Urgente acabar com o endividamento das Famílias

É urgente acabar com o endividamento das famílias. Esta é uma das conclusões do encontro de reflexão promovido pela Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos de Antas, Famalicão, em parceria com a Secção Cultural da Associação de Moradores das Lameiras e da Extensão Educativa do Ensino Recorrente de Vila Nova de Famalicão, no passado dia 2 de Fevereiro, nas instalações do Centro Social e Comunitário das Lameiras. 

Os 80 participantes que estiveram presentes neste encontro mostraram-se preocupados com o crescente endividamento das famílias, alguns dos quais também vítimas desta situação. Para ajudar no debate/reflexão, apresentaram comunicações: a Dra. Cândida Veloso, coordenadora concelhia do Ensino Recorrente, a Dra. Manuel Pinto, advogada e perita em defesa do consumidor, o Dr. Miguel Matos, economista e a Dra. Maria das Dores Oliveira, educadora de infância e autora do livro “Consumidores de Palmo e Meio”. Das comunicações apresentadas e do diálogo que se seguiu, os presentes concluíram que esta é uma realidade alarmante:

A) Uma realidade alarmante

Porque o dinheiro é curto, não chega e os salários não dão para tudo; são muitas as necessidades, mas o salário é só um, e quem tem dívidas, tem que as liquidar, doutro modo aparecem os processos judiciais, os despejos as penhoras de salários e outras situações desagradáveis. Não são só as empresas que vão à falência, mas também as famílias; o crédito hoje está muito facilitado, não só para a compra de casa, mas também de electrodomésticos, de carro, de telecomunicações, de férias, entre outros... As famílias têm muitas dificuldades em gerir os seus orçamentos familiares; os encargos mensais, em muitos casos são superiores aos salários; a falta de diálogo entre marido e esposa e pais e filhos fazem avolumar as desconfianças no seio da família, que trazem como consequência, em muitos casos, a violência doméstica, o divórcio e a separação; algumas famílias já recorrem ao crédito para pagar crédito; o endividamento em Portugal situa-se nos 130%, enquanto nos outros países europeus ronda os 100%. Os presentes reconheceram que vivemos tempos diferentes. Nos tempos dos nossos pais poupava-se e investia-se para depois comprar casa, terras ou precaver qualquer fatalidade. Hoje compra-se e depois pensa-se em pagar!

B) É urgente fazer inverter esta situação

É necessário que nas famílias todos dialoguem e decidam em conjunto o que comprar, entre o que é mais necessário, para que não se corra o risco de todos se acusarem mutuamente no que diz respeito às despesas efectuadas; é urgente investir mais na educação dos nossos filhos, de modo a que estes entendam que nem tudo o que aparece no mercado é para comprar e sejam ajudados a distinguir entre o útil e o acessório; a escola deve acompanhar e ajudar as famílias neste processo, pois a maior parte do tempo das nossas crianças é passado fora de casa e na escola. Para as famílias endividadas, existe sempre a possibilidade de renegociar as dívidas, tendo-se defendido que este é um meio a que se pode recorrer. Os presentes defenderam ainda que apesar de tudo a esperança não morre e o facto de um grupo tão numeroso de pessoas estar presente numa noite fria de quinta-feira para reflectir sobre o endividamento das famílias é sinal de que querem que algo de concreto mude nas suas vidas. Por fim, defendeu-se que o governo e os legisladores devem criar leis que protejam os mais pobres e ajudem a prevenir estas situações.

P’la Comissão organizadora
José Maria Carneiro Costa
LOC/MTC

 

Data de introdução: 2006-02-20



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...