ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Um ano do pior e do melhor

Ano após ano, os homens vão construindo, com maior ou menor êxito, a história do mundo. Conscientes disso, e numa altura em que 2016 já passou, apetece perguntar se este terá sido um ano para esquecer ou para recordar. Referimo-nos, naturalmente, à história do mundo, independentemente da nossa história pessoal, embora uma não se possa separar totalmente da outra.

O ano de 2016 será para esquecer ou para recordar? A reposta a esta pergunta não será muito diferente das que demos noutras alturas, a propósito da chegada de um novo ano. Pensando em alguns dos anos que já passaram, parece que são fortes as razões para os recordar; pensando noutros, parecem em maior número os motivos para os esquecer, ou pelo menos para querer esquecer. O ano de 2016 pertencerá certamente a este grupo.

É verdade que, não obstante o agravamento das relações entre a Rússia e os Estados Unidos em 2016, não sofremos os horrores nem estivemos muito perto de uma terceira guerra mundial, que é sempre a mais temida das ameaças que pesam sobre a Humanidade. Mas no ano que terminou, muitos povos conheceram os efeitos de conflitos que, sendo embora locais ou regionais, tiveram consequências humanitárias e políticas que ultrapassaram largamente as fronteiras dos países em que tiveram lugar.

No final de 2016, vislumbravam-se já sinais do reacendimento dos conflitos tribais na República Democrática do Congo e noutras regiões africanas e parecem estar de regresso as tensões entre israelitas e palestinianos no Médio Oriente. É verdade que foi aprovado um cessar fogo na Síria, mas ninguém parece acreditar que seja para valer. E, sem um cessar fogo autêntico, a Síria continuará a fornecer as maiores vagas de refugiados na área do Mediterrâneo.

É verdade que a crise dos refugiados não teve início apenas em 2016, mas bem se pode dizer que ela marcou indelevelmente o ano que passou. Foi um ano que nos deixou um retrato fiel da Humanidade, no que esta tem do pior e do melhor. Do pior, se tivermos em conta que a maioria das desgraças que se abateram sobre a humanidade resultaram do fanatismo, da ambição, do orgulho, do ódio étnico e religioso, ou simplesmente da indiferença e da inconsciência dos homens, a começar pelos seus governantes. Do melhor, porque, apesar de tudo, no ano que passou, não faltaram exemplos e testemunhos de preocupação e de solidariedade para com as vítimas das tragédias provocadas pela loucura dos homens. Testemunhos protagonizados individualmente ou por associações de homens e mulheres, que lutam contra a indiferença, contra os preconceitos e contra os interesses imediatos de quantos se sentem ameaçados pelos novos “invasores”

Certamente que o melhor de 2016 será para recordar, mas o pior do ano que passou não é para esquecer. Até para que 2017 possa ser melhor.

 

Data de introdução: 2017-01-06



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Estado e Sociedade - complementaridade e cooperação
As relações entre o Estado e as diferentes Organizações da sociedade civil têm sido alvo de muitos debates, mas permanecem em muitas mentes algumas...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...