Música para a inclusão social

Crianças e jovens de bairro problemático da Amadora entram no projecto "Orquestra Geração", inspirado no Sistema Nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela. A música como instrumento para promover a auto-estima, o sucesso escolar e a disciplina.

O modelo é inspirado no Sistema Nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela, criado a partir da Orquestra Sinfónica Simón Bolívar, que há mais de três décadas integra nos seus agrupamentos crianças e jovens de bairros pobres. Mais importante do que o figurino, são os objectivos associados. A música surge como meio para combater a exclusão social, para tentar emagrecer o abandono escolar, para promover a inclusão social, estimular o trabalho de grupo e a disciplina. O projecto "Orquestra Geração" alimenta-se desse caminho traçado na Venezuela para trabalhar com 45 crianças que serão recrutadas dos 5.º e 6.º anos de escolaridade da EB2,3 Miguel Torga da Amadora. O Casal da Boba, bairro de realojamento com uma população maioritariamente africana, acolhe o projecto-piloto da criação de uma orquestra juvenil.

A música é o elo de ligação e o projecto tem uma componente social e uma vertente pedagógica que caminham no sentido da inclusão social. Neste momento, a orquestra integra já 35 crianças da Amadora e mais 90 em Vialonga, Vila Franca de Xira - este último um projecto independente, mas assente no mesmo modelo. Ainda não se pode falar em resultados, o trabalho começou há cerca de sete meses, embora haja alguns casos de retorno à escola na Amadora. "É uma experiência de mais de 30 anos na Venezuela com resultados verdadeiramente fantásticos em termos de combate ao insucesso escolar e, em paralelo, na identificação de grandes talentos", adianta Luísa Sanchez Valle, directora do departamento de Saúde e Desenvolvimento Humano da Fundação Calouste Gulbenkian e responsável pelo projecto "Orquestra Geração".

Neste caso, a música funciona "como um instrumento de abertura ao exterior". "Não tocar para dentro, tocar para fora". É necessário que as crianças e jovens, até aos 15 anos, não se fechem dentro das suas quatro paredes, mas que sejam confrontados com outras orquestras, que peguem nos instrumentos e enfrentem várias plateias. "Para mostrar-lhes outros ambientes, outras exigências, outros públicos", sublinha Luísa Valle. O processo promove a inclusão social e o trajecto está repleto de mais-valias. Há ganhos que se podem colher, como o espírito de grupo, o aumento da auto-estima, a importância da disciplina. Além disso, há o envolvimento das famílias no percurso. Não há propriamente um prazo definido para o projecto estar no terreno. Para a responsável, o programa tem de ter pelo menos três anos de execução. "Tem de prolongar-se algum tempo". "A ideia é criar a massa crítica que encontre o modelo de sustentabilidade do projecto", acrescenta. A Gulbenkian não esconde a vontade de criar um sistema metropolitano de orquestras sinfónicas juvenis, na área de Lisboa.

No primeiro ano, a orquestra é só constituída por cordas, no segundo estende-se aos sopros e a outros naipes de instrumentos. A adaptação da metodologia, a concepção do modelo de gestão e a formação dos formadores têm o apoio e acompanhamento de especialistas venezuelanos. A Escola de Música do Conservatório Nacional selecciona os participantes, que não têm qualquer formação musical, através de audições feitas e adaptadas a cada um dos alunos. A Fundação Gulbenkian acompanha o projecto nos planos artístico e pedagógico. A Câmara da Amadora e o agrupamento escolar tratam das questões logísticas necessárias à viabilização do programa.

O Sistema Nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela tem mais de 30 anos de trabalho. Trata-se de um projecto musical e social pioneiro que, até ao momento, abrangeu mais de 250 mil jovens venezuelanos e conta com mais de 100 orquestras. A inserção e desenvolvimento de crianças e jovens de meios sociais desfavorecidos são os principais motores deste projecto que está agora a ser replicado em Portugal.

Informações:
www.gulbenkian.pt

Fonte: EDUCARE
www.educare.pt

 

Data de introdução: 2008-06-28



















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