REFORMAS

Reformados e trabalhadores activos são dos mais pessimistas da Europa

Portugal tem os reformados mais pessimistas da Europa e uma população activa que vai pelo mesmo caminho, ao considerar que terá pensões insuficientes para fazer face às suas necessidades, revela um barómetro hoje divulgado. De acordo com as conclusões do estudo - que pretendeu "analisar e perceber as atitudes em relação à reforma" e que envolveu mais de 118 mil entrevistas em 26 países de todo o mundo -, mais de metade (52%) dos portugueses actualmente na reforma conseguiu aposentar-se antes da idade estabelecida por lei, maioritariamente (77%) por vontade própria.

Portugal é dos poucos países onde as pessoas pensam que trabalham mais tempo do que deviam. Para os activos, a idade mínima da reforma deveria rondar os 58-59 anos e para os que já são reformados os 62 anos, ambos os casos abaixo da idade legal. A perda de rendimentos com a reforma acentua-se no caso português, onde tanto reformados como activos esperam más condições financeiras e onde a qualidade de vida dos reformados está abaixo da média na Europa Ocidental.

Dois terços dos portugueses inquiridos consideram que o valor da reforma que têm ou pensam vir a ter é ou será "insuficiente para suprir as necessidades - uma proporção que aumenta entre as mulheres e as classes sociais mais baixas", especialmente nos trabalhadores manuais, não qualificados ou inactivos.

Portugal aparece neste barómetro entre os países onde as condições financeiras dos reformados são tidas como as mais difíceis. Seis em cada dez reformados têm uma pensão inferior ao último salário e sete em cada dez activos pensam que terão um decréscimo do rendimento. Apenas uma pequena percentagem de activos, com maior expressão em Lisboa, espera um aumento do seu rendimento.

A seguir à Hungria e à República Checa, Portugal é o país europeu onde as pensões são mais baixas e seriam precisos em média mais 110 euros por pessoa para fazer face às despesas domésticas básicas, uma realidade que mais uma vez tem maior incidência nas classes sociais mais baixas.

Os reformados portugueses têm uma visão bastante negativa da reforma, que associam sobretudo a "morte, velhice, doença e dificuldades financeiras", sobretudo nas áreas rurais. Quem ainda é activo tem uma abordagem mais positiva, particularmente visível nas classes média e alta, e metade destes planeia ter uma actividade profissional remunerada durante a reforma, um número superior à média da Europa Ocidental, o que não acontece em 95 por cento dos casos.

Os portugueses são os menos informados quanto ao valor da sua futura pensão de reforma e são dos que começam a preparar a reforma mais tarde. Apesar de o português considerar que os sistemas sociais são sobretudo uma tarefa do Estado, que só depois cabe aos indivíduos e aos empregadores, "parte da população activa parece estar a desenvolver sérios esforços financeiros para a sua reforma: poupam mais do que os reformados poupavam no seu tempo, e o valor médio poupado por mês é superior a países como França e Bélgica", apesar dos rendimentos serem mais baixos, realçam as conclusões.

Os portugueses são dos povos que menos arriscam e em investimentos dedicado à reforma tanto activos como reformados preferem um produto financeiro para a reforma com um rendimento mínimo, mas sem risco. Um terço dos portugueses acredita que a Segurança Social portuguesa está em crise e Portugal é o maior apoiante de um sistema de pensões comum à União Europeia.

São nove em cada 10 os activos que pensam que a Segurança Social está em crise ou com problemas, apesar de se verificar uma ligeira tendência decrescente do número de portugueses a pensar assim. Mais de metade dos activos espera reformas no sistema nos próximos 10 anos, considerando que estas passarão pelo aumento do número de anos de trabalho e redução do valor da reforma.

O inquérito revela ainda que os reformados portugueses planeiam pouco a sua vida futura e são dos menos activos da Europa, com as mulheres mais activas do que os homens. A maioria dos reformados em Portugal cuida da família e de si próprios e sonham com viagens, o que na maioria dos casos acaba por não se concretizar.

Os reformados portugueses são, ao lado dos húngaros, os que se consideram menos felizes e mais evocam a sua falta de saúde. Apesar de cerca de sete em cada dez reformados considerar que tem uma vida melhor do que a dos seus pais e de metade dos actuais activos considerar que tem hipótese de vir a ter melhores condições do que os seus pais, ambos os grupos são pessimistas em relação à geração seguinte.

Entre os factores de felicidade estão os recursos financeiros e a saúde e aqui apenas 45 por cento dos reformados se sente de boa saúde (mais os homens do que as mulheres, mais as classes média e alta do que as baixas, mais as pessoas dos centros urbanos do que as das zonas rurais). Portugal é ainda dos países com maior número de indecisos quanto ao que fazer com as poupanças.

As mulheres consideram-se melhor preparadas psicologicamente para a reforma e têm em geral a vida mais preenchida. Um terço dos homens activos espera não se aborrecer durante a reforma, enquanto os homens reformados estão preocupados com a solidão. A maioria dos portugueses afirma não saber qual será o melhor país para viver daqui a 20 anos e apenas um quarto acredita que será o seu próprio país.

O Barómetro foi realizado em 26 países, num total de 18.114 entrevistas, pelo quarto ano consecutivo para a AXA Seguros, através de chamadas telefónicas realizadas pela empresa GfK Metris, entre meados de Julho e princípios de Agosto do ano passado.


22.01.2008

 

Data de introdução: 2008-01-22



















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