CENTRO POPULAR DE LAGOA

Pilar fundamental no apoio às famílias

Um jardim-de-infância, dois lares de idosos e um centro de dia e ainda o serviço de apoio domiciliário são as respostas que o Centro Popular de Lagoa oferece a um universo populacional que ronda as 20 mil pessoas em todo o concelho sito no Barlavento Algarvio. No total, a instituição apoia cerca de 400 crianças (110 em creche, 200 em pré-escolar e 80 em ATL) e mais de 150 idosos.
Como refere a presidente da Direcção, “o Centro Popular acaba por ser uma extensão da família, porque há idosos que têm os netos na instituição e, depois, muitos funcionários também têm filhos e pais na instituição…”.

Este ambiente familiar, natural numa comunidade que não é muito grande, é potenciado e promovido pelo convívio inter-geracional, que acontece especialmente em alturas como o Dia do Idoso, o Magusto de S. Martinho e o Carnaval, isto apesar de os espaços serem independentes, mas contíguos.
O monumental edifício onde estão instalados o Jardim-de-Infância «A Colmeia», o lar de idosos «O Nosso Ninho» e ainda o centro de dia ao primeiro olhar parece um enorme emaranhado de pisos, varandas e janelas, e foi a segunda casa do infantário, depois de este ter nascido, em 1975, numa velha casa recuperada com capacidade para 40 crianças. Foi, de facto, com «A Colmeia» que tudo começou e que, três anos volvidos, daria origem ao Centro Popular de Lagoa, cuja primeira reunião de Direcção data de 1981. Se o infantário pretendeu dar resposta a uma necessidade dos pais de Lagoa, que não tinham onde deixar os filhos para ir trabalhar, foi também a necessidade de encontrar um espaço onde os mais velhos pudessem passar os últimos anos com dignidade e em companhia que fez nascer o lar «O Nosso Ninho», também ele inicialmente instalado numa casa antiga, mas esta sem condições.

Em 1990 é construído de raiz, num terreno adquirido pela instituição, o edifício que alberga até hoje «A Colmeia», inicialmente para uma centena de crianças, para 11 anos mais tarde se erguer contíguo o prédio que hoje alberga o lar de idosos «O Nosso Ninho» e ainda o centro de dia. Contíguos mas funcionando separadamente, os espaços, para além dos 145 funcionários, acolhem ainda as cerca de 400 crianças e os 77 idosos que vivem no lar e ainda as três dezenas que frequentam o centro de dia. Já em 2003, numa parceria com o Instituto de Segurança Social, a autarquia lagoense e o Centro Popular surgiu nas instalações remodeladas do antigo Centro de Saúde uma Unidade de Apoio Integrado que serviria como uma espécie de hospital de retaguarda. Face ao recuo governamental, a instituição optou por transformá-lo em mais um lar de idosos («Lar de Santa Isabel»), uma das grandes necessidades do concelho, e que hoje acolhe 20 utentes, apoiados por 15 funcionários. Entretanto, o Centro Popular avançou para o Serviço de Apoio Domiciliário a 25 idosos, que não querem deixar as suas casas ou não têm vaga nos lares e que necessitam de auxílio.

Para além da grande funcionalidade e luminosidade do edifício-sede do Centro Popular de Lagoa, o espaço tem extraordinárias condições ao ar livre para que crianças e idosos possam desfrutar do clima algarvio. Um enorme jardim, que integra igualmente uma pequena horta, com diversos equipamentos para as crianças se divertirem e praticarem desporto complementam as boas condições de interior para um saudável crescimento dos petizes e um melhor final de vida dos idosos.

LISTA DE ESPERA PEDE MAIS UM LAR

“Neste momento temos uma dificuldade que é comum às outras instituições no País, uma vez que as mensalidades são pagas pelos utentes de acordo com o IRS e a situação de desemprego está generalizada a todo o País, pelo que temos uma série de pedidos de redução das mensalidades, porque as famílias estão a atravessar dificuldades muito grandes”, começa por referir Sandra Monteiro, acrescentando: “Depois, embora ainda não se sinta muito, a nossa autarquia tem vindo a fazer um esforço para ajudar, mas ela própria também tem algumas dificuldades de tesouraria que não lhe permite ajudar o desejável”.
A crise em que o País está mergulhado levanta problemas às instituições e o Centro Popular de Lagoa não é excepção.

“Esta casa nunca deu lucro, mas estamos a sentir mais dificuldades porque as famílias pedem mais ajuda. Temos uma série de crianças que neste momento já não pagam nada e não podemos pedir às famílias que retirem as crianças só porque não têm condições de pagar a mensalidade”, assevera a presidente da Direcção, no cargo há cinco anos, que sublinha: “Há algumas dívidas que são já incobráveis, porque as pessoas não conseguem pagar. Esta situação é crescente, porque há muitas pessoas que não têm nenhumas condições, muitas que vivem do RSI e são famílias numerosas com três e quatro filhos. E ainda há a situação dos idosos, cujas famílias não têm forma de compensar, pois a maior parte dos nossos idosos têm reformas muito baixas, na ordem dos 200 e poucos euros, e o custo real do utente ultrapassa os 1000 euros”.

E se a situação económico-financeira do concelho lagoense há poucos anos até era boa, com um rendimento acima da média, hoje a situação é complicada, devido ao crescimento do desemprego, muito sensível nos sectores da construção e do turismo.
“Neste momento temos duas grandes entidades patronais no concelho, que são a Câmara Municipal e o Centro Popular”, revela Sandra Monteiro, que confessa que a instituição não tem receitas para além “dos apoios oficiais da Segurança Social e da Autarquia e das comparticipações das famílias”.
Até há pouco havia alguns donativos de particulares, “designadamente de pessoas que têm os familiares no lar ou os próprios utentes”, mas essa realidade que acontecia com alguma regularidade, neste momento já não se verifica.

