II CONGRESSO DA CNIS

Conclusões

Decorreu em Fátima, no Centro Paulo VI, o II Congresso da CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social), com a participação de cerca de 1300 congressistas, em representação de mais de 700 instituições com direito a voto.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da Assembleia-Geral e do Congresso, Mário Dias, recordou que a CNIS fez recentemente o levantamento de necessidades sociais de freguesias de Portugal Continental, que servirá como bom guião para dirigentes e governantes equacionarem respostas adequadas para a resolução dos inúmeros problemas sociais que afectam os portugueses.
Disse que o conceito de solidariedade e coesão social tem cada vez mais uma importância crucial, razão de ser do lema do Congresso, “MAIS PESSOA – MAIS COMUNIDADE”.
Ainda na abertura, o presidente da CNIS, Francisco Crespo, explanou, a traços gerais, o que foi a actuação da confederação a que preside, tendo salientado a assinatura do Contrato Colectivo de Trabalho com diverso sindicatos, ligados à UGT e à CGTP.
Ao encerrar a sessão de abertura do Congresso, o Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu a solidariedade e a co-responsabilidade solidária para com as pessoas, tendo destacado o papel fundamental da CNIS no desenvolvimento social do País. No entanto alertou para a conveniência de as acções da CNIS se articularem com as da União das Misericórdias, com as Mutualidades e com outras organizações do domínio social, no sentido de congregar esforços na procura de soluções adequadas e de optimização dos recursos existentes.

Os dois temas centrais do Congresso, “AS IPSS E OPORTUNIDADES DE INTERVENÇÃO” E “POLÍTICAS SOCIAIS E EDUCATIVOS EM PORTUGAL”, foram desenvolvidos por diversos conferencistas e debatidos, com notório interesse, por muitos congressistas, numa perspectiva de alertarem os responsáveis para os reais problemas com que se debatem as IPSS portuguesas.

I – Sobre “AS IPSS E OPORTUNIDADES DE INTERVENÇÃO”, em que intervieram Silva Peneda (Modelo Social Europeu face à Evolução Demográfica), Ian Olssom (O Modelo Social Europeu e a Evolução Demográfica – A Situação e as Perspectivas Futuras na Suécia e na Europa), Maria Isabel Monteiro (Conhecer para Intervir) e José Luís Albuquerque (Portugal 2050: Envelhecimento Demográfico, Desafios e Oportunidades), sublinhamos:

1 - A componente do desenvolvimento social “é um dos três pilares do processo de desenvolvimento sustentável, a par do crescimento económico e da protecção ambiental”. Porém, a evolução demográfica (com o aumento da esperança de vida e a diminuição do número de nascimentos) e a globalização serão condicionantes importantes que dificultam a concretização desse projecto.

2 - No processo do desenvolvimento local, a articulação do crescimento económico, social e cultural tem de ser feito numa “óptica transversal, assente numa visão integrada e integradora das diferentes forças e sectores presentes”,

3 - Urge criar condições para que os “actores” das comunidades se comportem como agentes de mudança, promovendo parcerias e fomentando a emergência das redes locais, sustentadas em aplicações e sentimentos de pertença, numa perspectiva de contribuir para a erradicação da pobreza, das marginalidades e das dependências degradantes.

4 - Torna-se urgente cultivar a liberdade, mas uma liberdade que não provoque injustiças e a exploração dos mais débeis. Justiça, sim, mas sem destruir toda a liberdade das pessoas e das sociedades, e no respeito absoluto pela identidade e pela especificidade das próprias IPSS.

5 - É crucial a capacidade de cada país conseguir manter o seu modelo social perante os grandes desafios contemporâneos, como a globalização e o envelhecimento da população. Em termos globais, é imperativo que o modelo social europeu sofra uma reforma e uma modernização atempadas, para fazer face aos desafios da sociedade actual.







II – Sobre “POLÍTICAS SOCIAIS E EDUCATIVOS EM PORTUGAL”, em que intervieram Edmundo Martinho (Economia Social e Políticas Sociais em Portugal – IPSS e as Grandes Opções do PNACE 2005-2008 – Programa Nacional de Acção para o Crescimento e o Emprego), Costa Fernandes (O Papel das IPSS na Construção de um Modelo de Desenvolvimento Centrado na Defesa da Dignidade da Pessoa Humana) e Filipa de Jesus, em representação da ministra da Educação, (Política Educativa para a 1ª Infância – Educação Pré-Escolar e Centros de Actividades de Tempos Livres), sublinhamos:

1- É preciso assegurar “mais social em tempos de crise”, sempre por via de uma selectividade muito rigorosa e assente na avaliação criteriosa das condições de vida de cada cidadão e das famílias, sem nunca esquecer os mais “feridos” da sociedade.

2 - Não pode haver percursos de qualificação pessoal e familiar que não passem pela fixação clara de compromissos e de objectivos determinados, num esforço de contratualização entre as famílias e as comunidades.

3 - O Estado tem de ser capaz de assumir que cada cidadão não é um meliante, pelo que tem de o tratar como responsável que é, por aquilo que diz, por aquilo que são os seus actos, pelo que é nessa medida que deve ser responsabilizado.

4 - Importa acabar com atitudes de desconfiança em relação ao Estado, aos cidadãos e às IPSS, criando-se um clima de transparência no relacionamento, onde se fundamenta a responsabilidade de cada um naquilo que é o seu próprio campo de intervenção.

5 - As IPSS portuguesas representam uma “expressão única em termos europeus”, sendo, por isso, um activo que Portugal não pode dispensar. Temos, então, de ser capazes de reforçar, com elas, a coesão social, de forma inovadora, racionalizando recursos e tendo sempre em conta que voluntariado não quer dizer amadorismo.

6 - Relativamente aos ATL, as IPSS, as autarquias e as associações de pais desempenham um papel fundamental de cobertura de muitas crianças quando a escola não a assegurava, detendo hoje competências e recursos no apoio às famílias.

7 - É preciso enquadrar o trabalho realizado por muitas autarquias, associações de pais e IPSS no projecto educativo das escolas. Por isso, é importante o esforço de articulação e parceria que é preciso fomentar, para proporcionarmos às nossas crianças as melhores condições de ensino e aprendizagem, e às famílias o apoio de que necessitam.

8 - O Estado deve apoiar as instituições de solidariedade social, já que estas contribuem activamente para o processo de desenvolvimento e democratização social, cultural e económico.

9 - O Estado tem de dar lugar ao reconhecimento do princípio da autonomia, da subsidiariedade, do planeamento e da participação, para criar um clima de estabilidade e mútua confiança.


10 - As IPSS, que se defrontam diariamente ao nível da sustentabilidade económica, devem abrir-se mais às comunidade, promovendo trabalhos em rede entre elas próprias, enquanto devem implementar um diálogo aberto com o próprio Estado, com o objectivo de dinamizar uma cultura de parcerias, entre todos os agentes sociais.


11 - As IPSS devem adoptar a atitude de se darem aos outros, e não apenas de dar, já que o enriquecimento da qualidade de vida das comunidades passa sempre pelo desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade individual e colectiva, no qual as instituições têm um papel fulcral. 

Na foto: Elenco completo dos novos corpos sociais da CNIS, na sessão de encerramento do congresso. Esta cerimónia contou com a presença dos Ministros da Solidariedade e do Trabalho, Ministra da Educação e Secretário de Estado da Segurança Social.

 

Data de introdução: 2006-02-12



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...