CHAMA DA SOLIDARIEDADE

Centelha solidária atravessou o Algarve

Encabeçada pela fanfarra dos Bombeiros Voluntários e pelo rancho folclórico da ARPI – Associação dos Reformados, Pensionistas e Idosos locais, a Chama da Solidariedade chegou em clima de festa, ao início da tarde do dia 7 de Outubro, ao Jardim Manuel Bivar, em Faro, cidade que este ano acolheu a Festa da Solidariedade.
A acompanhar o facho, transportado por um indivíduo portador de deficiência física, Eugénio Lopes, utente da CASLAS, Macário Correia, presidente da Câmara Municipal, e Alexandra Gonçalves, vereadora da Acção Social, faziam as honras da casa na companhia de José Carreiro, presidente da URIPSS Algarve, estrutura que teve a seu cargo a organização do percurso da Chama desde que ela entrou em território algarvio.
No Jardim Manuel Bivar, a Chama foi entregue ao presidente da CNIS, padre Lino Maia, que, já no palco, fez a entrega ao edil farense, num acto carregado de simbolismo, e presenciado por diversas entidades como o Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, o comandante distrital da GNR e todos os elementos da Direcção da CNIS.
Perante o muito público presente e que rapidamente lotou a plateia fronteira ao palco, o padre Lino Maia acendeu a pira solidária, momento que deu início à VI Festa da Solidariedade e por terminado o percurso da Chama em 2012.
A Chama da Solidariedade chegara ao Algarve no dia anterior, logo pela manhã, mais concretamente a Chinicato, às portas de Lagos.
Para escoltar a Chama da Solidariedade ao longo do Algarve foram convocados diversos grupos de motards da região, que acederam com prontidão à chamada solidária da União Regional.

LAGOS FOI PONTO DE PARTIDA

De Chinicato, a Chama foi transportada por um motard do Moto Clube de Lagos, que encabeçava a coluna de mais de duas dezenas de motos que incluía ainda os Motards da Praia (da Luz), até à primeira cerimónia protocolar que aconteceu nos Paços de Concelho de Lagos. Após um pequeno percurso pedestre e uma actuação de jovens músicos locais, a Chama iniciou a sua viagem do Barlavento até ao Sotavento algarvio, percorrendo mais de uma centena de quilómetros e visitando diversas Instituições Particulares de Solidariedade Social.
A esta altura já o enublado e ameaçador céu algarvio exibiu o seu tão conhecido e apetecido Sol, o que não deixou de abrilhantar ainda mais a jornada.
«É a chama da unidade e da solidariedade», diz o refrão o hino da Chama da Solidariedade que ao fim de seis anos a percorrer o País chegou à sua região mais a Sul.
“São seis anos de Chama, que teve os seus momentos mais altos e outros nem tanto, mas a sua importância reside na mensagem que transmite”, referiu, ao Solidariedade, João Dias, presidente-adjunto da CNIS, que acrescentou: “De mão em mão, a Chama transmite a mensagem, especialmente nestes dias em que há mais necessidades, da importância do trabalho em rede, o que requer o envolvimento das instituições”.
Isso mesmo foi o que se assistiu no percurso em terras algarvias, com a extraordinária adesão das instituições, mas também da população das localidades que a Chama visitou.
A tarde iniciou-se com uma passagem por Portimão, com breves visitas a IPSS na Meixilhoeira Grande e em Alcalar, seguindo, então, sempre escoltada pelos mais de 20 motards, até Lagoa.

