CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DA CORRELHÃ, PONTE DE LIMA

Crescer não está nos planos futuros

No dia 11 de Fevereiro de 1988 nascia na freguesia da Correlhã, que ainda integra o perímetro urbano de Ponte de Lima, um Centro Social e Paroquial cujo enfoque inicial estava no apoio à infância, mais concretamente, com um ATL. Porém, com a chegada das AEC, tal como em muitas outras instituições, aquela resposta social acabou por fechar, sendo que, actualmente, a instituição limiana apenas desenvolve actividade no âmbito da terceira idade.
“No princípio ainda juntávamos gerações, mas agora temos uma instituição apenas virada para os idosos e também não pensamos em alterar a situação no futuro”, defende o padre José Vilar, que esteve na fundação do Centro e é seu presidente, acrescentando: “Já tivemos uma proposta da Câmara para abrir uma creche, com tudo pago a 100%, e em que apenas não tínhamos garantia de Acordo de Cooperação com a Segurança Social… E creio que não o teríamos, porque outros avançaram e não têm Acordo… No entanto, pelo número de instituições que há à volta e já com dificuldades devido à baixa natalidade, pareceu-nos que não seria de avançar”.
No entanto, o padre José Vilar confessa uma certa amargura: “Fiquei sempre com uma certa mágoa por não avançarmos na área da infância, porque olhamos sempre a instituição, não como uma resposta a necessidades que existem, mas como um projecto de vanguarda, no sentido de tentar abrir oportunidades que, porventura, ainda não existam. Aplaudo aqueles que avançam no sentido de que é preciso fomentar espaços, para que as respostas não surjam apenas para acudir a necessidades entretanto surgidas. Gostaria, realmente, de avançar antes, de modo que quando as circunstâncias começassem a pressionar já estejamos preparados. E foi o que aconteceu com a terceira idade”.
Apesar da aposta da Segurança Social ser mais no Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), para o padre José Vilar as vantagens dessa resposta social não são tão evidentes.
“O SAD mantém as pessoas em casa e ligadas às suas coisas, o que em teoria é bonito, mas até ao momento em que as pessoas conseguem ter autonomia. É que depois, quando nos vêm bater à porta, os idosos já não têm autonomia nenhuma. E, então, pedem para vir directamente para o Lar… O Centro de Dia é um espaço interessante, porque as pessoas estão acompanhadas durante o dia e à noite iam para as suas casas… Concretamente, em Ponte de Lima, a não ser na valência Lar, não temos listas de espera, ou seja, penso que a cobertura está garantida. E a nível das crianças também há uma série de instituições que conseguem cobrir as necessidades”, argumenta o líder da instituição.
Actualmente, em Estrutura Residencial para Idosos, o Centro Social e Paroquial da Correlhã acolhe 30 idosos (sendo que o Acordo é apenas para 22), em Centro de Dia tem uma frequência média de 15 utentes (com um Acordo para 30) e serve ainda 30 idosos em SAD.
“Em lar temos lista de espera e um pequeno número a mais do que o Acordo de Cooperação, porque esta é, de facto, a resposta que as pessoas mais procuram. Pena é que não haja a possibilidade de estabelecer um Acordo de Cooperação com números mais alargados, não apenas na nossa instituição, mas a nível geral. O que acontece é que para garantirmos um serviço mínimo de qualidade e com tudo aquilo que faz falta para o seu funcionamento sem Acordo as pessoas têm que comparticipar um valor muito elevado, que, apesar de tentarmos fazer o mínimo possível, é muito pesado e muitas pessoas não têm qualquer possibilidade de o pagar”, sustenta o padre José Vilar, explicando: “São pessoas com pensões muito baixas, sem rectaguarda familiar, sem economias e sem património… Mas não podemos ter 30 utentes cuja pensão é de 300 euros!”.
Neste momento, a maioria dos utentes é da periferia da Correlhã, porque “o Acordo de Cooperação foi feito assim, salvaguardando que a região de intervenção do Centro teria que ser mais alargada do que apenas a freguesia, estendendo-se para lá do concelho”.
