LAR DE S. JOSÉ, COVILHÃ

De albergue dos pobres a lar de referência

Porta de entrada para a Serra da Estrela, a Covilhã é conhecida por ser a terra da indústria da lã. Noutras épocas eram muitos os operários que trabalhavam na indústria dos lanifícios, actualmente reduzida a duas unidades fabris. Com Invernos rigorosos, foi precisamente devido a um grande nevão que foi criado o Lar de São José. Fundado em Fevereiro de 1900, o Albergue dos Pobres, nome inicial do Lar de São José, nasceu pelas mãos de alguns elementos da Conferência de São Vicente de Paulo. O principal objectivo era acolher e dar apoio aos mais desfavorecidos, numa altura em que a cidade tinha sido afectada por um grande nevão. Para isso arrendaram uma casa, mas o número de pobres crescia e, na impossibilidade de continuarem com a sua administração directa, contrataram uma ordem religiosa para o fazer: as Irmãzinhas dos Pobres. Contudo, dado o carácter anti-clerical da revolução republicana de 1910, as religiosas foram afastadas da direcção, por se terem recusado a usar hábito. Assim, em 1927, o albergue passa a estar ao cuidado das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, que dirigiram o Lar até 1985, sendo que os primeiros estatutos reconhecidos datam de Outubro de 1949.

Camaratas grandes, instalações exíguas e sem conforto, caracterizavam o espaço, já que o objectivo passava por dar um tecto e alimentação aos utentes. O 25 de Abril de 1974 veio abrir novas perspectivas para uma mudança na política da terceira idade. “Encontrei a instituição num estado miserável, com grandes enfermarias, sem o mínimo de dignidade humana e completamente desactualizado dos tempos actuais”, refere Brito Rocha, presidente desde 1984. Existia apenas uma máquina de escrever, que hoje é mantida como relíquia. A primeira medida foi comprar uma fotocopiadora “em segunda mão”.

Actualmente, residem no Lar de São José 170 idosos e 45 recebem apoio em serviço domiciliário. Os idosos têm serviço de enfermagem 24 horas por dia, fisioterapia, cabeleireiro, além de diversas actividades de lazer. “Contamos com o grupo coral, rancho folclórico, grupo teatral, de leitura e de trabalhos manuais”, afirma o responsável. Mas os idosos não têm de ficar confinados ao Lar. A instituição proporciona passeios às aldeias, a Fátima e a diversos locais de interesse. No Verão, os residentes gozam ainda de alguns dias de férias na praia de Mira, um intercâmbio com a Casa do Gaiato. Os que são autónomos podem sair das instalações.
“A direcção, nos últimos anos, tem efectuado um investimento considerável na melhoria dos cuidados prestados aos utentes, que incidiu quer na vertente do internamento, medicação gratuita, aquisição de uma viatura de transporte para utentes em cadeira de rodas, de camas articuladas, de colchões anti-escarras, etc., quer na vertente do apoio domiciliário, veículos equipados com compartimento isotérmico, refeições fornecidas em embalagens termo seladas a uso único”, explica o responsável.

Cerca de 80 por cento dos residentes do Lar estão acamados, mas como não existe nenhum hospital de retaguarda na região que os possa acolher, a instituição acaba por mantê-los até à morte. Brito Rocha reitera que os lares são instituições de residência e não de acamados. “O seu objectivo sempre foi que as pessoas entrassem ainda capazes de conviver e de ter uma vida autónoma”.

Os serviços prestados têm custos elevados, que, por utente em regime de internato ultrapassam, em média, os 800 euros mensais. “Se tomarmos em consideração que o nosso orçamento é constituído pelas comparticipações da segurança social (cerca de 350 euros mensais por utente), a que se somam as parcas reformas da maioria dos utentes, torna-se fundamental uma gestão muito rigorosa, uma vez que além das despesas correntes, há que fazer face a situações inesperadas e urgentes como, por exemplo, avarias de maquinaria indispensável ao bom funcionamento da casa”, explica Francisco do Adro, administrador.
A melhoria das condições físicas tem merecido especial atenção da direcção, que em 2007 deu início à remodelação total das instalações. Só a parte exterior custou mais de 200 mil euros, integralmente financiadas com capitais próprios. Ao abrigo do programa MASES da Segurança Social, estão a decorrer as obras de remodelação interior, que devem ficar concluídas durante o próximo ano. O projecto está orçamentado em 420 mil euros.

Brito RochaBrito Rocha considera que, neste momento, na Covilhã, “toda a população sabe que o lar tem qualidade” e que “dá prioridade aos mais desfavorecidos”, muitos deles encaminhados pela Segurança Social.
Mas os planos não ficam por aqui. Em 2008, foi elaborada, juntamente com a Câmara Municipal da Covilhã, uma candidatura no âmbito do projecto “Covilhã XXI: parcerias para a regeneração urbana”, que prevê a recuperação e requalificação de uma casa, propriedade do Lar. O espaço vai permitir criar mais 15 camas, já que a procura é elevada.
Com 92 funcionários, o Lar de São José é também um dos grandes empregadores da cidade e, segundo Brito Rocha, muito conhecido, com vários sócios que são figuras públicas da vida política nacional, como sejam José Sócrates e António Guterres.

Texto e fotos: Milene Câmara

 

Data de introdução: 2010-09-08



















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