OBRA DIOCESANA DE PROMOÇÃO SOCIAL, PORTO

Meio século de serviço ao próximo… com amor

É, provavelmente, a maior IPSS do País com cerca de 2.400 utentes, 380 funcionários, espalhada por toda a cidade do Porto, com presença efectiva em 12 bairros sociais, com respostas para a infância e a terceira idade. A Obra Diocesana de Promoção Social (ODPS) é um dos esteios das comunidades mais desfavorecidas da cidade Invicta, numa acção iniciada há 50 anos no Bairro do Cerco do Porto.
O meio século de vida que este ano se assinala na instituição vai ser marcado pelo lema «50 Anos de Serviço ao Próximo, com Amor», cujas celebrações tiveram abertura oficial no dia 2 de Janeiro com actividades simultâneas em todos os espaços ODPS. O evento foi promovido pelo Centro Social do Carriçal, responsável pelas comemorações no mês de Janeiro.
São 12 meses, 12 centros sociais, pelo que cada Centro Social é responsável pela dinamização das actividades de um mês e em que todos os outros centros participam.
“Os 50 anos é um marco único na vida de qualquer pessoa e de qualquer instituição, pelo que decidimos 12 meses/12 centros, 50 anos/50 actividades. Lançámos o desafio a todos os colaboradores, sem distinguir categorias profissionais, demos um tema que está a ser desenvolvido em toda a Obra, que é transversal a todos os espaços, mas em cada mês um dos centros sociais é o responsável. «50 anos/50 actividades»… felizmente temos colaboradores criativos e inovadores e já conseguimos ultrapassar as 70 actividades programadas”, afirma orgulhoso Américo Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da ODPS, acrescentando acerca do programa de comemorações: “Há iniciativas transversais à Obra, como recolha de latas, o correio amigo, «50 anos/50 vasos», a carta de gratidão, «50 anos/50 testemunhos» e um reforço da imagem institucional”.
A Obra Diocesana actua nos palcos mais difíceis da cidade. Bairros sociais, com todos os problemas e idiossincrasias próprias destas comunidades, de baixos recursos…
Em 1961 era inaugurado o Bairro do Cerco do Porto e três anos volvidos a ODPS estava a abrir o seu primeiro Centro Social. Hoje é uma dúzia de equipamentos com respostas sociais que vão da creche (330 utentes), pré-escolar (558) ao ATL (328), na área da infância, e do Centro de Dia (285 utentes), Centro de Convívio (265) ao Serviço de Apoio Domiciliário (485) na área da terceira idade. Para além disto, pelo CAFAP do Centro Social de S. Tomé são apoiadas uma centena de famílias e através da Cantina Social, entretanto criada e que funciona na cozinha central deste Centro, são servidas 200 refeições diárias.
“50 anos numa instituição como esta é significativo e cuja génese foi rica em valores, em empreendedorismo, em serviço, em dedicação, em amor ao próximo, mas carente de material, de espaços e cheia de dificuldades. Estando aqui há nove anos, imagino o que aqueles voluntários tiveram que fazer para naquela altura fazerem nascer esta instituição. Nasceu no povo e nasceu no povo solidário, que nestes 50 anos têm dado lições de cidadania, de como nós pessoas da cidade do Porto, mas não só, temos que cumprir com o nosso dever de cidadania, que é ser solidários. E nesta casa vive-se a solidariedade, não só através de cada profissional, mas também através do sorriso que cada pessoa dá dentro e fora dos espaços da Obra”, sustenta Américo Ribeiro, que vai no quarto mandato como presidente, e que não se coíbe de prestar o elogio público aos colaboradores da instituição: “O maior enriquecimento que a Obra tem é a cultura de pertença que existe nos seus funcionários. Ter orgulho, vaidade e entusiasmo e ser profissional”.
Presente em bairros sociais do Porto com muitas carências, para o presidente da instituição “o maior enriquecimento que a instituição tem é o que os colaboradores levam, que é amor e dedicação, carinho e afecto a muitas famílias”.
E a entrega e o sentido de pertença dos funcionários é, por exemplo, demonstrada no projecto «Fazer sorrir a solidão», em que os voluntários são os próprios funcionários da Obra Diocesana, que terminado o horário de trabalho às 18h00 o prolongam, em regime de voluntariado, até às 20h00, “visitando idosos, a quem vão dar o último medicamento, a última muda da fralda, a última refeição e isto é transversal a toda a Obra”. Dos 380 funcionários, 100 integram esse corpo de voluntários, “o que já é excelente”.

