ALFÂNDEGA DO PORTO ACOLHEU EVENTO ORGANIZADO PELA EASPD E HUMANITAS

Conferência debateu como liderar a mudança nos serviços para pessoas com deficiência

A conferência internacional «Leading Change in Disability Services: Strengthening capacity for person-centred support» (Liderar a mudança nos serviços para pessoas com deficiência: reforçar a capacidade de apoio centrado na pessoa), organizada pela EASPD - European Association of Service providers for Persons with Disabilities, em colaboração com a Humanitas – Federação Portuguesa para a Deficiência Mental, reuniu na Alfândega do Porto cerca de 300 pessoas, oriundas de 31 países, cerca de uma dezena de fora da Europa.
“Foi muito interessante, porque houve uma partilha muito grande de conhecimento e de práticas e isso foi o mais interessante de tudo”, afirma Helena Albuquerque, presidente da Humanitas, acrescentando: “Foram abordados diversos temas, como a gestão de recursos humanos, a gestão financeira das instituições, a postura das instituições perante a sociedade, pois não são mais instituições assistenciais, mas, em fim de linha, são organizações de passagem para a comunidade, cujo trabalho é centrado na pessoa, com muito respeito pelas suas escolhas e opções de vida e sempre em respostas comunitárias”.
O Porto acolheu a primeira das habituais duas conferências anuais que a EASPD organiza, tendo esta sido subordinada ao tema da Liderança, abordada no sentido de “levar os nossos serviços a aperfeiçoar as suas práticas”.
“Em muita coisa, pensamos que estamos muito atrás em relação às práticas europeias, mas não, estamos quase na vanguarda da assistência europeia à pessoa com deficiência”, sustenta Helena Albuquerque, enumerando as diversas temáticas abordadas em conferência ou nos diversos workshops: “Estudámos como melhorar a nossa prestação financeira ou como criar instituições sustentáveis, abordámos a questão dos recursos humanos, ou seja, como podemos formar instituições que sejam boas tanto para os cuidadores como para os cuidados. Refletimos sobre como fazer a avaliação do impacto na gestão, pois é muito importante medir o impacto social da instituição ou ainda como combater a escassez de profissionais”.
Sobre se os problemas que as instituições portuguesas da área da deficiência são semelhantes aos das suas congéneres europeias, a presidente da Humanitas considera que sim, mas com uma variante essencial: “Há uma diferença muito grande e prende-se com o financiamento. O que se passa em Portugal não se compara com o que se passa na grande maioria das instituições de outros países, aqui estamos muito mais abaixo em termos de financiamento”.
Lá fora não há tanta dependência dos apoios estatais, “porque como têm maior financiamento conseguem atrair outras parcerias que as nossas não conseguem”.
Para além de uma maior diversificação das fontes de financiamento, “há muito países onde o voluntariado é a força motriz das organizações, enquanto que as nossas instituições ainda têm muita dificuldade em atrair voluntários”, argumenta, exemplificando: “Há instituições, nomeadamente em Itália, que vivem exclusivamente do voluntariado. A comunidade assume a área deficiência como uma coisa sua, enquanto que em Portugal a área da deficiência ainda é uma área de poucos”.
Um aspeto que Helena Albuquerque ressalva como muito importante na conferência “foi a chamada de atenção para que as organizações mudem um pouco o paradigma do apoio, ou seja, o principal objetivo não ser só cuidar, mas também empoderar as pessoas apoiadas de forma a que possam viver nas suas comunidades de forma digna e baseada nos Direitos Humanos, uma perceção é muito importante”.
Em resumo, “não apostar tanto a institucionalização, mas trabalhar para haver, cada vez mais, respostas comunitárias”.
Dos 300 participantes na conferência, 75 eram portugueses. “Não é muito, esperava uma mobilização maior das instituições portuguesas, mas ainda assim estiveram diversas instituições nacionais presentes”.
Para Helena Albuquerque, a realização da conferência da EASPD em Portugal, nos dias 14 e 15 de maio, foi a cereja em cima do bolo, depois de, na semana anterior, ter sido celebrado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual (10 de maio), com mais de 200 iniciativas por todo o país.

 

Data de introdução: 2026-06-11



















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