EDITORIAL

Face a um ciclo eleitoral

1. O próximo semestre será de eleições: Europeias, Legislativas e Autárquicas.
Começaremos pelas primeiras sem saber como continuará a sua arrumação.
O Parlamento Europeu é um espaço de afirmação, proclamação e defesa dos valores morais e éticos da Europa, que a defenderão na sua identidade histórica e cultural. Na sua multiplicidade de civilizações e de sistemas ideológicos, os deputados europeus devem possuir capacidade e cultura interventora para esta missão.

A Assembleia da República é o principal órgão legislativo do país e dali procede a legitimação do Governo. Sem objectivos claros, sem atenção responsabilizadora e fiscalização acompanhante e sem leis adequadas e respeitadoras da realidade e do bem comum o país não pode prosperar.

Na sua variedade, a Assembleia é um lugar vocacionado para construir a unidade e apontar os caminhos do progresso da nação. Os seus membros devem empenhar-se no maior bem da comunidade nacional, ocupando-se com os desafios e os problemas e situações mais graves que urge resolver.
A diversidade dos deputados e a pluralidade dos partidos é enriquecedora. Porém, não menospreza nem anula o contributo de cada um e de todos.

A Autarquia é o espaço local de serviço de referência, directa e de proximidade. As eleições autárquicas têm merecido o maior interesse das populações e até por tal, em muitos casos, e bem, organizam-se e submetem-se a sufrágio, um pouco à margem dos Partidos. Os eleitores conhecem as necessidades concretas, as pessoas propostas, com a sua competência e honestidade, os méritos e os desvios do trabalho até ali realizado.

É a democracia a funcionar numa das suas mais consensuais e visíveis expressões, com a participação dos cidadãos nas opções políticas e com a garantia reconhecida aos governados da possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes e representantes, quer de os substituir pacificamente, quando o julgar oportuno.
Não há democracia sem participação, como não há democracia sem Partidos e sem ideias políticas e debate ideológico.
Corrigem-se as suas limitações e favorecem-se os seus desenvolvimentos dialécticos. Também com a participação, consciente e activa, que um acto eleitoral proporciona.

2. As eleições surgem num contexto de intensa crise. Global, sem dúvida: o mundo mergulhou profundamente nela e parece que não sabe como sair dela.
É uma crise que faz implodir alguns mitos. O mito da especulação, o mito da omnipotência do mercado, o mito das estatísticas, o mito das obras de regime, o mito dos muros isolacionistas, o mito dos números. E outros mitos ainda: também o da colectivização e o do capitalismo.
Para poder ser vencida - e está longe de o ser – a actual crise requer que sejam recentradas as preocupações políticas, em que sejam afastadas as declarações retóricas para serem retomadas as questões de base.
Também entre nós.

Os Partidos são imprescindíveis e os políticos são credores de respeito. É preciso, porém, que o serviço seja mais catalisador que o poder e os ideais sejam mais inebriantes que as estratégias de oportunidade.
Responderão aos desafios históricos com que todos nos confrontamos, os Partidos e os Políticos que recentrarem nas pessoas a concepção política e a proposição de políticas.
Na pessoa humana concreta, servida e respeitada na sua dignidade e direitos, na sua vocação e na sua missão.

Nas pessoas e nas suas relações, nas suas ambiências, nas suas heranças patrimoniais, nas suas movimentações e nos seus legados refortalecidos, a preservar e a doar.
É o engenho que dos políticos se espera.
Sempre e também neste ciclo eleitoral.

3. As Instituições de Solidariedade não se alheiam deste ciclo eleitoral. São respostas de uma comunidade que não se demite e que assume as suas responsabilidades. As pessoas são os seus agentes e também são os seus destinatários. Fazem muito e são reconhecidas. Têm ideias e fazem opções. Cívicas e não partidárias, mas politicamente ajustadas. Dialogam, partilham e respeitam. Todos os Partidos e todos os Políticos.

E todas as Pessoas, porque são as Pessoas a razão da sua existência e do seu serviço.
Neste contexto, as Instituições Solidárias recordam que o momento presente exige grande atenção. Precisamente, a prestar às Pessoas.
Perante o desemprego crescente e a incerteza dos jovens em busca do primeiro emprego, perante as falências em série de pequenas e médias empresas comerciais, industriais e rurais e o acentuar do fosso entre os que têm muito (poucos) e os que têm pouco (muitos), perante a pobreza, as famílias, a migração, a marginalidade e a minoração da ética e dos valores, deve ser dada a prioridade às Pessoas. Para não dizer a exclusividade.

Colocar as Pessoas no centro das atenções e das concepções políticas é urgência e desafio. Cada uma e pela via da proximidade. Colectivamente e pela vida da solidariedade.
O tempo é de responsabilidade e de responsabilização.

*Presidente da CNIS

 

Data de introdução: 2009-05-05



















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