GESTÃO RIGOROSA

A dimensão da instituição obriga a uma gestão muito criteriosa, até porque, como refere Américo Ribeiro, a ODPS “é uma IPSS, eventualmente, com um orçamento superior a muitas empresas, com um orçamento de 7,5 milhões de euros”, pelo que “gerir esta instituição exige disciplina, rigor, assertividade, métodos de trabalho e exigência, porque é quase uma empresa privada”.
Assegurar a sustentabilidade da instituição é fundamental para que possa continuar a sua acção. E a história confirma-o.
“A Obra Diocesana passou por uma fase muito difícil, porque inicialmente cada Centro Social geria-se a si próprio. Quando isto entrou em crise económico-financeira a própria Diocese teve que actuar. Isto passou-se sensivelmente há 15 anos. Fez-se, então, a reestruturação da casa e agora a Obra está imparável”, recorda Américo Ribeiro, considerando que, actualmente, a maior receita da instituição é o rigor na despesa: “Há um grande rigor nos gastos. A inovação, a cooperação e o empenhamento são três valores que temos e que são aplicados diariamente e, claro, a qualidade e a criatividade. E o rigor é a arma número um que uma IPSS tem. A gestão tem que ser rigorosa e hoje é imparável… A grande receita da instituição, o que a tornou sustentável foi a gestão criteriosa dos recursos humanos e das compras”.
Com o seu raio de acção centrado em bairros sociais camarários, a ODPS tem, segundo o seu presidente, uma relação de “excelência” com a Câmara Municipal do Porto: “Todos os espaços da Obra são da Câmara e desde que cá estou nunca mais recebemos apoio em dinheiro, mas em obras nos equipamentos. E assim refizemos e reformulámos todos os espaços possíveis com a verba de 200 mil euros/ano. Somos nós que dizemos à Câmara que obras queremos até esgotarmos aquela verba”.
Aliás, a reformulação dos equipamentos onde a Obra desenvolve o seu trabalho foi a prioridade das Direcções presididas por Américo Ribeiro: “Quando vim para cá, a Obra já estava numa situação estável, então, no nosso primeiro mandato fizemos um grande esforço e reformulámos todos os equipamentos, sendo que hoje apenas o do Lagarteiro e de Pinheiro Torres estão mais carentes, mas já estamos em conversações com a Câmara para colocar os espaços com condições de habitabilidade, em que os profissionais se sintam motivados”.

