OPINIÃO

Ganância e especulação

As sucessivas crises dos sistemas financeiros e económicos que abalaram a próspera e rica Europa deixaram marcas de preocupação e descrédito, de falências de bancos, empresas e até famílias, tal é a dependência que os famigerados “sistemas sustentados na ganância de tubarões económicos e financeiros de gente sem escrúpulos” foi gerando, em cadeia, através da especulação e do “roubo em grande” praticado por legiões de pseudo-aristocratas de colarinho branco!

Portugal, não ficou imune a este autêntico sismo financeiro, apesar de não ter sido o país mais atingindo pela “explosão de produtos tóxicos do sub-prime e outros”, autênticas armadilhas de lucro fácil à custa da boa fé de gente honrada!

Mas a crise ainda por cá anda, agora em maré baixa, mas à espreita de melhores tempos para voltar a atacar. A ganância é pior que lobos esfomeados e insaciáveis!

Todos compreendemos que pessoas e empresas que trabalham com esforço, profissionalismo e competência, comercializando produtos que se afirmam pela sua capacidade competitiva nos mercados, produzam riqueza e acumulem lucros!

Portugal representa um estranho fenómeno de “desigualdades sociais” na repartição da riqueza criada, que tem sido recorrentemente denunciado, mas para o qual não temos conseguido formas alternativas de desenvolvimento económico e social, de uma outra economia capaz de inverter este ciclo de reprodução de desigualdades sociais!

E como um mal nunca vem só, nos últimos anos tem aparecido, como por geração espontânea, uma nova espécie de “novos ricos” que sem perceberem quase nada de coisa nenhuma, se vão encostando aos partidos e a empresas públicas, alimentadas pelos cofres do Estado, e depois travestidas por um habilidoso processo de gestão privada, passeando-se sem pudor em luxuosos carros e regalando-se com lautas mordomias, numa provocação perigosa ao bom povo que labuta de sol a sol, que tem de viver com baixos salários e entregar direitinhos, nos devidos prazos, os seus impostos, sob pena de apanhar com a mão pesada do fisco que, para a raia miúda, tem um anzol que não permite fuga!

Não vamos permitir que a nossa classe política, no Governo, na Assembleia de República, nas Administrações do Estado Central, Regional e Local, continue a assumir compromissos financeiros incompatíveis com a nossa situação económica e financeira, adjudicando mega/projectos para os quais não temos capacidade financeira e que constituirão um triste legado para as gerações futuras que verão hipotecado o seu direito a uma Pátria onde possam viver a sua cidadania com liberdade de opções por outros modelos de Desenvolvimento de Rosto Humano!

Pe. José Maia

 

Data de introdução: 2010-03-09



















editorial

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