PRESIDENTE DA UDIPSS-AVEIRO EM ENTREVISTA

"Ser dirigente de uma IPSS é uma responsabilidade muito grande"

Carlos Alberto Lacerda Pais, gestor de empresas e ligado à solidariedade social há um quarto de século, assumiu mais um mandato à frente da UDIPSS-Aveiro (União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Aveiro), não só por ter pendentes assuntos que gostaria de ver resolvidos, mas também por querer concretizar alguns projectos. Mais ainda: por não aparecer, ao fim de um ano de diligências, uma equipa jovem e dinâmica que quisesse liderar a União.
Em conversa com o SOLIDARIEDADE, Lacerda Pais considera importante que haja cursos de formação para dirigentes. “Ser dirigente de uma instituição é uma responsabilidade muito grande, porque juridicamente os órgãos directivos das IPSS estão equiparados a qualquer entidade patronal, com todas as consequências que isso quer dizer”, frisa o nosso entrevistado.

Ao defender que o “amadorismo puro” dos dirigentes não é suficiente nos dias de hoje, Lacerda Pais esclarece o seu ponto de vista, dizendo que, “em termos de gestão, temos de responder perante uma série de organismos, como o Ministério das Finanças e outros Ministérios com quem trabalhamos”. Nessa linha da formação, a UDIPSS-Aveiro vai levar a cabo em Outubro próximo um encontro para dirigentes e outros responsáveis das instituições, “para o qual estão a ser convidadas pessoas que nos possam transmitir conhecimentos sobre a realidade das IPSS e sobre a sua sobrevivência”, que pode ser problemática num futuro a curto ou médio prazo, se não forem tomadas medidas atempadamente.

“Nós temos de estar atentos neste momento a todas as modificações que se estão a verificar no seio das comunidades, cada vez com mais idosos”, adianta. E continua: “Nunca houve tanta gente com tanta idade e nunca houve tão pouca gente com menos idade; esta realidade vai ser coisa nova no mundo, o que exige de todos uma atenção muito atenta, o mais depressa possível.”
O presidente da UDIPSS-Aveiro lembra, por outro lado, que, “se diminuírem as pensões de reforma, de que tanto se fala, isso terá um impacto enorme na vida das pessoas e das instituições, impacto esse que tem de começar a ser equacionado desde já, tendo em conta as respostas adequadas aos mais carentes e a sustentabilidade das IPSS”.

Ao abordar a questão das novas formas de pobreza, frequentemente envergonhada, Lacerda Pais garante ao SOLIDARIEDADE que as instituições, além de prestarem apoio às crianças, recebendo-as nas Creches, Jardins-de-Infância, Lares e ATL, “também têm de ajudar muitas famílias que vivem com sérias dificuldades”. No entanto, assegura que, na região de Aveiro, “tem havido boa colaboração entre a Segurança Social e as IPSS, para que os problemas das famílias mais pobres sejam resolvidos com a dignidade que todos os indivíduos nos merecem”.
O nosso entrevistado recorda que, para responder às novas formas de pobreza, muitas IPSS têm de começar a “encarar novas facetas de actuação”, alertando as comunidades e as entidades estatais para as realidades concretas das famílias, sobretudo das que sentem mais dificuldades. “O Governo e os seus departamentos tomam decisões e legislam, por vezes, sem ouvirem as pessoas e as IPSS, que são, afinal, quem melhor conhece os problemas sociais das comunidades”, refere.

A propósito disso, lembra os problemas levantados com a implementação de ATL pelas autarquias, denunciando que “o Governo decretou a criação de estruturas em cima de estruturas já existentes”, sem se terem equacionado, devidamente, os interesses das IPSS, que investiram nesse sector, muito antes de alguém o ter sonhado.
Lacerda Pais espera que as IPSS continuem a participar activamente nos trabalhos que a União promove, fazendo chegar aos serviços da solidariedade social (UDIPSS-Aveiro e CNIS) os problemas das comunidades e das pessoas. Mas ainda: as dificuldades das instituições, bem como os seus anseios e projectos de renovação e de dinamização da área social em que se inserem.
O nosso entrevistado sublinha ao SOLIDARIEDADE que há 187 instituições filiadas na UDIPSS-Aveiro, cerca de 90 por cento das existentes no Distrito, e que a grande maioria marca presença significativa nas acções realizadas com vista à formação e à informação. Aliás, a secretaria daquela estrutura da solidariedade social filiada na CNIS garante, no dia-a-dia, a ponte entre a União e as IPSS, na divulgação do que se vai legislando, dos acordos que se vão negociando e assinando com o Governo, a Segurança Social e os Sindicatos, entre outros projectos e assuntos.

Lacerda Pais adianta que, neste momento, a União que dirige está a colaborar com as estruturas de formação da CNIS, procurando mobilizar dirigentes, técnicos e demais funcionários das IPSS, para que participem em cursos e outras iniciativas de formação e de esclarecimento. E logo acrescenta que a União solicitou à CNIS que todas as acções a levar a cabo fossem estendidas ao Distrito de Aveiro, “que é o que está já a acontecer”. Assim, para os projectos que estão a ser organizados, a União está a distribuir informações às IPSS. “Por esta forma – confirma –, estamos certos de que esta cooperação com a CNIS vai resultar num trabalho mais eficiente, sendo uma mais-valia para todos.”

Entretanto, para um apoio jurídico mais especializados, dirigido às suas filiadas, a UDIPSS-Aveiro oferece os serviços de uma advogada, que presta aconselhamento e consultadoria, às sextas-feiras de manhã, mediante marcação prévia feita através da secretaria da União.

* Texto e foto

 

Data de introdução: 2006-06-09



















editorial

O TRIÂNGULO DA COOPERAÇÃO

A consciência social, aliada ao dever ético da solidariedade, representa uma instância suprema de cidadania, um compromisso inalienável para com os mais vulneráveis e em situação de marginalidade, exclusão e pobreza.

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA, PRES. CONF. PORTUGUESA DO VOLUNTARIADO

A Política Melhor (II)
Na continuação dos assuntos abordados no meu texto anterior, reitero que vale a pena, aos dirigentes das IPSS, independentemente das suas convicções ideológicas ou...

opinião

JOSÉ A. SILVA PENEDA

A guerra na Ucrânia e as consequências para a Europa
A guerra na Ucrânia é, sem dúvida, o maior desafio que se coloca à União Europeia desde a sua fundação. É a primeira vez, desde a última grande...