ISCTE

Estudo revela as «famílias-sanduíche»

"Necessidades em Portugal: Tradição e Tendências Emergentes". Assim se chama um estudo da Tese - Associação para o Desenvolvimento, apresentado em Lisboa, que elaborou o conceito de "famílias-sanduíche". É uma noção utilizada para agregados que beneficiam de recursos acima do limiar para aceder a prestações sociais, mas que experimentam muitas dificuldades em conseguir responder às despesas comuns. Um quinto dos inquiridos tem dificuldades no pagamento das contas da casa, 12 por cento não tem dinheiro para comprar todos os medicamentos de que precisa. Para 21 por cento das famílias-sanduíche a capacidade para suportar despesas inesperadas é inexistente. Mas isto é o que sucede também com 21,5 por cento do total de agregados portugueses.

O estudo coordenado pelo Centro de Estudos Territoriais do ISCTE, em parceria com a Gulbenkian e o Instituto da Segurança Social, que revela como vivem as famílias portuguesas, apresenta as "famílias-sanduíche" como estando um degrau acima do limiar da pobreza. São quase um terço da população em trajectória social descendente. Não estão classificados oficialmente como pobres, a maioria ainda não perdeu o emprego, têm filhos a cargo e uma dificuldade comum em conseguir chegar ao fim do mês sem percalços de maior.

Os adultos que integram estes agregados ganham por mês entre 379 e 799 euros - estão por isso acima do limar da pobreza, uma linha que separa quem ganha mais ou menos do que 60 por cento do rendimento médio - e representam 31 por cento dos agregados residentes em Portugal. Outros 20,1 por cento estão classificados como pobres.

Segundo o jornal Público, para os investigadores, os casos observados confirmam a necessidade de se pôr fim aos regimes laborais que são propiciadores de pobreza - caso dos "falsos recibos verdes". Subscrevem também uma recomendação já feita pela Assembleia da República em 2008 com vista à "definição de um limiar de pobreza "em função do nível de rendimento nacional e das condições de vida padrão na nossa sociedade". A linha dos 60 por cento é uma medida europeia, com variações consoante o rendimento médio auferido pelas populações. Em Portugal, as pessoas em risco de pobreza vivem com cerca de 360 euros, na Dinamarca este limite situa-se nos 900 euros.

A taxa de pobreza é calculada já depois das transferências dos apoios sociais para as famílias. Sem estes, abrangeria 40 por cento da população em Portugal.
O presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, frisou que as pessoas estão mais descrentes nas suas capacidades e nas do país, sublinhando a necessidade de contrariar essa tendência. O responsável, que esteve na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, a assistir à apresentação do estudo "Necessidades em Portugal: Tradição e Tendências Emergentes", que indica que cerca de 20 por cento das famílias vivem abaixo do limiar da pobreza. "Essa não é uma realidade nova. O que há de novo é a noção de que as pessoas estão mais descrentes nas suas próprias capacidades e nas capacidades do país e é isso que temos de ser capazes de inverter ou contrariar".

Segundo o estudo cerca de 30 por cento das famílias vivem quase em pobreza, com rendimentos até 500 euros. "Essa ideia de que há 31 por cento de pessoas ou famílias que empobreceram e não têm protecção social não corresponde exactamente à realidade. Que é verdade que há hoje famílias que viram reduzidos os seus rendimentos, não há dúvida. Para quem manteve o seu emprego, as condições de vida não sofreram alterações significativas", acrescentou.
Ainda sobre esta matéria, Edmundo Martinho questionou se as pessoas fazem as escolhas certas no momento de consumir. Isto porque o estudo revela que os inquiridos sentiram dificuldades em pagar nos últimos 12 meses a renda da casa (21 por cento), a electricidade, água e gás (26 por cento) e a alimentação (20 por cento).

70% dos portugueses confiam pouco ou não confiam nas instituições de governo

Sete em cada dez portugueses (69,6 por cento) depositam pouca ou nenhuma confiança nas instituições de governo e pouco mais de 40 por cento têm a mesma opinião sobre o Serviço Nacional de Saúde, segundo o mesmo estudo do ISCTE.
Através de 1237 inquéritos, realizados em Novembro de 2008, as autoras concluem ainda que em relação à Saúde ou à Educação os portugueses depositam mais confiança no sector privado.
Relativamente à Segurança Social, quase seis em cada dez afirmam ter muita ou alguma confiança. Numa escala de zero a dez, a satisfação com o nível de instrução situa-se nos 6.6, mas 54 por cento dos inquiridos afirmam não se sentir preparados para usar um computador. Setenta e cinco por cento dizem não ter frequentado qualquer curso nos últimos três anos.
O estudo "Necessidades em Portugal: Tradição e Tendências Emergentes" foi coordenado por Isabel Guerra, Teresa Costa Pinto e Marta Martins.

 

Data de introdução: 2010-07-08



















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