CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL PADRE ÂNGELO FERREIRA PINTO, MATOSINHOS

Novo lar quase pronto a entrar em funcionamento

O ano em que o Centro Social e Paroquial Padre Ângelo Ferreira Pinto, sedeado na, até há pouco, freguesia de Perafita, em Matosinhos, celebra 37 anos de existência iniciou-se com a inauguração do seu mais recente equipamento social, uma ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos), que o presidente da instituição quer ver entrar em funcionamento, “de uma forma gradual”, ainda durante o primeiro semestre de 2015.
“A casa está pronta, tem todos os equipamentos e temos já uma pré-lista de pessoas com intenção para virem para o lar, que no momento já excede a capacidade de 60 camas”, começa por dizer o padre Luís Mateus, pároco de Perafita e presidente da instituição, revelando que houve um esforço para que a inauguração e a bênção do edifício fosse feita no dia 17 de janeiro por ser a data de aniversário da instituição.
Decorrem ainda as obrigatórias e necessárias vistorias e fiscalizações, correndo já na Segurança Social o processo para assinatura do futuro Acordo de Cooperação para a nova valência.
O novo equipamento resulta de uma candidatura apoiada pela Câmara Municipal de Matosinhos aos fundos do POPH, e teve um custo total de 2,3 milhões de euros, cofinanciado em 1,4 milhões de euros pelo POPH e em 482 mil euros pela Câmara Municipal de Matosinhos.
Há 18 anos à frente da instituição, o padre Luís Mateus refere que, desde o momento que assumiu os destinos da paróquia e da instituição percebeu que a “instituição queria alargar os seus serviços na área sénior”, sendo que a falta de vagas em Lar ser uma necessidade há muito identificada no concelho.
“A CLAS de Matosinhos sempre reconheceu que o concelho é muito necessitado em resposta de lar. Dentro deste POPH, que acolhia projetos para a área sénior e deficiência, Matosinhos teve 11 candidaturas, três ficaram pelo caminho, mas oito foram implementados. Para a CLAS isto é uma resposta às necessidades”, argumenta, indicando que a instituição já se está a preparar para abraçar esta nova valência, tendo já em andamento um processo de formação de pessoal, em parceria com o IEFP. Algumas pessoas frequentam uma formação em geriatria e desse lote serão escolhidos alguns dos 20 novos colaboradores da instituição, número que o padre Luís Mateus estima ser necessário para que a nova estrutura possa funcionar.
“O ano de 2014 foi importante para a conclusão da obra, mas também aquele em que fomos, aos poucos, fazendo triagens e formação para, a partir de abril, estarmos preparados em termos de recursos humanos para abrir o lar”, explica.
Fundamental para um bom funcionamento do novo lar é a assinatura de um Acordo de Cooperação com a Segurança Social.
“O processo para estabelecer acordo de cooperação já está a correr na Segurança Social, o que no início dos POPH estava fechado. No entanto, penso que não podia ser assim, pois estamos na área social e não se permite ou se faz um investimento tão grande para depois o entregar a uma gestão particular”, sublinha o pároco, ressalvando que o referido protocolo é fundamental para que a instituição prossiga a sua missão: “Temos condições para funcionar sem o Acordo, mas com muito cuidado. Sem o Acordo de Cooperação não conseguimos responder socialmente, porque o custo do utente anda muito próximo dos 1000 euros e não tendo outros suportes a situação fica complicada. A instituição não pode perder a sua capacidade de ser solidária e sabemos que há muita dificuldade por parte das famílias”.
No sentido de assegurar a sustentabilidade da nova valência, a instituição tomou “alguns cuidados”: “Um foi, neste tempo de obra, em dotarmos a estrutura a construir, mas também cuidando da que já existe, daquilo que seja a diminuição de custos, como a questão energética, ou dos gastos de água. E andamos a pensar nas parcerias aqui à volta, com as empresas e não só, onde possamos ir buscar mais alguma coisa, que não nos retire a capacidade de fazer o social. Não tendo acordo seria muito mais difícil. Com acordo não quer dizer que seja fácil, mas permite fazer um trabalho mais social”.
Nesse sentido, para o padre Luís Mateus a sustentabilidade da instituição não estará em causa, uma vez que foi feita “uma gestão de todo o processo muito calculada e pensada”.
E se os apoios rondaram os 1,8 milhões de euros, do bolo total de 2,3 milhões de euros que a obra custou, pouco mais de 400 mil euros ficaram a cargo da instituição.
“Recorremos muito a amigos, que nos permitiram constituir um balão de oxigénio”, começou por dizer o padre Luís Mateus, acrescentando: “A Fábrica da Igreja que está no suporte disto tinha alguma verba, fomos fazendo angariações de fundos, através das quais conseguimos 127 mil euros, e muitos amigos foram dando também algum dinheiro. Inicialmente conseguimos juntar pouco mais de 500 mil euros que nos permitiram ir gerindo isto, porque nos primeiros oito meses não recebemos dinheiro nenhum do Estado e a obra não parou. Foi uma gestão que correu muito bem. Fizemos aquilo que a CNIS trabalhou e proporcionou às instituições, que foi a linha de crédito bonificada com o Montepio e isso foi-nos permitindo nunca parar a obra. Neste momento ainda temos quase 400 mil euros para receber. Acertando contas e pagando a quem nos emprestou dinheiro, no final deveremos ficar com cerca de 100, 150 mil euros para irmos diluindo isto”.
Muito disto apenas foi possível porque, como sustenta o presidente da instituição, esta tem “uma relação próxima com a comunidade quer a nível das famílias dos utentes, quer da comunidade em termos de freguesia, que andará na ordem dos 15 mil habitantes, agora mais alargada porque se uniu às freguesias de Lavra e de Santa Cruz do Bispo”.