RESIDÊNCIAS DE S. JOSÉ

Nesse sentido, os responsáveis da pela instituição olham o futuro com optimismo e sentido empreendedor, dando seguimento ao que foram os primeiros 50 anos de vida da ODPS. Há novos projectos a fervilhar e muita vontade de os concretizar.
“No futuro queremos criar outra cozinha central para a zona Ocidental, provavelmente na Fonte da Moura ou aqui na Pasteleira, mantendo-se a de S. Tomé para a zona Oriental e Central da cidade. Esse vai ter que ser o futuro, por causa da hora da entrega das refeições”, começa por revelar o presidente da instituição, acrescentando: “Queremos criar um Centro Social de raiz no Lagarteiro, que está prometido há três anos e onde já há um terreno cedido pela Câmara. Pretendemos avançar também em Pinheiro Torres, mas desde que a autarquia nos ceda um terreno”.
No entanto, a Obra Diocesana tem um desafio ainda maior e que passa pela recuperação de um equipamento desactivado e que é património da Obra por doação da Diocese.
“Nas antigas Oficinas de S. José queremos criar as Residências de S. José. Esta é a componente que falta a esta instituição e que, assim, terá uma vertente social para acolher cerca de 100 idosos e uma vertente rentável, com 22 quartos para pessoas com condições para pagar e que servirá para ajudar a componente social. Isto é um projecto que rondará os cinco milhões de euros e que precisa de portas abertas… Para isso é necessário que várias entidades se abram a este projecto. Já temos um ante-projecto, mas precisamos de portas abertas para nos candidatarmos a fundos comunitários. Precisamos de apoios institucionais”, argumenta Américo Ribeiro, que revela ainda um outro desejo desta Direcção: “Temos aqui espaços para os quais pensamos pequenos projectos, mas que são enormes, como fazer aqui no espaço da Pasteleira um Centro de Dia para doentes de Alzheimer, que temos muitos na Obra. São obras pequenas, mas têm sempre custos, mas que são sempre compensados com o bem que fazemos. E isto é um projecto transversal à Obra. Não é segregar os idosos, como já me disseram, porque o doente de Alzheimer precisa de ter o seu espaço próprio, pessoal especializado a trabalhar com ele e é nisso que queremos apostar”.

RESPEITO PELAS IPSS

Ainda sobre o futuro, Américo Ribeiro considera que “a maior dificuldade que quer a Obra, quer qualquer IPSS poderá vir a enfrentar é o Estado deixar de cumprir com as suas obrigações”, ou seja, “que o Estado deixe de prestar o serviço, através das IPSS, que presta à sociedade”.
O líder da ODPS deixa uma crítica forte a quem não reconhece o crucial papel que as IPSS têm na sociedade.
“O Estado não deve perseguir as IPSS. Basta analisar o que o Estado fez ao retirar os ATL às IPSS, isso foi perseguição e não deve ser feito. Não há ninguém que tenha a cultura profissional dos funcionários das IPSS”, sublinha, acrescentando: “Nós temos um papel social importante, não só para o exterior, mas também para o interior da Obra, em que apoiamos mais de 60 colaboradores, com alimentos, roupa, calçado”.
Para Américo Ribeiro, a maior virtude da ODPS é a “dádiva das pessoas, o amor que as pessoas levam aos clientes, há crianças que o único afecto e carinho que recebem é na instituição”, considerando ainda que, “sem a estrutura que a Obra tem neste momento, a situação nos 12 bairros em que intervém seria uma tragédia completa”.
As comemorações do 50º aniversário da ODPS prossegue este mês de Fevereiro com diversas iniciativas dinamizadas pelo Centro Social do Cerco do Porto, onde tudo começou em 1964.

12 MESES, 12 CENTROS

Em cada mês um Centro Social é o dinamizador das actividades relacionadas com a celebração do meio século de história da instituição, tendo cada um deles um lema.

Janeiro – CS Carriçal
«Qualidade: a grande meta do bem servir»
Fevereiro – CS Cerco do Porto
«A ODPS celebra a vida pelas vidas»
Março – CS Fonte da Moura
«Inovação Social: um caminho, um horizonte»
Abril – CS Rainha Dª Leonor
«Cooperação: a aliança entre todos e para todos»
Maio – CS S. João de Deus
«Maria, beleza e afectividade»
Junho – CS S. Roque da Lameira
«Os Santos Populares – toada e cor da Alegria»
Julho – CS S. Tomé
«Empenhamento: uma manifestação de amor»
Agosto – CS Machado Vaz
«Compromisso pela excelência do servir»
Setembro – CS Pasteleira
«A transparência pela exaltação da verdade»
Outubro – CS Pinheiro Torres
«Responsabilidade, a insígnia do serviço»
Novembro – CS Regado
«Personalização: singularidade, pluralidade e serviço»
Dezembro – CS Lagarteiro
«Natal, o presente do amor e da reflexão»

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2014-02-10



















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