O projecto do Centro Social nasceu de uma ideia global, em que se quis aliar a vertente religiosa e a de apoio social, uma vez que a paróquia estava carente de uma igreja, visto que a existente à altura datava do século XII.
Hoje, o Centro Social engloba um equipamento social e ainda uma igreja e áreas para actividades relacionadas, como a catequese e outras.
“Esta obra tem duas fases. A do Centro Social começou em 1988, a nível da estrutura, não física, mas no que toca à elaboração do projecto e dos estatutos. Mais tarde arrancou a obra que ficou concluída em 1991, começando logo a funcionar com o ATL. Depois tínhamos um projecto para edificar um complexo apenas, mas foi abandonado. Há uma distância de cerca de 20 anos entre as duas fases, sendo que esta última começou em 2003 e ficou pronta em 2008. O apoio à paróquia passou todo para esta nova parte, ficando a anterior exclusivamente para o apoio social”, conta o padre José Vilar, que esteve na génese de tudo, à excepção de um período de seis meses em que esteve destacado em Roma.
“Por despacho tínhamos 500 mil euros que foram para a diocese, mas ficou a promessa de, como era habitual na altura, o projecto entrar em PIDDAC… Porém, o Governo da altura caiu e ficámos sem apoio nenhum. Isto alcançou um custo de cerca de cinco milhões de euros e foi tudo pago por iniciativas da população, a não ser uma comparticipação da Câmara Municipal. De resto, apoios de entidades oficiais não tivemos nenhuns”, lamenta, acusando: “Desde que celebrámos o Acordo com a Segurança Social nunca houve um apoio para obras de adaptação ou outras. Tudo é feito à custa do Centro. Uma das fricções que temos com a Segurança Social, perante as exigências, é que não temos ali as condições legais exigidas, porque nunca houve uma comparticipação de 50, 60 ou 70%, como há habitualmente com este tipo de casas”.
Mesmo assim, o Centro Social da Correlhã está a realizar algumas obras de remodelação nos espaços do Lar, transferindo os serviços administrativos para outro local e, assim, criar “mais nove lugares em quatros”, obras cujo custo estimado é de “pouco mais de 100 mil euros”.
“Ficaremos com o mesmo número de pessoas, mas com melhores condições, porque o resto foi tudo adaptado de quartos particulares, salas, etc. E não estamos a pensar crescer muito mais porque para o meio é suficiente”, sustenta o padre José Vilar, que aponta como maior dificuldade do Centro a falta de folga financeira, recordando um obstáculo passado e mal explicado: “Tivemos um projecto, com o qual concorremos ao PARES, em que iríamos criar 50 lugares, com determinado número para deficientes, etc., e que na altura custaria pouco mais de um milhão de euros… Mas fomos preteridos face a outras instituições e, mais tarde, veio a saber-se que não foi pelos motivos aduzidos de que o projecto não condizia, mas porque houve intervenções externas e a verdade é que um desses equipamentos está pronto há dois anos e não funciona”.
Outra dificuldade que o presidente do Centro identifica é a nível do pessoal, uma vez que as exigências do serviço são cada vez maiores e mais específicas, não estando os funcionários preparados para tal.
“Como costumo dizer, estas instituições começam como lares e passam a hospitais ou a cuidados continuados ou intensivos… E sentimos a necessidade de pessoal técnico, mas que implica outros valores financeiros. Por vezes a situação de certas pessoas, que ficam acamadas e com um conjunto de doenças que exigem outros cuidados, não é para pessoas que entraram como ajudantes de lar e que não tem essas competências”.
Por outro lado, para o padre Vilar, “fazer uma grande família com esta gente toda” é a grande virtude da instituição.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2014-04-28



















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