JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

As IPSS serão cada vez mais importantes

Acredito que as Instituições Particulares de Solidariedade (IPSS) vão ter uma importância acrescida no futuro e explico a razão desta minha convicção. 

Parte desta ideia resulta da forma como vejo a evolução da sociedade no nosso tempo. Assistimos ao falhanço de duas experiências fundamentalistas. Falhou o estatismo e falhou o fundamentalismo de mercado. Se no fim do século passado caiu o muro de Berlim, no início deste século a crise recente demonstrou o fracasso das teses liberais ou neoliberais, dado que ficou provado que os mercados deixados à sua sorte não são capazes de se auto regular.

Nunca como hoje foi tão necessário apelar que a política seja construída na base de princípios éticos, apoiados num pragmatismo inteligente e flexível. Nunca como hoje foi tão necessário conceber uma política social que concilie a máxima liberdade com a máxima responsabilidade.

Neste quadro, as IPSS são um fator de esperança com vista a uma sociedade mais justa e, também por isso, mais desenvolvida, desde logo porque são portadoras de um projeto baseado em valores éticos essenciais, têm por princípio a primazia da pessoa e os seus objetivos são, prioritariamente, de natureza social.

De há muito que tenho a opinião que a maior parte dos graves problemas sociais que vivemos precisam muito de soluções locais. 

A possibilidade de se poder inovar e conseguir obter soluções diferenciadas e adaptáveis às características dos reais problemas, que são muito diferentes, de caso para caso e de região para região, é a forma mais correta de desenvolver componentes muito importantes das políticas sociais. As IPSS sabem fazer isto muito bem.

Sendo a atitude das IPSS a procura do chamado “bem comum” isso significa também uma opção de vida, através da qual os seus dirigentes assumem responsabilidades que se traduzem numa dádiva de serviço a favor dos outros.

Para além da superioridade de espírito que tal opção revela, a sua utilidade social está para além do serviço que é prestado.

Com efeito, através desta opção de vida identificam-se necessidades emergentes, que só um espaço de liberdade espiritual, de responsabilidade cívica e de uma ligação muito direta ao terreno pode proporcionar. 

 

Data de introdução: 2019-05-09



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...