UDIPSS CASTELO BRANCO

Aposta na descentralização para uma maior união

O distrito de Castelo Branco é o quarto maior do País, com uma área de 6.675 quilómetros quadrados e uma população residente de 225.916 habitantes, segundo o Censos de 2011. Actualmente, as associadas da União Distrital de Castelo Branco são 92 IPSS, um número que tem crescido ao longo dos últimos anos, fruto de um trabalho de fundo levado a efeito pela actual Direcção, liderada por Maria de Lurdes Pombo, e que vai no segundo mandato.
A grande aposta dos dirigentes da União Distrital tem passado pela descentralização, com o propósito de manter as instituições, espalhadas pelas diversas localidades em actividade e cativar novas associadas, o que, segundo a presidente, tem sido um sucesso até ao momento.

SOLIDARIEDADE - Qual tem sido a grande acção da UDIPSS junto das instituições do distrito de Castelo Branco?

Mª Lurdes Pombo - A UDIPSS teve como prioridade a sua sustentabilidade e que neste momento está assegurada, tendo depois começado por prestar serviços às associadas. Já temos um jurista para que as nossas associadas possam ter um mais rápido apoio jurídico. Tem sido muito útil, porque as pequenas instituições não têm capacidade para ter apoio jurídico próprio, ao contrário das maiores, pelo que prestamos apoio jurídico e ainda apoio em questões laborais. Outra grande acção que temos realizado, e que vamos concluir em 2014, é a descentralização das reuniões de Direcção nas sedes de concelho, com a presença dos senhores presidentes de Câmara. Queremos envolver as nossas associadas e captar cada vez mais novas associadas para a nossa União, por isso começámos a fazer essas reuniões descentralizadas, em que as instituições desse concelho são convidadas, tal como o presidente da Câmara local. Isto tem sido um sucesso e a presença do autarca tem sido muito importante, porque tem levado à resolução de problemas, por vezes pequenas questões burocráticas, mas que acabam por ser questões muito importantes para as instituições. E nessas reuniões tem sido possível resolver muitas dessas questões.

Como caracteriza o Terceiro Sector no distrito de Castelo Branco?

É um sector extremamente importante, porque temos comunidades em que se não fossem as instituições não havia gente nova, pois apenas lá habitam os mais velhos. Para além disto, os únicos postos de trabalho que existem são os do Terceiro Sector. A maior parte das freguesias nas zonas mais interiores do distrito, junto à raia, nas freguesias do pinhal e nas áreas mais afastadas das cidades, as instituições, juntamente com as Juntas de Freguesia, são as únicas coisas que existem. Neste momento, todas as freguesias estão cobertas com, pelo menos, um equipamento social, uns com mais valências outros com menos, mas praticamente em todas as freguesias há um equipamento social. O Terceiro Sector é que faz mexer a pequena economia local, que gira em volta das IPSS.

Para além de todo o apoio social que presta?

Obviamente, pois se não fosse isso as pessoas estariam num puro abandono… Estamos numa região desertificada, com forte poder de emigração, onde os filhos e familiares não estão e restam simplesmente os idosos…

A terceira idade é a faixa etária que pesa mais na acção das IPSS do distrito?

Este é considerado um dos distritos mais idosos do País! É verdade que já há uma cobertura considerada satisfatória, mas também é verdade que este é um distrito bastante envelhecido. Com a esperança de vida a aumentar, os idosos vão sendo cada vez mais idosos, mas felizmente a assistência na saúde também tem melhorado. Fruto de um bom relacionamento com os Centros de Saúde, o que tem sido um factor de sucesso, temos conseguido prestar um apoio muito bom junto da população idosa.

Qual a resposta social a que as pessoas mais recorrem, o Serviço de Apoio Domiciliário ou o Lar Residencial?

Ora bem, as pessoas gostam muito da sua casa, mas nesta área temos que ver duas situações diferentes. Há idosos que têm condições em casa, e sabemos como é o clima por aqui, mas há muitos idosos que não têm essas condições necessárias nas suas habitações e, nessa altura, são eles próprios que recorrem ao lar. Temos idosos que são eles que fazem a opção pelo Lar e isso deixa-me satisfeita, porque a escolha é feita por opção e não por obrigação. E isto acontece muito por causa do isolamento. Vamos agora implementar o Lar de Noite, que até aqui não existia, e as pessoas que ainda gostam de ir à sua horta, espreitar a sua casa podem fazê-lo durante o dia, mas o facto de saberem que regressam a um local onde passam a noite e onde têm quem cuide delas é uma grande segurança para elas. Agora, em zonas isoladas as pessoas recorrem ao Lar porque têm medo. Nas cidades as pessoas procuram muito o Apoio Domiciliário, nas comunidades pequenas também o têm, mas por vezes quando a aldeia está muito despovoada, a escolha é mais pelo Lar.

Que mais projectos tem a UDIPSS em marcha ou em mente?

A prioridade é chegar a todas as IPSS. O nosso objectivo número um, e porque achamos que a informação é muito importante e o estar informado é uma vantagem, é trabalharmos para que todas as instituições sejam nossas associadas. Não pela quota, que também é importante, mas pelas vantagens que dá às próprias instituições. A UDIPSS pode ajudar e é a melhor forma de levar a informação a essas instituições, especialmente, as que estão mais distantes e são pequenas. Felizmente, podemos dizer que não temos desistências entre os associados, bem pelo contrário, temos crescido. Estamos a implementar o FAS3, mas, para além deste programa, já habitualmente fazemos formação junto das nossas associadas. E vamos dar prioridade à formação a nível do Código de Trabalho. Privilegiar e manter um canal interno de comunicação e recorrer a novos tipos de redes sociais na internet é outro objectivo do plano de acção. Por outro lado, vamos preparar, em 2014, as comemorações do Ano Internacional da Agricultura Familiar. Vamos apostar forte neste programa.

A disseminação da informação, num distrito tão grande e de localidades dispersas é fundamental?

Muitas vezes as instituições têm dificuldade em lidar com a informação. A CNIS envia muita e boa informação, mas, por vezes, as instituições perdem-se no meio dessa informação toda e nós estamos aqui para lhes facilitar a tarefa, direcionando-lhes a informação mais útil. A UDIPSS tem que ter um papel de muita proximidade com as instituições. É a grande vantagem da União Distrital, pois ela tem que ser a representação da CNIS no distrito, mas tem que ter a preocupação de fazer no distrito aquilo que a CNIS não pode, que é o tal serviço de proximidade, independentemente da grande quantidade e muito rica informação que vem da Confederação.

Nesse trabalho de proximidade é igualmente importante que as IPSS façam chegar à UDIPSS os seus problemas?

Numa terra do Interior a UDIPSS tem que estar sempre atenta e as instituições devem comunicarmos situações que tenham que ser resolvidas e que nós possamos interferir, situações que muitas vezes estão a outros níveis. As boas relações com as entidades oficiais faz com que as instituições sintam que a UDIPSS defende os seus interesses e ao interferirmos para aproximar as instituições pequenas e mais distantes dessas entidades, ao nível da saúde, da educação e da acção social e até com os Centros de Emprego e Formação Profissional estamos a ajudá-las a resolver problemas que de outra forma seria quase impossível e muito mais demorado.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2014-01-13



















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