APOIO – ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL, OEIRAS

Para serviços de excelência é necessário ter funcionários felizes

Nasceu no ano de 1988, em Algés, concelho de Oeiras, onde ainda hoje a Apoio - Associação de Solidariedade Social tem a sua sede.
“Foi em Algés que a Associação iniciou atividade, com um Centro de Convívio, mas que, após estabelecer acordos de cooperação com a Segurança Social, passou a ter um Centro de Dia e, depois, alguns serviços de apoio domiciliário”, recorda João Corage, presidente da Apoio, lembrando ainda que “o início teve várias peripécias” e que a instituição acabou por ficar cerca de seis, sete anos a funcionar na sede em Algés.
“Entretanto, a Câmara Municipal de Oeiras (CMO) construiu um equipamento no Bairro da Outurela, em Carnaxide, e convidou-nos a abrir um Centro de Dia, que é onde atualmente funciona a nossa Creche Ninho de Cegonha. Na altura era o conceito de Centro Comunitário, pois tinha um ATL e um Centro de Dia”, conta o líder da instituição.
Como, entretanto, houve uma alteração legislativa em relação aos CATL, a Apoio, fruto de uma candidatura ao PARES, transformou o CATL em creche, no ano de 2009.
Uns anos antes, a Associação concorreu ao programa televisivo «Querido a mudei a casa» e a sede de Algés foi alvo de obras. “Nessa altura, os idosos que frequentavam ali o Centro de Dia vieram para Carnaxide, porque já estávamos nestas instalações atuais desde 2008. Aqui também já estavam os idosos do Bairro da Outurela. Ou seja, o Centro de Dia ficou aqui todo concentrado”, explica João Corage, que revela a nova funcionalidade da sede em Algés: “Findas as obras na sede, constatámos que o espaço não tinha condições para receber um Centro de Dia e, então, criámos o conceito do Fórum-Apoio. É um espaço onde fazemos formações para trabalhadores e famílias dos utentes, diversas atividades culturais, como o Clube de Leitura ou as Tardes de Poesia, o Café Memória de Oeiras, em parceria com a Câmara, a Associação Alzheimer e o Rotary Club de Algés e ainda algumas conferências e sessões de esclarecimento, sendo que se mantém como sede”.
No sentido de rentabilizar ainda mais o espaço, a Apoio está a desenvolver um protocolo com a Associação Alegria de Viver, sedeada em Belém, para ceder o espaço algumas tardes para um “projeto social conjunto para a terceira idade”.
Estando a sede em Algés, o ‘braço-armado’ da instituição está em Carnaxide, onde a CMO construiu um equipamento social, em 2007.
“Quando fomos convidados pela Câmara Municipal de Oeiras para ocuparmos este rés-do-chão, ficou logo estabelecido que a Residência Madre Maria Clara teria duas valências: a de Centro de Dia, gerida pela Apoio; e a unidade residencial sénior, para pessoas autónomas, gerida pela autarquia”, explica, lembrando o papel essencial que a instituição tem, nos dias que correm, no apoio aos residentes: “Quando o edifício foi posto ao serviço da população, os idosos que para cá vieram eram todos autónomos. No entanto, com o decorrer dos anos, as pessoas foram perdendo capacidades e, hoje em dia, a unidade residencial, sendo gerida fisicamente pela Câmara, socialmente têm uma relação umbilical com a Apoio, porque há residentes que são nossos utentes de Centro de Dia e há outros que também são do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD)”.
Atualmente, com uma equipa de 42 trabalhadores, a Apoio acolhe 50 idosos em Centro de Dia e serve 75 no SAD, para além das 15 pessoas que ajuda, através da Cantina Social, com 30 refeições/dia.
Para além destas respostas sociais, a instituição de Oeiras acolhe 74 crianças em Creche.
“A abertura à infância foi também um desafio que a autarquia nos lançou. A determinado momento, a Câmara necessitou de dar resposta a uma outra associação que havia aqui no Bairro da Outurela. Por várias razões, fomos convidados a fazer a gestão desse ATL e aceitámos o desafio. Entretanto, o ATL foi transformado em Creche”, conta João Corage.
Depois de algum entusiasmo inicial, por parte das instituições, as queixas e críticas generalizaram-se em relação à Creche Feliz, programa de gratuitidade da resposta social.
João Corage encontra duas razões, uma positiva e outra menos positiva, de avaliação do programa do Estado.
“A positiva é que estamos inseridos num bairro social, em que o valor per capita dos rendimentos das famílias é muito baixo e o facto de passar a ser paga a 100% pelo Estado, permitiu-nos ganhar algum conforto financeiro e equilíbrio sustentável”, afirma, acrescentando: “Antes, nem sempre tínhamos a lotação a 100% e as famílias, que usufruíam dos nossos serviços e tinham que os pagar, não tinham condições e os incumprimentos eram muitos, pelo que vivíamos sempre numa situação de incerteza financeira. Com a Creche Feliz ganhámos, não digo sustentabilidade financeira, mas segurança financeira e isso é positivo”.
Mas tal como as moedas que têm duas faces… “O que é menos positivo é que, cada vez mais, as exigências legais são maiores e com o valor que o Estado atribui dificilmente conseguimos ter um equilíbrio financeiro. A despesa é fixa, mas não podemos gerir pelos custos, porque 70% são custos com o pessoal e o restante é com a alimentação”, argumenta, resumindo: “Há uma estabilidade na receita, mas a receita é sempre inferior às necessidades”.
