EUGÉNIO FONSECA

Acolhimento de Imigrantes apela ao nosso humanismo pátrio

A entrada de imigrantes, em Portugal, tem sido um dos assuntos mais presentes na agenda do país. Na abordagem política tem predominado mais a ideologia que a defesa incontornável da dignidade humana. Chega-se a aproveitar dos sentimentos a que pessoas mais sensíveis, e/ou menos esclarecidas, são muito vulneráveis. Refiro-me à insegurança e ao medo que ela arrasta consigo. Tudo o que é desconhecido suscita desconfiança e esta leva a uma postura de reserva. Quando se trata de pessoas de outras culturas, que contêm hábitos muito estranhos, e provenientes de países que não conhecemos, a falta de empatia cresce mais. Quando essas pessoas vêm de países em guerra ou pertencem a religiões que, como quaisquer outras, têm quem seja fundamentalista, e até se agregue para impor o seu pensamento, facilmente se passa do fundamentalismo religioso, ao terrorismo.  Não é um problema novo. Ele leva-nos para tempos antiquíssimos. Porém, como em tudo, “não se pode tomar pela árvore, toda a floresta”. Atualmente, os meios de comunicação são tantos e tão diversificados que permitem ser mais fácil ter conhecimento dos conflitos, que têm como promotores terroristas que, infamemente, utilizam o nome de Deus e se orientam por normas desrespeitadoras da dignidade e liberdade das pessoas. Há quem se aproveite deste tipo de grupos, da sua força maléfica e dos muitos crimes que já praticaram em alguns países europeus, para espalharem sentimentos de medo. Por falta de informação, de proximidade para se conhecer melhor os valores culturais e religiosos dos imigrantes que estão, em Portugal, refiro-me, sobretudo aos não europeus, tem vindo a crescer, entre os portugueses, sentimentos de medo, de intolerância, de violência que fomentam, em determinadas localidades do país, ações xenófobas e racistas.

Sou a favor de que haja uma planificação do acolhimento para que o país possa receber o número de imigrantes a quem assegure condições dignas de vida: habitação; trabalho; educação para as crianças e capacitação profissional para os adultos; acesso aos cuidados de saúde e de proteção social. Mas que o mesmo seja feito, proporcionalmente, por todos os países da Europa, mesmo os que não integram a União Europeia.  É preciso lembrar, o que estratégias populistas, nunca referem: que uma grande parte dos imigrantes trabalha; que em 2021, os descontos feitos para a Segurança Social representaram 8,5% do total das contribuições e, quanto ao ano passado, já correspondem a 12,4% o que totaliza cerca 3,6 mil milhões de euros. Já que estamos a abordar o valor económico das migrações, pois tem outras dimensões também muito ricas, num mundo globalizado como o nosso, é bom saber que, em 2024, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo – AIMA - arrecadou mais de 46 milhões de euros em receitas próprias, provenientes de taxas, multas e outras penalidades. Para 2025, está previsto juntar um montante muito superior[1].

Reitero que concordo com uma estratégia bem planificada. Se é verdade o que se tem dito, quanto à implementação de maiores restrições no “reagrupamento familiar”, já me parece que se pode estar a dificultar a integração do imigrante só. Bem sabemos os problemas pessoais que são causados pela solidão na produtividade laboral, no abuso do álcool… a solidão foi sempre uma má conselheira. No dia em escrevo este texto, está o Conselho de Ministros a deliberar sobre esta e outras matérias relacionadas com as migrações em Portugal. Espero que o respeito pelos direitos humanos não seja esquecido. Porque, se não for por motivações criminosas - essa matéria compete às Forças Segurança nacionais e internacionais - quem se sente forçado a sair do seu país, se for por razões de perseguição política ou religiosa, é um refugiado e não um imigrante. Esta demanda outro lugar no mundo para fugir da morte, porque o seu país está a ser dilacerado por uma guerra ou para procurar melhores meios de subsistência e, assim, possa ter uma vida com um pouco mais de dignidade.

É conveniente criar um planeamento nacional de acolhimento de imigrantes, mas estou convencido que não se conseguirá acabar com os que chegam indocumentados, vítimas de um dos maiores negócios mundiais que é o tráfico humano. O Mediterrâneo, que tem sido um autêntico “cemitério” para milhares de imigrantes, é uma evidência de que, quando está em risco a sobrevivência, vai-se até ao limite de pôr em causa a própria vida. Que se comece a pensar já em Centros de Acolhimento humanizados para estes imigrantes até à sua repatriação.

Na próxima edição, retomarei este assunto e os desafios que se colocam às IPSS.

 

[1] Cf. /httpss://aima.gov.pt/media/pages/documents/3e6f75fc7d-1724776871/0e2024-mapa-ac-do-min02-orcamento-aima.pdf

 

Data de introdução: 2025-07-10



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

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