O novo lar do Centro Social e Paroquial Padre Ângelo Ferreira Pinto vem colmatar mais uma necessidade da população sénior da antiga freguesia de Perafita, onde, à semelhança do resto do país, o número dos mais velhos tem crescido. Por isso, não é de estranhar a grande procura pelas respostas sociais para a terceira idade.
“Tem havido uma maior procura e há aqui um dado que me parece interessante que tem que ver com a reforma das pessoas. Ao reformar-se, as pessoas procuram mais o Centro de Convívio, porque desenvolvemos muitas atividades que vão mantendo próximo e trazendo para a instituição um conjunto de pessoas que vêm para cá ou que são benfeitores. Na área sénior não tem sido difícil manter as pessoas por aqui”, refere o padre Luís Mateus, que traça um superficial retrato da população que a instituição serve: “São pessoas com dificuldades. O meio aqui não é muito privilegiado em termos económicos. A freguesia tem gente com bastantes posses, mas é pouca. Pelos cálculos das mensalidades vemos que não são muito privilegiadas. A questão é a necessidade, porque hoje o ritmo da família não lhe permite estar durante o dia com… Isto aqui é muito dormitório, gente que vem de fora, há aqui muita gente de Baião, Amarante, Penafiel, que há umas décadas vieram para trabalhar, fundamentalmente na Longa Vida e na Galp, e agora têm 60, 70 anos. E os filhos têm as suas vidas e não podem estar com eles. Com o tempo fomos melhorando os serviços e, apesar de os estatutos o preverem, a instituição não faz Apoio Domiciliário, porque há outra instituição que o faz e faz muito bem”.
No seu arranque, em 1988, o então denominado Centro Social e Paroquial de Perafita começou com as valências de Centro de Dia e Centro de Convívio e uma primeira resposta na área da infância, com um CATL.
“O edifício da infância estava já a ser construído e no ano letivo a seguir começou a funcionar com a creche e o jardim-de-infância, passando o ATL para lá também. As salas onde funcionava o ATL ficaram para a catequese”, conta o padre Luís Mateus, explicando: “Os estatutos do Centro Social foram trabalhados para o serviço às áreas sénior e da infância e os Acordos de Cooperação foram logo trabalhados com a Segurança Social. O Centro de Dia para 30 utentes, o Centro de Convívio para 20, a Creche, inicialmente, para 35, o jardim-de-infância para 75 crianças (três salas) e o ATL para 50”.
Hoje o CATL já não funciona e, aquando da decisão de o encerrar, a instituição tomou uma decisão: “Suspendemos o Acordo de Cooperação e trabalhámos com a Segurança Social em procura de uma nova creche, pois na altura tínhamos sempre crianças que ficavam em lista de espera”.
Assim, hoje a instituição tem Acordo de Cooperação para duas creches (35+28) e continua com 75 crianças protocolizadas em jardim-de-infância.
“Como as creches beneficiaram da majoração há coisa de três, quatro anos e temos espaço para tal, podemos ir até 41 em uma e 35 na outra”, refere, ao mesmo tempo que realça uma dificuldade que tem vindo a verificar-se: “Neste momento temos uma creche cheia, mas a outra não e não exercemos a majoração. Isto acontece porque vai havendo menos crianças”.
E se na área dos mais velhos a procura é crescente, na área de infância as coisas passam-se em sentido contrário. E também aqui não é apenas o problema demográfico do País que levanta problemas.
“Temos sentido que vai havendo menos procura e até no pré-escolar, porque há aqui um Centro Escolar a 200 metros. Por isso, deixámos de funcionar com salas fixas e optámos pelas salas mistas, porque aos 5 anos temos menos do que os 25 necessários”, lamenta o presidente da instituição, frisando: “Há já dois anos que os nossos inícios de ano letivo são sempre mais preocupantes. Aqui há uns anos, as pessoas vinham dormir à porta na altura das inscrições. Temos um muito bom serviço, mas há menos crianças e a situação económica das famílias não é a mais favorável”.
A este propósito, o padre Luís Mateus afirma: “Nunca tanto como nestes últimos anos letivos temos tido necessidade de, ao longo do ano, revermos as comparticipações das famílias. Este ano tomámos a medida de baixar o nosso teto máximo, tornando-o um pouco mais acessível, porque temos sempre que fazer contas à vida. A sustentabilidade da instituição vai-nos preocupando, pois há menos crianças, e vamos sofrendo um pouco por aí. Os mesmos serviços, com um maior esforço da instituição, mas se não tivermos crianças temos vários prejuízos. Desde logo o valor dos Acordos de Cooperação a Segurança Social vem-no buscar, não temos a comparticipação familiar e a variação de algumas crianças não possibilita o fecho de uma sala”.
Nos dias que correm a instituição tem um corpo de 33 funcionários para servir as quatro valências, sendo que a creche é a única que não está completa.
Depois de erguido o grande projeto dos últimos anos, a construção do lar de idosos, não há intenção de construir novos equipamentos, mas, para o padre Luís Mateus, há outro grande projeto em marcha: “Este tipo de instituições e até pelo serviço que faz permite despertar determinados valores e sensibilidades às pessoas e, por isso, temos o projeto de envolver a comunidade no sentido de participar e ter alguma intervenção na vida da instituição para ajudar a despertar esta malta mais nova que passa muito tempo em frente a ecrãs. Por outro lado, a sustentabilidade da instituição exige-nos que sejamos sempre muito inovadores”.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2015-03-23



















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