PADRE JOSÉ MAIA

"Ó Pátria sente-se a voz..."

O nobre povo, que somos nós, após anos de troika e duras medidas de austeridade, começava a celebrar boas notícias de milhares de novos empregos que se têm criado, de indicadores económicos ao melhor nível dos países europeus, de um turismo que vai espalhando milhares de pessoas por todas as nossas cidades e até pelo interior, deixando em grandes e pequenas superfícies comerciais largos milhões de euros que permitem o aumento do poder de compra de tanta gente que estava faminta de negócios para poder equilibrar as suas balanças familiares! A reversão de muitas medidas tomadas em tempo de crise repercutiu-se num aumento assinalável de poder de compra de muita gente. Governantes e governados viviam tempos de alguma euforia e confiança no presente e no futuro!

Porém, no passado mês de outubro, que ficará na nossa história como o outubro mais quente nos últimos 87 anos, fez-se sentir a voz, a dor e a tristeza de milhões de portugueses ao verem as imagens lancinantes de concelhos inteiros a arder e a obrigar milhares de portugueses a lutar pela sua sobrevivência e pela defesa das suas casas e bens!

Ninguém queria acreditar que o lendário pinhal de Leiria pudesse ter sido também pasto das chamas. Mas foi! A comoção tomou conta do país que ainda celebra o luto de tantos mortos, de tanta destruição!

Uma Pátria como a nossa, que tantos mundos deu mundo, que sempre valorizou e desenvolveu o chão do interior, dos campos onde se cultivava o pão e o vinho, se construíram casas de afetos e berços familiares que geravam vida, mantinham escolas, centros de saúde, casas do povo e outros equipamentos de proximidade, se foi transformando, progressivamente, num interior desertificado exposto a desumanidades para com as pessoas,  sobretudo idosas, sem acesso aos mais elementares direitos de cidadania e a destruição da natureza que, por  abandono, se transforma em presa fácil de incêndios que tudo destroem!

Será que “Deus terá escrito direito por linhas tortas” ao permitir que tanta dor, tanto abandono de pessoas, concelhos inteiros, tenham servido para despertar a nossa consciência coletiva para a solidariedade nacional, a coesão territorial e social, para fazer compreender aos decisores políticos que Portugal não é apenas o litoral?

 

Data de introdução: 2017-11-09



















editorial

O TRIÂNGULO DA COOPERAÇÃO

A consciência social, aliada ao dever ético da solidariedade, representa uma instância suprema de cidadania, um compromisso inalienável para com os mais vulneráveis e em situação de marginalidade, exclusão e pobreza.

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opinião

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