ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

A nova guerra do Iraque

Há já algum tempo que o Iraque é palco de uma nova guerra. Quando as últimas tropas norte- americanas deixaram oficialmente este país, já lá vão tês anos, ninguém acreditou que os iraquianos iriam começar a viver um novo tempo de paz. As operações militares tinham acabado, mas o espírito de violência que tão profundamente marcara a sociedade durante os anos de guerra permanecia vivo, à espera de qualquer pretexto para explodir. E esse espírito explodiu mesmo, protagonizado embora por novos actores. A luta contra o estrangeiro, invasor e infiel, deu lugar a uma guerra civil feroz, despoletada por um grupo fanático de sunitas comprometidos com a destruição do actual governo xiita do país e com a fundação de um novo estado que já tem nome, e cujo território se estende até dentro da Síria. É o Estado Islâmico do Iraque e Levante, designado pela sigla EIIL, ou ISIS no acrónimo inglês.

Apegados ao grande princípio da democracia, segundo o qual o poder só tem uma fonte - as de eleições - os americanos tiveram de permitir que os seus grandes inimigos no Iraque, os xiitas, assumissem a governação do país, porque, sendo a etnia maioritária, venceram as eleições: as legislativas e as presidenciais. No período que mediou até à retirada definitiva das suas tropas, tudo fizeram para que os novos governantes do Iraque pudessem usufruir de condições suficientes para garantir a ordem e a estabilidade social do país. Era claro, no entanto, que isso não iria acontecer. O presidente xiita, Al Malik, não soube ou não foi capaz de dividir o poder entre as diversas comunidades com a prudência e a diplomacia indispensáveis. A comunidade sunita, habituada a usufruir e a controlar esse poder durante o consulado ditatorial de Sadam, sentia-se injustiçada, e não escondia o seu sentimento de revolta contra os novos senhores de Bagdad.

Foi relativamente fácil à Al Qaeda, mesmo numa situação de fragilidade decorrente do desaparecimento do seu fundador, aprofundar a sua intervenção no Iraque. Isto, até ao momento em que o seu braço armado no país, a Frente Al Nusra, decidiu pôr em causa a liderança do sucessor de Bin Laden, o egípcio Al Zawari. Aquele grupo reivindicou para si a responsabilidade de dirigir uma verdadeira djihad, cujo grau de militância e de violência ultrapassaria os níveis de qualquer “guerra santa”. Os seus comandantes fazem questão de publicitar os êxitos que vão alcançando, a um ritmo que surpreende e põe em causa as alianças tradicionalmente em vigor no Médio Oriente. Assim, os sinais de aproximação entre os Estados Unidos e o Irão começam a gerar sentimentos de desconfiança na Arábia Saudita e podem ter efeitos inesperados.                  

 

Data de introdução: 2014-07-10



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

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