ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA 3ª IDADE DE FORTIOS

Banca trava sonho de ampliação do lar

Situada na base da Serra do Mata Amores, a freguesia de Fortios, concelho de Portalegre, situa-se a noroeste da Serra de S. Mamede, em pleno Alto Alentejo. Distando meia dúzia de quilómetros da sede de concelho, Fortios é hoje, ao contrário de outros tempos, um dormitório de Portalegre, o que começa a alterar as características sócio-económicas da população. Se há poucas décadas a população vivia essencialmente do amanho da terra, hoje a trabalha em Portalegre, em especial nos sectores secundário e terciário.

As características populacionais de Fortios, um pouco como por todo o Alto Alentejo, são marcadas pelo envelhecimento crescente e pelos fracos recursos de pessoas que fizeram as suas vidas no trabalho agrícola e que hoje auferem reformas muito baixas. Depois, a forte emigração, especialmente para França e Suíça (actualmente o principal destino), e a forte migração para Lisboa acabam por deixar os mais velhos sem retaguarda familiar, o que levou, há quase duas décadas, a população a unir-se em torno do projecto de criação da Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios.

No dia 28 de Fevereiro de 2012, a instituição alentejana atinge a maioridade, assinalando 18 anos de actividade.
“Esta instituição nasceu da vontade do povo, que se organizou e construiu o edifício onde o Lar funciona ainda hoje e sem qualquer tipo de apoios oficiais”, conta Manuel Domingos Chagas, presidente da IPSS, adiantando: “O povo fez donativos, outras instituições também ajudaram e a população trabalhou bastante para pôr isto de pé”.

AMPLIAR PARA MELHOR SERVIR

E se a obra erigida pela população tem dado uma ajuda preciosa aos idosos de Fortios, é desejo dos seus responsáveis alargar essa resposta, tendo já o projecto de ampliação do lar residencial aprovado.
“Naquela altura ainda havia homens de boa vontade, hoje já não é assim”, refere o líder da instituição, explicando o sentido da sua afirmação: “Digo isto porque pretendemos fazer a ampliação do lar, pois temos cada vez mais solicitações. Temos o projecto aprovado pelo INAlentejo, temos a respectiva tranche financeira para fazermos a obra, mas não estamos a conseguir o restante financiamento junto da Banca”.
Manuel Domingos Chagas, que recentemente tomou posse como presidente da Mesa da Assembleia da novel UDIPSS de Portalegre, apesar do entusiasmo em torno do projecto, mostra-se bastante preocupado, deixando um lamento: “Este projecto pode cair pela base. Já falámos com todos os bancos, mas ainda não conseguimos desbloquear a situação. Foram tantos anos de luta para levar este projecto avante e agora não conseguimos o financiamento necessário”.

O projecto de ampliação do lar não tem tido vida fácil, pois, após três recusas, só à quarta tentativa foi aprovado pelo INAlentejo.
“E agora deparamo-nos com esta crise, da qual não temos culpa nenhuma, mas em que estamos a levar por tabela. Provavelmente, esta crise poderá não nos deixar concretizar um sonho que tanto trabalho já nos deu”, lamenta.
O alargamento do lar residencial, que actualmente alberga 41 utentes, daria resposta a mais 25 idosos, a saírem de uma lista de espera de mais de uma centena de inscritos.

E as 25 vagas a criar com a ampliação do lar, poderiam (ou poderão!) ser ainda mais, por via da alteração legislativa anunciada pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, no âmbito do Programa de Emergência Social.
“Essa medida tem muito de humano e facilita o apoio a mais pessoas. Se conseguirmos fazer a obra que desejamos, não serão apenas 25 as vagas, pois com as alterações introduzidas é muito possível alargarmos o número para 30 vagas, pelo menos”, sublinha o presidente da instituição.

COMBATE AO DESEMPREGO

Ampliar do lar residencial é “o grande anseio, desafio e projecto” dos responsáveis pela Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios, apesar de o futuro ser bastante sombrio.
“Se 2012 não trouxer abertura ao financiamento às empresas e às instituições, a economia local, regional e nacional vai sofrer bastante. Mesmo sem a ampliação do lar, a nossa instituição tem autonomia financeira para viver até à retoma da economia, mas há outras que não têm e, depois, o desemprego continua a crescer na nossa região. Apesar da quebra do número da população, o desemprego é crescente”, avisa Manuel Domingos Chagas.

De facto, a instituição de Fortios insere-se numa região que vem perdendo bastante população a cada ano que passa, registando ainda um forte envelhecimento. Daí que o apoio aos idosos é, como o foi há 18 anos aquando da criação da Associação, a grande preocupação das gentes da região do Alto Alentejo.
“Nos últimos 10 anos perdemos mais de nove mil habitantes e, neste momento, a esperança de vida na região aumentou, o que parece um paradoxo. Aqui vive-se mais tempo e isso, por um lado, é bom, mas também levanta problemas, porque a nossa resposta é limitada e as necessidades são cada vez maiores”, argumenta o presidente da instituição de Fortios, que acrescenta: “Temos cada vez mais pessoas a bater-nos à porta a solicitarem ajuda”.

Numa região envelhecida e com índices de desemprego crescentes, o papel das IPSS, segundo Manuel Domingos Chagas, é de importância vital.
“Devia olhar-se um pouco mais para o Terceiro Sector, porque, na nossa região, as IPSS empregam mais pessoas do que as próprias autarquias. Sabemos que as Câmaras, devido aos votos, dão trabalho a muita gente, por vezes, sem terem necessidade, mas nestas casas cria-se muito emprego e até se devia empregar mais gente, porque as que estão já trabalham bastante”, defende o presidente da IPSS de Fortios, sublinhando: “Esta é a realidade e demonstra a importância das IPSS, também nesta vertente. Se conseguirmos levar avante o nosso projecto será muito bom, não apenas pelo apoio a mais gente, mas também pelo número de postos de trabalho que criaríamos”.

APOIO TAMBÉM À INFÂNCIA

Para além da valência de lar residencial, actualmente com 41 utentes, a Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios tem ainda resposta em Centro de Dia (15 utentes) e Serviço de Apoio Domiciliário nos sete dias da semana (31 idosos).
Mas não é apenas a terceira idade que encontra resposta na instituição de Fortios. Os 41 funcionários que ali trabalham servem ainda 16 crianças em creche e mais 17 em pré-escolar, no Infantário «Os Traquinas», há 12 anos na alçada da instituição.

“A creche funcionava na Casa do Povo e era da responsabilidade da Junta de Freguesia, mas a falta de condições a vários níveis levou a que a Segurança Social fizesse um acordo com a Associação e, então, assumimos nós essa valência”, explica Teresa Sá, a directora técnica da instituição.
Apesar das dificuldades que o País enfrenta, tal como muitas das IPSS espalhadas pelo País, e de estarem inseridos numa das mais pobres regiões portuguesas, o principal responsável pela Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios afirma com orgulho que “felizmente, a instituição não tem necessidades financeiras”, isto, apesar de os utentes serem pessoas de fracos recursos, cujas “reformas rurais são pequenas”.

“Quando há sete anos chegámos à Direcção isto estava de pantanas. Quando tomámos posse no início de 2005 não havia dinheiro para pagar os salários. Ainda nesse mesmo ano, conseguimos pagar os salários e os subsídios de férias em Junho e ainda fizemos obras de melhoramento no infantário, orçadas em 40 mil euros”, recorda Manuel Domingos Chagas, deixando um recado: “Se todos os nossos colegas fizessem uma gestão criteriosa como nós, as situações nas IPSS não seriam tão graves”.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2011-12-11



















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