ASSODREC, TONDELA

Após muitas hesitações e problemas, nova ERPI já funciona em pleno

Após um longo e trabalhoso processo, a ASSODREC - Associação Social, Desportiva, Cultural e Recreativa de Parada de Gonta já tem em funcionamento a tão desejada Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI). A abertura foi a 31 de outubro e o lar já funciona com lotação esgotada, excetuando-se as cinco vagas reservadas pela Segurança Social.
Construído com o apoio do PARES 3.0 e um custo global de cerca de 1,5 milhões de euros, o equipamento permitiu ainda a criação de um Centro de Dia e o alargamento da capacidade do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) de 30 para 40 utentes. A ERPI tem uma capacidade máxima de 27 camas.
Terra de forte emigração, em especial para os Estados Unidos, Canadá e Alemanha, Parada de Gonta, no concelho de Tondela, no final do século passado não tinha qualquer resposta para os mais velhos que ficavam sós na terra. Daí, um grupo de amigos ter decidido criar a ASSODREC, em 1997, tendo como única resposta social o SAD.
“Arrancou-se com o SAD, para apoiar 10 utentes, mas ter um serviço com apenas 10 utentes não era sustentável e a Associação estava mal financeiramente”, recorda Manuel Riquito, atual presidente da instituição, que, com o apoio da Câmara Municipal de Tondela, “comprou o solar, que estava em ruínas, já com o objetivo de fazer um lar, mas as coisas não avançaram e esse processo ficou estagnado”.
Por altura que Manuel Riquito entrou para a Direção, “há mais de 10 anos”, ainda com outro presidente, “foi essa equipa que começou a avançar com o projeto do lar”.
No entanto, até ao dia de hoje, com o equipamento em funcionamento, os dirigentes da ASSODREC tiveram “muitas dores de cabeça”.
“Na altura que o projeto já estava mais ou menos feito, entrou a Câmara e a Junta, que queriam recuperar a zona em frente ao solar”, começa por contar Manuel Riquito, prosseguindo: “Face a isso, tivemos de reformular o projeto e, aí, ainda tivemos algum azar com o gabinete de engenharia que fez o projeto, pois qualquer alteração iria demorar quase um ano”.
Quando a instituição pensava ter o projeto pronto, “na Segurança Social havia sempre qualquer coisa que não estava bem, sendo que qualquer alteração demorava sempre muito tempo”.
Finalmente com o projeto aprovado, a instituição viu surgir o PARES 3.0 e o entusiasmo cresceu entre os dirigentes.
“Para nosso espanto, passado um ano e pouco, recebemos uma notificação de que o projeto não tinha sido aprovado, apontando que faltava o alvará”, recorda o presidente da instituição, acrescentando: “Isso foi uma desculpa de mau pagador, porque o alvará só aparece quando o empreiteiro vai levantar a licença. Foi um balde de água gelada para todos nós!”.
Num impasse e com todas as vozes que ouviam a dizerem que “a situação dificilmente voltaria atrás”, os dirigentes tentaram tudo o que lhes era possível para demonstrarem que o projeto era válido.
Aconselhados a concorrer ao, recém-criado, PRR, os dirigentes da ASSODREC decidiram investir num sistema AVAC, tal como o programa europeu exigia.
“Estava o prazo do PRR a terminar e ainda não tínhamos resposta do PARES, pelo que foram mais uns dias de dores de cabeça para sabermos se anulávamos o PARES e seguíamos para o PRR ou se deixávamos as coisas seguir como estavam”, lembra Manuel Riquito, acrescentando: “Até que faltava um dia ou dois para terminar o PRR, quando recebemos a notícia de que poderíamos avançar com o PARES que a candidatura havia sido aprovada”.
A obra começou em final de 2023, mas, entretanto, os valores orçamentados inicialmente (perto de 900 mil euros), em 2021, já tinham escalado.
Para além do AVAC, que apesar de não exigido pelo PARES, a instituição decidiu aplicar na mesma, a instituição teve ainda vários contratempos na construção, por questões relacionadas com o terreno, o que encareceu a obra em cerca de 80 mil euros. Depois, “o projeto tinha algumas lacunas e quem fez o orçamento para o concurso teve algumas falhas”, lamenta.
Em termos financeiros, a ASSODREC tem contado com a solidariedade dos paradenses emigrados. Por alturas da compra do solar, nos Estados Unidos, era criada a CAB*USA (Comissão de Angariação e Beneficência de Parada de Gonta nos Estados Unidos), uma associação de gente ligada a Parada de Gonta e que começou a angariar dinheiro para desenvolver a localidade.
Aliás, por essa altura, uma delegação da CAB*USA esteve em Parada de Gonta e acabou por adquirir um terreno para que a instituição ali construísse o lar de terceira idade.
“Houve alguma confusão se se fazia um lar de raiz no terreno comprado pela CAB*USA ou se se investia aqui no solar. Acabou-se, por questões políticas, por se optar pelo solar”, recorda, lembrando que o terreno doado acabou por ser vendido pela instituição.
Para além da comunidade emigrante nos Estados Unidos, também as do Canadá e da Alemanha se têm mobilizado para apoiar a instituição.
Também a autarquia é parceira da ASSODREC no investimento, mas, como “não podia dar dinheiro, acordou com a Associação que pagaria cerca de 50% das mensalidades até 2041 do empréstimo de 700 mil euros que foi pedido à banca”.
Apenas com o SAD, a instituição empregava sete funcionários, sendo que agora conta com uma equipa de 25 trabalhadores, estando ainda a contratar mais.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2026-01-07



















editorial

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