JOSÉ CARLOS BATALHA, PRESIDENTE DA UDIPSS LISBOA

É crucial testar utentes e trabalhadores mas os testes nunca mais chegam

Idosos e funcionários de muitas IPSS do distrito de Lisboa ainda não fizeram testes de despistagem à Covid-19 e a falta de equipamento de proteção é dramática, alertou o presidente da União Distrital das IPSS (UDIPSS) de Lisboa.
José Carlos Batalha relatou que a sua instituição na Azambuja, o Centro Paroquial e Social, foi contactada há cerca de uma semana pelo centro de saúde local com questões sobre o número de utentes e funcionários, mas até ao momento não tiveram qualquer outra informação. "Rigorosamente nada", disse.
"O feedback que tenho das instituições do distrito de Lisboa é muito semelhante: têm sido muitos os dirigentes das instituições que dizem que têm ouvido na comunicação social que os testes vão começar para Lisboa e que já ouviram isso há algum tempo. O que é verdade é que, na prática, eles ainda não receberam testes absolutamente nenhuns e também equipamentos de proteção individual a mesma coisa, não têm", afirmou.
E, acrescentou, mesmo que as instituições tentem comprar equipamentos de proteção individual (EPI), não conseguem, porque "os preços do mercado estão absolutamente proibitivos", sobretudo das máscaras.
"Temos tido pedidos dramáticos de instituições, que nos dizem já não ter material nenhum e como é que vão fazer”, sustentou o dirigente.
A solução de último recurso tem sido as instituições fazerem as suas próprias máscaras.
"Estamos a pôr os nossos idosos, como atividade, no próprio lar, a fazer máscaras de pano que vamos usando, porque efetivamente não há", contou, admitindo que funcionários já se recusaram a fazer serviços de apoio domiciliário ou nos lares porque não têm máscaras.
"E nós, enquanto dirigentes das instituições, não podemos, nem devemos deixar que os nossos funcionários façam isto sem estarem protegidos. Está a ser um problema muito sério em todas as instituições", sublinhou.
Ainda em relação à situação dos funcionários, José Carlos Batalha alertou que as pessoas continuam a ir para casa, a entrar e sair das instituições e, "mesmo tomando todas as precauções", existem sempre riscos.
Como exemplo, o presidente da UDIPSS Lisboa contou que na sua instituição na Azambuja foi criada uma "zona de descontaminação", onde os funcionários mudam de roupa, tomam banho e medem a temperatura.
Contudo, disse, é um lar com 30 camas, onde todos os dias as equipas entram e saem e, "mesmo tomando todas as precauções", há sempre risco.
Por isso, do ponto de vista da prevenção, "era fundamental" que se fizessem testes de despistagem não só aos utentes, como aos funcionários das instituições, que são "extraordinários" e um "fantástico apoio" aos utentes.
José Carlos Batalha deixou ainda um alerta sobre o futuro, lembrando que, já num passado muito recente, as instituições de solidariedade social "foram a grande almofada social do país".
"Avizinha-se um período difícil e o que nós pedimos também ao Estado é que não deixe cair as instituições de solidariedade social, todo o apoio que o Estado nos dê é absolutamente fundamental, pois precisamos do apoio para prevenir, precisamos do apoio para manter a situação, para nos mantermos no terreno e para, sobretudo, podermos garantir o apoio futuro, para o futuro que aí vem", disse.
Um futuro que é também "já um futuro presente": "É neste presente histórico que era preciso que olhassem para as IPSS, para as misericórdias e para todos os que estão ao serviço das comunidades neste serviço de bem fazer. Precisamos de fazer este bem, mas bem feito e para isso precisamos de ter os recursos", insistiu.

(com Lusa)

 

Data de introdução: 2020-04-08



















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