ORGANIZAÇÕES CATÓLICAS PREOCUPADAS

Falência do sistema de quotas para a imigração

As organizações católicas ligadas à imigração querem que o governo aposte de forma mais decidida em medidas que favoreçam a imigração legal, criticando a falência do sistema de quotas.
A apreensão aumentou após uma notícia do jornal Público, segundo a qual o sistema de quotas para a imigração criado pelo Governo só permitiu a legalização de três pessoas desde Janeiro de 2004. 

Perante estes números, o Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), denunciOU à Agência ECCLESIA que “continua a entrar em Portugal mão-de-obra ilegal e é isso que parece interessar ao nosso mercado de trabalho”.
Criticando o silêncio que houve sobre as quotas, o sacerdote lembra que “nós próprios lançámos no Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração (COCAI) o apelo para que os conselheiros fossem informados sobre as vagas que estão a ser utilizadas este ano”. 
“O silêncio foi quebrado por este artigo e felicito o jornalista por ter tido acesso a informações que a nós nunca nos foram fornecidas”, atira. 

A nova lei da imigração, aprovada pelo actual Governo no início deste ano, veio fechar as fronteiras portuguesas, obrigando a que o número de entradas no país esteja de acordo com as quotas definidas por um relatório bianual, tendo em contas as oportunidades de emprego(8500 vagas em 2004). A fixação de um limite máximo anual de entradas de cidadãos de Estados terceiros foi considerada pelo Governo como "um instrumento decisivo para a regulação e estabilização das entradas em território nacional". 

A OCPM sempre criticou critica esta visão funcional da imigração e lembra que a situação de irregularidade se deve, em grande parte, “ao incumprimento pelo Governo da anterior Lei de Imigração e à impunidade de que gozam alguns empregadores”. De acordo com o director do organismo católico, “mais uma vez constatamos que foram utilizados argumentos de algum populismo. A política de regulação dos fluxos não se revelou eficaz”. 

A agenda da próxima reunião do COCAI – a 13 de Outubro, no Porto – inclui uma informação sobre o relatório. Nos dias seguintes haverá uma reunião do FORCIM (Fórum de Organizações Católicas para a Imigração) “para avaliar este instrumento que acabou por ser a grande questão do debate sobre a imigração em Portugal”, como revela o Pe. Rui Pedro. 

O director da OCPM lembra ainda que das quotas foi subtraído o total de imigrantes desempregados. “Ainda ninguém nos disse quantos deles foram integrados no mercado de trabalho”, assinala. 

A regulamentação da Lei da Imigração estabeleceu que os imigrantes tenham de apresentar uma promessa de contrato de trabalho nos consulados portugueses, assinada pelo empregado e pelo empregador, o comprovativo da oferta de emprego no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da apresentação na Inspecção Geral do Trabalho (IGT). Outra das exigências para o processo de legalização é a obrigatoriedade de o imigrante apresentar o registo criminal no país de origem e em Portugal. 

“Posso concluir, após conhecer o número de legalizações avançado, que estamos na presença de uma prova inequívoca de que o governo não tem apostado no favorecimento da imigração legal de que necessita, mas continua a apostar numa política de desencorajamento da imigração para Portugal”, conclui o director da OCPM.

 

Data de introdução: 2004-10-21



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...