E se este é um problema, para João Corage há “um outro condicionamento na área educativa, que é a capacidade de as IPSS atraírem profissionais para trabalhar em creche, principalmente educadores de infância, mas também auxiliares de educação”.
Mas o dirigente encontra algumas razões para o que chama “défice no mercado de profissionais de educação”, como “alguma concorrência desleal, face às tabelas remuneratórias do Sector Social e do Sector Público”.
Rui Eloy, diretor executivo da Apoio, considera que, para além destas questões, a situação poderia ser pior, em termos de sustentabilidade da Creche.
“É certo que a creche tinha mensalidades muito baixas, mas há uma questão muito importante, que foi, em duas fases, termos aumentado a capacidade da creche. Começámos com 58 crianças e agora temos 74, um alargamento que conseguimos por via de alterações legislativas. Não fosse isso, mesmo com a Creche Feliz estávamos, seguramente, com mais problemas”, afirma.
Apesar dos obstáculos à contratação de pessoal para a creche, que a Apoio não sente tanto na área social dos idosos, João Corage considera que, “neste momento, as IPSS atravessam um problema, que é transversal ao país, mas que, não sendo público, mas um sector que depende muito do Estado, e que são as remunerações”, sublinhando que “os profissionais do Terceiro Sector são muito mal pagos”.
“Na última Assembleia Geral da CNIS falei isso e recordei que nós, enquanto entidades que precisam de pessoas para trabalhar e que são entidades patronais, sentimos no dia a dia que o nosso trabalho social não chega a ser efetivo com os nossos trabalhadores. E não porque não queiramos dar-lhes condições, mas porque não temos capacidade para dar essas condições”, recorda e alerta: “Estamos, muitas vezes, a trabalhar com pessoas com muitas dificuldades, mas depois, muitas vezes, também não conseguimos tirar os nossos trabalhadores de patamares de dificuldades. Isso é um grande desafio para os próximos governos, isto é, na área social, só com funcionários felizes podemos ter serviços de excelência para quem precisa. O princípio da solidariedade é este, não podemos querer fazer o bem quando as instituições não têm capacidade e sustentabilidade financeira de tornar os funcionários felizes”.
Com os utentes idosos, à semelhança das famílias das crianças em creche, também os rendimentos são baixos, ainda assim a “a situação financeira da Apoio é estável e equilibrada”, refere João Corage, acrescentando que isto é conseguido no conjunto da instituição: “É a articulação entre as valências que temos, ou seja, o Centro de Dia, o SAD e a Creche e ainda a Cantina Social, juntamente com projetos com a Câmara, que tem sido um parceiro essencial, não só na ajuda no desenvolvimento dos nossos projetos sociais, como ainda na comparticipação financeira desses projetos sociais. E ainda com a capacidade que temos de trabalhar com as empresas do concelho, com a rede social, com os mecenas, conseguimos manter um equilíbrio financeiro saudável e conseguimos desenvolver o nosso trabalho de forma sustentável”.
Com a perspetiva de alargamento de duas das respostas, fruto da luz verde dada pela Segurança Social para aumentar a capacidade de Centro de Dia de 50 para 80 e de SAD de 75 para 100, com o concurso lançado para a aquisição de duas viaturas elétricas no âmbito do PRR e ainda com a instalação de painéis fotovoltaicos e um posto de carregamento para veículos, ainda assim, de momento, o projeto que está no terreno é o 3Mais.
“Neste momento, o grande desafio para 2025 é um projeto que já começou em 2024 e que está efetivamente a ser desenvolvido agora. Chama-se 3Mais e é dedicado aos cuidadores informais de idosos. 3Mais porque queremos dar mais tempo para si aos cuidadores informais, mais segurança às pessoas cuidadas na ausência dos seus cuidadores informais e mais informação e formação para as famílias e para os cuidadores informais”, apresenta, explicando: “Estes três conceitos casam-se pela necessidade, cada vez maior, de respondermos a uma população mais idosa. As nossas equipas sociais deparam-se cada vez mais com situações de idosos que cuidam idosos. Então, o nosso projeto permite ao cuidador colocar a sua pessoa cuidada no nosso Centro de Dia, durante o dia inteiro, para poder ir ao médico, ao cinema, estar com os netos, etc., e ter a garantia que a pessoa cuidada está em segurança”.
A instituição pretende estender esta resposta a cuidadores de pessoas acamadas.
“Esta é a primeira fase, porque numa segunda fase será para cuidadores que têm pessoas cuidadas acamadas, em que nós iremos a casa e estaremos lá o tempo necessário para o cuidador tratar do que tem a tratar”, explica o presidente da Apoio.
Como seria Carnaxide e Algés sem a Apoio?
“Menos Feliz. Ao longo dos anos, e isso vê-se, tanto na creche, como na área social, temos muito bom feedback das famílias. No fundo, o nosso objetivo é fazer as pessoas felizes e conseguimo-lo pelas pessoas que trabalham na casa, desde a Direção à equipa de funcionários”, remata João Corage.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2025-06-12



















editorial

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Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

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opinião

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