JUNHO 2025

Comunicar é tornar comum

A partilha de informação remonta à origem latina de comunicar, que também apela à participação, sendo a comunicação um processo de tornar comum algo entre as pessoas, a troca de experiências e de informações, criando algo que todos possam partilhar. É também um vetor de união, de pertença de todos. Do latim “communicare”, a palavra comunicar acaba por traduzir-se no dividir alguma coisa com outrem.

Por esse significado, o Jornal Solidariedade é uma forma de “communicare”, um processo de chegar à nossa família institucional, a todos os que concorrem igualmente para o bem dos outros, que as Instituições de Solidariedade apoiam e cuidam.

Mas hoje os processos de comunicação tornaram-se muito rápidos, com ferramentas tecnológicas que permitem no momento estar a par de tudo ou quase tudo, em qualquer parte. E que trouxeram igualmente o aparecimento de novos riscos, como as falsas notícias, a calúnia fácil ou o aproveitamento abusivo de imagem. A comunicação é utilizada para difundir informação, mas também para dividir, criar conflitos, influenciar para o bem e para o mal. Ultrapassou a tradução da liberdade de expressão, para se tornar uma arma de expressão. E tornou-se igualmente mais exigente, requerendo adaptações e múltiplas visões da realidade, de forma a ser mais bem entendida e compreendida essa mesma realidade.

Também a própria comunicação tem que ter suportes financeiros, que permitam a sustentabilidade, a independência de pensamento, no fundo, a liberdade de comunicar e de partilhar, mas olhando igualmente para a relação custo/benefício.

Torna-se, pois, necessário acompanhar o tempo, sem deixar que esse tempo se mantenha um tempo saudável e construtivo. Para tudo isto, é necessária mão e palavra humana, bens escassos nos dias de hoje, de que nos queixamos todos em todos os sectores, pese embora a disponibilidade crescente de conhecimento que urge cada vez mais partilhar em tempo.

É assim que a CNIS decidiu olhar a fundo os seus processos de comunicação e proceder à incorporação de um olhar crítico de melhoria positiva de acompanhamento e segurança dos seus diversos canais de expressão social e institucional.

Para tal, todos os contributos são bem-vindos, com uma mensagem especial de pedido de colaboração e de visibilidade da palavra feminina, aliás a maior participação de trabalhadores nas IPSS.

Estas incumbências dizem respeito a todos, para cumprir a motivação da esperança, promover o sentimento de pertença e aprofundar o conhecimento do que as Instituições Particulares de Solidariedade Social são e relevar os contributos de todos os que nelas participam.

Um processo que se quer participativo, livre, mas também cada vez mais responsável. Se comunicar é tornar comum, é partilhar, é levar a todos o que todos criam, e tornar mais visível e partilhável o conhecimento do Sector, então só há uma forma de unir e ver. Participar

 

Maria João Quintela
Vogal da Direção da CNIS

 

Data de introdução: 2025-06-12



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

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