OPINIÃO

Erros de comunicação

Um bom político não tem de ser, necessariamente, um grande comunicador, mas um mau comunicador muito dificilmente poderá ter êxito na vida política. A experiência confirma que, na hora de escolher, a capacidade de comunicação de um qualquer candidato, entendida esta no seu sentido mais amplo, é quase sempre o factor que mais pesa na escolha de um eleito, na escolha e na manutenção da sua fidelidade partidária e pessoal.

A experiência ensina também que algumas das crises que abalam governos, ou fazem perigar relações internacionais, têm a sua origem num qualquer problema de comunicação, quase sempre relacionado com uma palavra mal escolhida ou descontextualizada. Basta ter em conta a frequência dos desmentidos ou o número de rectificações a que muitos políticos se sentem obrigados, a fim de “esclarecer” o verdadeiro sentido de algumas da suas afirmações. Certamente que a capacidade de comunicação está longe de esgotar o rol das qualidades necessárias a um bom político, mas sem essa capacidade, as outras arriscam-se a não serem conhecidas.

É verdade que o êxito dessa qualidade é sempre temporário. Os eleitores também se cansam de tanta capacidade e, a partir de determinada altura, começam a ter dúvidas sobre se uma tal característica não passará de uma técnica de manipulação, sobretudo quando descobrem que uma boa comunicação não chega, só por si, para resolver os seus problemas.

Vem isto a propósito de uma afirmação feita, há dias, por Barak Obama no decurso de cerimónia pública de homenagem a um antigo militar polaco que foi a primeiro soldado do seu país a denunciar o comportamento do exército alemão durante a segunda guerra mundial. Ao evocar a coragem deste oficial, o presidente referiu-se, de passagem, aos campos de concentração nazis como “campos de morte da Polónia”, o que provocou uma reacção indignada dos habitantes deste país que exigem agora uma explicação clara do presidente norte-americano sobre essa afirmação. Certamente que ninguém acusa Obama de atribuir à Polónia a responsabilidade pela construção desses campos, mas há que reconhecer que, do ponto de vista literário, a expressão foi ambígua e infeliz.

Há quatro anos, Obama venceu as eleições presidenciais norte-americanas, por várias razões, entre as quais teve um peso decisivo o seu poder de comunicação. Acresce ainda o facto de o presidente ter sempre à sua disposição um conjunto de especialistas, encarregados de elaborar os seus discursos. Mesmo assim, o presidente não deixou de cometer um erro grave de comunicação.

 

Data de introdução: 2012-06-21



















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