Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos poderes que a Constituição da República lhes confere, digam como pensam exercer tão nobre e exigente missão.
Espero que o Presidente da República seja um defensor intrépido do diálogo entre ideologias e visões, politicamente, diferentes, pugnando pela coesão nacional sem pôr em causa a riqueza da diversidade. Que defenda o crescimento económico, mas integrado na construção de um desenvolvimento sustentável sem assimetrias sociais que ponham em causa o respeito pela dignidade de cada cidadão. Ele tem de ser, também, um mediador de todas as boas vontades que visem a criação do bem comum que é muito mais que o somatório do bem de cada um. Se tiver de fazer alguma diferenciação, ela terá que ser sempre positiva, ou seja, na defesa dos mais vulneráveis.
Considero desejável que constitua um Conselho Consultivo para a Coesão Social, com a participação de representantes de instituições, predominantemente, da economia e dos próprios atingidos pelos maiores flagelos sociais. Este Conselho proporcionaria um conhecimento mais empírico das realidades socioeconómicas do país. Lembro o que disse o Papa Leão XIV aos representantes da Associação Nacional dos Municípios Italianos, no passado dia 29 de dezembro, e que se aplica a qualquer político ativo: «no compromisso público, em particular, se deve estar ciente da importância da escuta, como dinâmica social que ativa essas virtudes. Trata-se, de facto, de prestar atenção às necessidades das famílias e das pessoas, cuidando especialmente dos mais frágeis, para o bem de todos. (…) Lembrou ainda – citando o Papa Francisco – que «a coesão social e a harmonia cívica exigem, em primeiro lugar, ouvir os pequenos e pobres», sem esse compromisso, «a democracia atrofia-se, torna-se um nominalismo, uma formalidade, perde representatividade, desencarna-se porque deixa de fora o povo na sua luta quotidiana pela dignidade, na construção do seu destino»[1]. É óbvio que este Conselho não dispensa iniciativas que visem uma maior proximidade do Presidente com o povo. Assim, para além de visitas a instituições de desenvolvimento local, nas quais incluo as IPSS, às que representam grupos sociais diversos, seria interessante que participasse numa reunião, por ano, da Rede Local de cada um dos municípios.
É imprescindível que o Mais Alto Magistrado da Nação pugne pelo estabelecimento de uma maior equidade social que se alcança, entre outras vias, pela valorização dos poderes locais, do papel das instituições de solidariedade social ou de outra natureza cívica, sem esquecer esse grande património português que é o voluntariado, enquanto um dos meios para exercer uma cidadania plena. Estou convicto de que a solução de grande parte dos problemas nacionais só se resolve com a implementação de políticas públicas que garantam a equidade social de que tanto o país carece. Todavia, essas políticas têm de ter a capacidade de aplicação a cada realidade sem ferir os princípios fundamentais da justiça social, da solidariedade e da subsidiariedade.
Recordo o Papa, no encontro já referido, citando o sacerdote Primo Mazzolari, padre atento à vida do seu povo, ao deixar escrito que «o país não precisa apenas de esgotos, casas, estradas, aquedutos, calçadas. O país também precisa de uma maneira de sentir, de viver, uma maneira de se olhar, uma maneira de se unir”[2].
[1] https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-12/papa-leao-xiv-nossas-cidades-lugares-anonimos-rostos.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=NewsletterVN-PT
[2] Ibidem.
Não há inqueritos válidos.