EUGÉNIO FONSECA, PRESIDENTE DA CARITAS

A caridade é muito mais que a solidariedade

Eugénio Fonseca foi reconduzido nas funções de Presidente da Direcção da Caritas Portuguesa.
O professor de Educação Moral e Religiosa Católica parte para o seu terceiro mandato à frente dos destinos da Caritas no nosso país.
48 anos, casado, dois filhos, Eugénio Fonseca, que é também dirigente da CNIS, nasceu em Setúbal. 

A recondução foi decidida pelo Conselho Geral da Caritas Portuguesa, reunido a 18 e 19 de Fevereiro na Casa de Acolhimento das Irmãs de S. José de Cluny, em Torres Novas.
O Conselho contou com a participação de representantes de 17 das 20 Caritas Diocesanas, sob a presidência de D. Augusto César Alves Ferreira da Silva, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Bispo Emérito de Portalegre e Castelo Branco.
Elmano José Dionísio Nazareth Barbosa, Domingos Ferreira de Sousa, Rita Isabel Morais Tomaz Valadas Pereira Marques, Ir.ª Maria Isabel Tenreiro dos Santos Monteiro, João José Mota Ramos, Jorge Emanuel Simões Teixeira Cardoso, Ir.ª Maria Zélia Gomes de Góis Pinto e Pe. Álvaro de Jesus acompanham Eugénio Fonseca na direcção da Caritas, num mandato com a duração de três anos. 

Registe-se a presença, na presidência do Conselho Fiscal, do actual Presidente do Tribunal de Contas, ex-ministro e ex-deputado do PS, Guilherme D’Oliveira Martins. 

A posse foi conferida por Dom Augusto César. No decorrer do Conselho Geral, o prelado referiu que a Caritas não esgota a expressão da caridade da Igreja, pois existem outras organizações e movimentos que nasceram também da acção do Espírito Santo. No entanto, salientou que pertence à Cáritas ser a expressão da caridade organizada da Igreja, pelo facto de emanar da comunidade cristã, sendo, por isso, o rosto da caridade da Igreja. Sublinhou, ainda, o dever da Cáritas pugnar pela construção de caminhos de unidade e de comunhão. Congratulou-se pelo imenso trabalho desenvolvido pela Caritas, alertando, porém, para os perigos de uma programação muito ambiciosa que não deixe lugar a tempos de reflexão interior e de união íntima com a Fonte da Caridade que é o próprio Deus. 

Para o presidente da Caritas Portuguesa, este Conselho fica marcado por dois acontecimentos: o da recente publicação da Carta Encíclica “Deus Caritas Est” de Bento XVI, e a tomada de posse de uma nova Direcção para a Caritas Portuguesa.
Os representantes das Caritas das Dioceses localizadas nas zonas mais atingidas pelos incêndios de 2005 apresentaram relatórios sobre o Programa de Apoio às Vitimas dos Incêndios (PAVI). Foi unânime o propósito de se tentar a devolução do IVA que irá ser cobrado na construção e reconstrução das 32 casas, das quais sete já foram entregues.
Foi decido iniciar, no terceiro trimestre do corrente ano, a recolha de dados relativos ao atendimento social, tendo em vista a criação do Observatório Social, procurando envolver todas as Caritas Diocesanas e, de forma gradual, as paróquias de cada Diocese. Prevê-se, com o apoio do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior, a apresentação dos primeiros resultados, por amostragem, no primeiro trimestre de 2007. 

Confirmou-se a adesão das Caritas Diocesanas à parceria que se está a formalizar com a Associação Nacional de Direito ao Crédito e com o Millennium BCP, no sentido de permitir o acesso a financiamento de Micro crédito de um maior número de cidadãos, no sentido de viabilizar empreendimentos que visem a autonomia dos indivíduos.
Avaliou-se a Operação “ 10 Milhões de Estrelas – um gesto pela paz” de 2005, tendo-se constatado que se prevê vir a ser menor o montante obtido para os projectos de solidariedade programados, mas muito significativas as iniciativas que tiveram como objectivo ajudar a sociedade portuguesa a dar sentido cristão à vivência do Natal.
Foi sentida a necessidade de um maior envolvimento das comunidades cristãs, dado que esta operação é uma oportunidade única, em muitas Dioceses, de levar, para fora da Igreja, a Boa Notícia da celebração do nascimento de Cristo.
A preparação próxima do Dia Nacional da Caritas, que se assinala a 19 de Março, foi outro dos pontos da ordem de trabalhos.

Em declarações ao Solidariedade, Eugénio Fonseca acompanha os alertas deixados por D. Augusto:
“O Santo Padre chamou recentemente a atenção para os perigos do activismo e do secularismo. Para os evitar é preciso não esquecer que devemos ter sempre presente que a origem deste amor é o Amor de Deus”.
Presidente da Caritas que prefere a expressão “caridade” à “solidariedade”: “A caridade é muito mais que a solidariedade. Tem em si exigências que decorrem de eu me sentir efectivamente irmão dos demais e não apenas um serviço.
Reconheço existir alguma dificuldade em usar o termo caridade, talvez porque tenhamos desfigurado o seu verdadeiro sentido. Mas não devemos ter medo de o retomar”.
A desertificação do interior, com naturais reflexos nas estruturas locais da Igreja, atendendo à falta de párocos, é uma das preocupações de Eugénio Fonseca: “Há na verdade esse perigo, quer no que toca aos recursos humanos quer em relação aos recursos materiais. Em meu entender, devemos proceder à partilha desses recursos.
É verdade que muitas das vezes nos faltam os meios, fruto da situação difícil que o país tem atravessado nos últimos anos”. 

Quanto ao Observatório Social, Eugénio Fonseca encara-o no campo da diagnose, precedendo naturalmente a terapêutica:
“Parece que este género de estruturas está hoje na moda. Não é por seguidismo que resolvemos avançar com esse projecto. Fazêmo-lo para responder a uma exigência muito sentida. É que não basta estar, é preciso identificar os problemas atempadamente para lhes podermos dar uma resposta adequada. 

Faz todo o sentido avançarmos com este projecto, atendendo aos dados que podemos recolher de uma organização que envolve mais de quatro mil paróquias. Necessitamos de ter um termómetro social sempre em funcionamento, de molde a podermos prevenir. Não faz sentido estarmos a dar respostas a problemas que já não existem.
Estou consciente das dificuldades que teremos que enfrentar. Vai ser um trabalho muito lento, na primeira fase. Avançaremos primeiro pelo método da amostragem, com cinco paróquias de cada diocese”.
O Presidente da Caritas é também membro da direcção da CNIS. Não o assusta o desafio de estar em lugares de topo das duas estruturas:
“É possível conciliar. Depende muito do espírito da pessoa. No que respeita às tarefas a executar, eu procuro sempre distribuí-las pelas equipas que trabalham comigo. Sei que cada um vai cumprir com o que lhe foi atribuído. Na prática, um presidente funciona mais como um coordenador das diversas acções que vão sendo desencadeadas.
É sempre possível harmonizar os dois cargos, desde que haja colaboração mútua. E já deu para perceber, pelas reuniões que tivemos, que na direcção da CNIS vamos trabalhar em equipa. Trata-se de uma equipa de pessoas muito competentes, com um sentido de responsabilidade muito apurado”.


 

Data de introdução: 2006-03-16



















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