Às dificuldades financeiras que atingem um pouco por todo o lado as IPSS, João Lamy, director de serviços do Centro Popular e há 22 anos na instituição, acrescenta a falta de capacidade para receber mais utentes.
Actualmente, o grande desejo dos responsáveis pela instituição era ter mais um lar. “Face às necessidades, é fundamental avançar-se para uma rede de lares como se fez com o pré-escolar, porque as famílias não podem ficar em casa com os idosos e estes têm que ter um local onde ficar”, adverte, confessando: “A grande necessidade do Centro Popular era ter outro lar para dar respostas há muitas pessoas que temos em lista de espera. E depois há uma necessidade de funcionários para trabalhar com idosos, porque os ordenados são muito baixos e lidar com idosos é muito complicado. As grandes dificuldades são não termos capacidade de resposta para as necessidades e a falta de funcionários qualificados, e não falo em termos académicos, para trabalhar com os idosos”.
Refira-se que para a valência de lar de idosos, o Centro Popular de Lagoa tem uma lista de espera com 200 mulheres e 170 homens.

ULTIMATO OBRIGA A OBRAS DE 300 MIL EUROS

Para além deste desejo, a que de momento não há forma de dar resposta, a instituição está em fase terminal do seu grande projecto dos últimos tempos, as obras de requalificação e remodelação da parte do edifício que alberga «A Colmeia».
“Actualmente, temos as obras por terminar, porque tivemos que adequar as instalações por exigência da Segurança Social, por um lado, e do Ministério da Educação, por outro, e são obras que ultrapassaram os 300 mil euros de custo, para o que tivemos que recorrer à banca, um financiamento a três anos, mas só possível com a grande ajuda da Câmara Municipal”, sustenta Sandra Monteiro, recordando o ultimato apresentado à instituição: “A Câmara tem consciência da utilidade e da necessidade desta instituição e na altura a questão que foi colocada foi se conseguiríamos concretizá-lo, um risco que não podíamos correr… Em determinada altura foi-nos dito que ou fazíamos as obras ou a instituição fechava. É óbvio que sabemos que uma instituição destas não ia fechar, mas perante uma situação destas tivemos que nos mexer e expor à Câmara o que estava a acontecer”.

Face às exigências, “vimo-nos obrigados a fazer crescer a instituição para podermos manter o mesmo número de crianças”, refere a presidente, ao que Hugo Bernardo, director pedagógico do infantário, acrescenta: “Tínhamos seis salas de creche, agora temos sete e acabámos por melhorar a oferta, mas tivemos que, no mesmo espaço, ampliar a área. Um dos andares foi limpo de raiz e redimensionadas as salas”.
Para além das exigências com a dimensão das salas, houve que implementar o sistema contra incêndios.
“Já que íamos mexer, acabámos por mexer na infra-estrutura e adequámos algumas situações que nos permitem ter melhores condições. Quase que mexemos em tudo, faltando apenas o último piso e finalizar o projecto contra incêndio”, explica Hugo Bernardo.

INSTITUIÇÃO FUNDAMENTAL AO CONCELHO

Apesar das dificuldades em implementar as exigências estatais, a instituição, em parceira com a autarquia, não olhou a esforços para as implementar, até porque Lagoa, como referem os responsáveis pela instituição, “é difícil de imaginar” sem o serviço que o Centro Popular presta à população.
“Não imagino como seria Lagoa sem esta instituição… Por um lado, pela situação dos idosos, porque há outro tipo de repostas noutras freguesias, mas são coisas muito pequenas e com pouco utentes, e olhando para a lista de espera e para os utentes que aqui estão diria que era quase impossível. Para além disso, há a realidade dos meninos cujos pais não têm outra solução. Muitas famílias têm aqui dois e três filhos e é trazê-los às 8h30 e vir buscá-los às 19h00”, refere a presidente da instituição, acrescentando: “Há muitas crianças que vêm para esta casa sem o pequeno-almoço tomado. A maior parte delas, não por negligência dos pais, mas por dificuldades económicas”.

Neste capítulo, João Lamy faz uma ressalva: “Não se sentem as dificuldades que se sentem nos grandes centros urbanos, que têm que abrir escolas nas férias para servir refeições. Em Lagoa ainda não é assim, até porque, apesar de haver alguns casos graves, não há aquela gravidade que se tem falado noutros locais. Porém, a Lagoa sem este infantário significava que as pessoas não poderiam ir trabalhar”.
Já para a directora técnica do lar «O Nosso Ninho», Ana Luís Domingos, “é mesmo difícil de imaginar Lagoa sem o Centro Popular…”, e explica: “É que somos a única resposta de lar no concelho de Lagoa. No Apoio Domiciliário encontramos pessoas isoladas, não apenas geograficamente, mas que vivem completamente sós… Por vezes não é apenas levar a refeição, mas elas sentirem que há alguém que sabe delas e se preocupa”.

Por seu turno, Hugo Bernardo sublinha que «A Colmeia» é “uma referência a nível do concelho mas também do Algarve, pois não poucas vezes pessoas de outras instituições vêm beber do exemplo físico, de gestão, de gestão dos recursos humanos do Centro Popular…”, não deixando de referir que o Centro Popular é um grande empregador do concelho.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2011-07-08



















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