TIAGO ABALROADO, PRESIDENTE DA UDIPSS ÉVORA

Situação pandémica no Alentejo preocupa mas instituições estão empenhadas no combate

Passou a primeira fase da pandemia quase incólume. Poucos casos, muito tempo sem registar qualquer falecimento devido à Covid-19 e uma imagem de que lá é que se estava bem. Porém, quando em quase todo o país a situação parece estar a melhorar decisivamente, o Alentejo surge como uma das regiões com surtos ativos, estando inclusive uma IPSS no seu epicentro.
Em conversa com o SOLIDARIEDADE, Tiago Abalroado, presidente da União Distrital das IPSS de Évora, uma das estruturas intermédias da CNIS na região alentejana, traçou o retrato da situação, relevando o empenho e colaboração das instituições sociais no combate à pandemia e no esforço dedicado de todos os dirigentes, trabalhadores e voluntários das IPSS da região.

SOLIDARIEDADE - Depois de na fase mais aguda da pandemia o Alentejo ter passado por entre os pingos da chuva, digamos, a situação agora parece mais complicada. Que retrato se pode fazer da situação atual?
Tiago Abalroado
- A situação no Alentejo, e em particular no distrito de Évora, complicou-se um pouco nas últimas duas semanas em virtude do surgimento de um foco de propagação numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) em Reguengos de Monsaraz. À data de hoje [dia 5 de julho], só neste concelho verificam-se 141 casos de Covid-19 ativos, dos quais 91 correspondem a pessoas dessa ERPI (22 trabalhadores e 69 utentes), tendo já ocorrido 11 óbitos (1 trabalhadora e 10 utentes).

Esse é um panorama preocupante?
Sim, estamos perante um cenário que nos preocupa bastante, sobretudo, por se tratar de uma IPSS filiada na CNIS por meio da UDIPSS Évora e por termos consciência do forte impacto que a infeção pode ter sobre os mais idosos. Importa ainda assinalar o aparecimento e o agudizar, ainda que de forma menos expressiva, de outros focos comunitários em diferentes concelhos do distrito e do Alentejo que, de acordo com a informação que dispomos, se encontram controlados.

Como tem sido a articulação com as autoridades de Saúde?
A articulação com as autoridades de saúde tem decorrido de forma muito colaborante. O facto de estarmos perante uma única situação com estas características na região tem permitido que as diferentes instâncias de apoio se centrem quase exclusivamente na sua mitigação e monitorização, sendo de realçar e de louvar o grande esforço desenvolvido por todos na contenção dos efeitos e da propagação da doença.

Que medidas foram, entretanto, tomadas para tentar mitigar a evolução da pandemia nesta fase na região?
No âmbito comunitário, tem havido uma grande aposta na sensibilização das populações para a adoção e reforço de comportamentos preventivos, tendo por base as recomendações da Direção-Geral da Saúde para os vários contextos sociais. No caso específico da IPSS de Reguengos de Monsaraz, houve necessidade de solicitar apoio externo, quer das forças de segurança quer de voluntários, por forma a ser possível assegurar com toda a segurança a prestação dos serviços. Recentemente procedeu-se à transferência dos utentes infetados para um local único e externo ao lar com vista a conseguir maximizar-se a sua proteção e bem-estar e proceder à necessária higienização/desinfeção dos espaços da estrutura residencial para que esta os possa novamente acolher à medida que vão testando negativo.

Como tem sido a resposta das IPSS alentejanas a este novo desafio?
As IPSS do Alentejo estão muito empenhadas no combate à pandemia e em evitar que esta possa atingir os utentes que têm a seu cargo. Posso afirmar que, se houve algum aspeto positivo associado ao cenário de pandemia, foi, sem dúvida, o reforço da unidade entre todas as instituições sociais da região e o desenvolvimento de efetivos mecanismos de concertação e de colaboração. A título de exemplo, posso indicar que da última reunião online que realizámos, no passado dia 26 de Junho, duas das iniciativas que emergiram como fulcrais para enfrentarmos conjuntamente os efeitos da Covid-19 foi a criação de uma central de negociação coletiva de equipamento de proteção individual para IPSS, que já estamos a preparar, e a constituição de equipas partilhadas de apoio psicológico e à saúde mental dos utentes. Há que salientar o incansável esforço dos profissionais, dirigentes e também dos voluntários destas organizações que, desde o primeiro momento, arregaçaram as mangas revelando um espírito de serviço e de missão singulares, sinal da verdadeira essência do Sector Social e Solidário em Portugal.

 

Data de introdução: 2020-07-09



















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