RECEPÇÃO EM LAGOA

Aí, na Nave da Fatacil, a Chama emprestou um brilho solidário às muitas dezenas de idosos que participavam na Semana Sénior de Lagoa. Na presença do autarca de Lagoa e de uma responsável do Centro Regional da Segurança Social, a Chama foi, uma vez mais, simbolicamente entregue ao edil, num gesto muito ovacionado pelos seniores presentes.
Engrossada por alguns motards de Lagoa, a caravana seguiu viagem até Silves, onde se realizou nova cerimónia protocolar.
Em bom ritmo, e sempre com a caravana motard a chamar a atenção, a Chama rumou a Loulé, fazendo passagens por Alte, Benafim e Salir.
Em todo o percurso de Lagos até Olhão, a adesão popular foi expressiva, apesar de ser menos numerosa do que noutras ocasiões.
“No Norte e Centro do País nota-se uma maior adesão das populações”, constatou Eduardo Mourinha, membro da Direcção da CNIS, que acompanhou a Chama desde Ulme, no distrito de Santarém, cuja capital acolheu em 2011 a Festa da Solidariedade. Mesmo assim, para este responsável da CNIS, ao longo da viagem da Chama “vê-se que as pessoas se sentem sensibilizadas para a Solidariedade”.
E se numas localidades havia mais pessoas do que noutras, em Olhão a adesão popular foi muito significativa. Sempre escoltada pelos motards, a Chama chegou a Olhão onde foi pelo presidente da Câmara local e o presidente da ACASO, uma das maiores IPSS do concelho olhanense. Com a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Olhão à cabeça e um grupo de escuteiros a abrirem o desfile, a Chama, acompanhada pelas entidades oficiais e por muitos populares, rumou ao Auditório Municipal, onde pernoitou.
Na sua missão de transmitir a mensagem da unidade e da solidariedade, a Chama uniu o Algarve de Lagos a Olhão em torno da solidariedade.
“Houve uma aceitação enorme por parte das instituições do Algarve”, sustentou com satisfação José Carreiro, que liderou a viagem da Chama desde Chinicato. “Foi um percurso feito sempre com grande alegria e sentiu-se que as pessoas, por onde a Chama passava, se sentiam sensibilizadas”, afirmou o presidente da URIPSS Algarve, que na derradeira etapa da Chama da Solidariedade contou com a escolta de um numeroso grupo de motards do Moto Convívio de Olhão, Grupo Motard da Restauração e ainda do Moto Clube de Faro.

DE SANTARÉM AO ALGARVE

Santarém, onde a Festa da Solidariedade decorreu em 2011 e cujo distrito viu passar a Chama e sentiu o seu calor solidário, foi o ponto de partida da jornada deste ano. Mais concretamente a instituição CASULME, em Ulme (Chamusca), donde partiu, no dia 3 de Outubro, com destino a Foz do Arrão, já no distrito de Portalegre, onde se deu a primeira transmissão. Seguiram-se Vale de Peso, Castelo de Vide, Portalegre, Vaiamonte e Campo Maior. Na véspera do dia em que se celebrou a Implantação da República, partiu de Campo Maior rumo a Terrugem, tendo, então, cruzado fronteiras, dando-se a entrega da Chama à UDIPSS Évora em Estremoz, prosseguindo, então, até à capital de distrito, onde aqueceu a noite antes da partida para o Algarve.

BACANA, A CADELA MOTARD

A participação dos motards na viagem da Chama da Solidariedade por terras algarvias foi um elemento muito interessante e que contribuiu decisivamente para a chamada de atenção dos menos avisados da passagem da mesma.
As numerosas motos que nos dois dias acompanharam a Chama já chamavam a atenção só por si, mas as habilidades, o ruído e a imponência de algumas máquinas emprestaram um elemento curioso à caravana encabeçada pela Chama.
É conhecido o código de honra que os motards têm entre si, algo que os faz entreajudarem-se em toda e qualquer situação. Como referiu, ao Solidariedade, Augusto Martins, presidente do Moto Convívio de Olhão, “este espírito que os motards têm entre si, também gostam de o alargar a outras situações e sempre que solicitados estão disponíveis para ajudar”.
Sendo esta uma acção de solidariedade, Augusto Martins defende que a resposta ao convite dirigido pela URIPSS Algarve só podia ser positiva, “porque os motards também gostam de ajudar”, para além de que desta forma também se “desmistifica um pouco o que é um motard”.
Se o ruído e as habilidades praticadas em cima das motos, para além dos próprios veículos, são elementos de enorme atracção para o público, houve um elemento da caravana que centrou mais as atenções de toda a gente que assistiu à passagem da caravana no dia 5 de Outubro.
Bacana é uma cadela cocker spaniel [na foto], de dois anos, que acompanhou o seu dono na viagem entre Lagoa e Olhão e que foi uma das grandes atracções à chegada aos diversos locais por onde a caravana da Chama passou e visitou.
A solidariedade entre espécies também ficou ali bem vincada, e a presença de Bacana foi mais um elemento atractivo de mais uma viagem realizada pela Chama da Solidariedade.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos) 

 

Data de introdução: 2012-10-12



















editorial

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Não há inqueritos válidos.

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