Carla Sofia Batista Martins; 2º Prémio - Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Obra Social do Pousal, com «O Meu Casamento», de Carina Miguéis; 3º Prémio - APPACDM da Maia, com «Onde o Mundo é Meu», obra coletiva.
Categoria Escultura
1º Prémio - ERID – Associação Educar, Reabilitar Incluir Diferenças, com «Faces que florescem!», obra coletiva; 2º Prémio - Crinabel – Cooperativa de Solidariedade Social, com «Côa», obra coletiva; 3º Prémio - CAID – Cooperativa de Apoio à Integração do Deficiente, com «Se eu fosse árvore», obra coletiva.
Categoria Tapeçaria
1º Prémio - AEDS – Associação de Educação e Desenvolvimento Social, com «A ilha das cores», de Sandra Oliveira; 2º Prémio - APPACDM da Trofa, com «Arte têxtil contemporânea: A Persistência da Linha», obra coletiva; 3º Prémio AADID – Associação dos Amigos das Deficiências Intelectuais e Desenvolvimentais, com «Entrelaços do mar», obra coletiva.
Categoria Outras Expressões Plásticas
1º Prémio - APPACDM do Porto, com «Mecanismo do Ser», obra coletiva; 2º Prémio - AAJUDE – Associação de Apoio à Juventude Deficiente, com «A Singularidade da Expressão», obra coletiva; 3º Prémio - APPACDM da Trofa, com «O Lugarejo que esqueceu o chão», obra coletiva.
Para além dos referidos premiados, o Cridem’26 atribuiu uma série de menções honrosas a diversas instituições de norte a sul de Portugal.
Nascido no ido ano de 1991, pela mão da APPACDM de Porto, historicamente apoiado pela Fundação Manuel António da Mota e pela Fundação Montepio, nos seus 35 anos de história, o concurso bienal teve uma interrupção de uma década, mas retomado em 2016 não tem parado e, em 2026, concretizou a sua 19ª edição, contando com 180 obras a concurso, emanadas de 80 instituições de todo o país.
Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)
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