INTEGRADO NO PROGRAMA AVEIRO DIGITAL

Banco de Solidariedade Social nasce em Aveiro

No passado dia 20 de Dezembro, no anfiteatro do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro, decorreu a sessão pública da assinatura de 32 novos projectos integrados no Programa Aveiro Digital, ligado à AMRia (Associação dos Municípios da Ria), que abrange 11 concelhos. 

Estes 32 projectos, que envolvem 3,74 milhões de euros, elevam para 78 a totalidade dos que formam a rede, no valor global de 22 milhões de euros. E na execução do Programa Aveiro Digital, que decorrerá até 2006, estão envolvidas 223 entidades e 599 cidadãos, estando ainda prevista a formação de 19 895 pessoas e a entrega de mais de 24 mil certificações em competências básicas, ao nível das tecnologias de informação e comunicação. 

Os projectos agora aprovados e implementados contemplam áreas tão diversificadas como informação e formação, cultura e lazer, saúde, educação e apoio domiciliário, inclusão e solidariedade social, mas também abrange o tecido empresarial. 

Do conjunto dos novos projectos há um que destacamos, pela sua importância directamente relacionada com as IPSS. Trata-se do BUSS (Banco Único de Solidariedade Social), consórcio constituído pela Associação Betel, Cáritas Diocesana de Aveiro, Delegação aveirense da Cruz Vermelha Portuguesa, Obra da Providência, Centro Social Paroquial de Nossas Senhora de Fátima, Corpo Nacional de Escutas (CNE), Rádio Terra Nova e empresa Senso Comum. 
Estas instituições estão fortemente empenhadas nos problemas sociais e culturais, entre outros, relacionados com as comunidades em que se inserem, nomeadamente Vagos, Aveiro (diocese e cidade), Gafanha da Nazaré, Nossa Senhora de Fátima e regiões circunvizinhas da capital do distrito. 

Tiago Lagarto e Padre Manuel AugustoO BUSS nasceu de uma união de esforços e de ideias comuns e tem a pretensão de aumentar a capacidade de intervenção das instituições, para que possam servir melhor as comunidades. Quer ainda disponibilizar ao cidadão normal e eventual utente a informação e as ferramentas necessárias para os ajudar. 

Tiago Lagarto, representante do CNE, lembrou ao SOLIDARIEDADE que este projecto teve como objectivo aproveitar a área social do Programa Aveiro Digital, porque, no primeiro grupo de candidaturas, este sector ficou muito aquém do esperado, talvez por desconhecimento ou desinteresse das instituições. Reconheceu, por isso, que se torna importante "estimular as IPSS a procurarem novas formas para darem mais visibilidade ao seu trabalho e para chegarem mais depressa e com mais eficácia aos eventuais utentes e comunidades envolventes". 

Sublinhou que o BUSS é, no fundo, um Portal de Solidariedade, "uma espécie de Loja Social do Cidadão", tendo frisado que uma das apostas é criar uma base sólida de divulgação, alargando-se a todos os parceiros possíveis, privados ou estatais, sempre com o objectivo de servir com garantida eficiência, sobretudo os mais carentes.

Para o padre Manuel Augusto de Oliveira, director do Centro Social Paroquial Nossa Senhora de Fátima, do arciprestado de Aveiro, este consórcio vai proporcionar "uma certa interactividade entre as instituições que fazem parte do projecto e outros grupos sociais, empresas e pessoas individuais", fazendo com que a informação possa circular melhor e com mais qualidade, "no sentido de minimizar alguns problemas de carácter social". Garantiu que o BUSS vai ser estimulante para as instituições, pois passam a utilizar um meio de comunicação que é hoje já muito comum, ao mesmo tempo que o colocam ao serviço dos seus objectivos. Disse ainda que, por esta forma, a informação circula com mais rapidez, característica esta que "é uma imposição dos novos tempos" e uma mais-valia para o desenvolvimento da solidariedade social. 

Concretamente, "as instituições envolvidas neste consórcio podem e devem informar o que têm para oferecer e até aquilo que desejam receber, alimentando-se, assim, a troca de bens e serviços, em verdadeiro espírito de partilha fraterna". 

O padre Manuel Augusto sublinhou, ainda, que "há pessoas e empresas que, muitas vezes, podem canalizar alguns dos seus recursos para as IPSS, sendo certo que, frequentemente, os dirigem para pessoas e instituições longe da sua área geográfica, porque não conhecem as carências que existem ao pé da porta". 

Este projecto vai apostar grandemente em aproximar toda a gente "numa rede de parcerias", com a finalidade de "minorar os problemas sociais e optimizar a informação, numa aposta não só de dar o pão a quem precisa, mas também de prevenir, para que o pão não falte".

O Portal de Solidariedade Social assume que a Internet deixou de ser um privilégio de alguns, tornando-se num meio de comunicação aberto a todos, para uma informação em tempo útil, quando bem utilizada. Nessa linha, o BUSS vai tirar partido desta evolução tecnológica, divulgando actividades, promovendo campanhas e valorizando iniciativas relacionadas com a solidariedade e com a troca de experiências, contribuindo para a interligação entre o cidadão, enquanto pessoa individual, e as associações, empresas e comunidades.






 

Data de introdução: 2005-01-26



















editorial

IDENTIDADE E AUTONOMIA DAS IPSS

As IPSS constituem corpos intermédios na organização social, integram a economia social e são autónomas e independentes do Estado por determinação constitucional.

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Eleições Europeias são muito importantes
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu foi escandaloso o nível de abstenção. O mesmo tem vindo a acontecer nos passados atos eleitorais europeus

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Habitação duradoura – a resposta que falta aos sem abrigo
As pessoas em situação de sem-abrigo na Europa, em 2023 serão cerca de 900 mil, segundo a estimativa da FEANTSA (Federação Europeia das Associações...