FERMELINDA CARVALHO, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PORTALEGRE, E A FESTA DA SOLIDARIEDADE 2023

É um evento importante para o concelho e as nossas IPSS vão sentir-se valorizadas

Depois de Viana do Castelo em 2022, a 16ª edição da Festa da Solidariedade desce no mapa de Portugal até ao Alto Alentejo e, no próximo dia 14, assenta arraiais em Portalegre.
“Ficamos gratos por se lembrarem de Portalegre e faz todo o sentido, até porque já aconteceu em quase todas as capitais de distrito”, considera Fermelinda Carvalho, presidente da Câmara Municipal de Portalegre, relevando a importância do evento para o concelho que lidera.
“É importante para o concelho, mas também para as nossas IPSS, que vão sentir-se valorizadas, e também para as IPSS a nível nacional. Sendo um evento nacional, é importante para Portalegre”, afirma, acrescentando: “Estas regiões acolhem sempre muito bem estes eventos. Quando nos batem à porta a dizer que querem realizar um evento desta natureza, nós dizemos que sim e estamos cá para apoiar. Temos muitas IPSS, que fazem um trabalho muito importante, portanto, é importante para nós e estou certa que vai trazer muita gente”.
Com uma forte ligação ao Sector Social Solidário, pois integra os órgãos sociais de três IPSS, duas no concelho de Portalegre e uma outra em Arroches, onde já foi edil, Fermelinda Carvalho chamou a si o pelouro da Ação Social, pela “grande ligação” e conhecimento que tenho do sector.

SOLIDARIEDADE - Foi essa ligação às IPSS que a fizeram chamar a si o pelouro da Ação Social?
FERMELINDA CARVALHO - É um pelouro importante, somos uma equipa pequenina e temos que dividir os pelouros. Sendo os meus vereadores mais inexperientes nestas funções de autarca, porque ainda não as tinham tido, e como estávamos a assumir uma série de competências, achei que deveria ser eu a ficar com esse pelouro, até porque tenho esta grande ligação às IPSS, conheço o terreno e tenho alguma sensibilidade para a questão dos idosos.

E que retrato traça do Sector Social Solidário no concelho de Portalegre?
Temos várias IPSS e temo-las em todas as freguesias, que fazem um trabalho extraordinário e fundamental, tanto na sede de concelho como nas freguesias rurais. Hoje em dia, as IPSS vivem com muitas dificuldades, os tempos são difíceis para elas, com tudo aquilo que uma IPSS precisa, seja alimentação, energia e outros, os preços estão em montantes muito elevados e, por seu turno, o Ministério da Segurança Social não tem adequado e aumentado as comparticipações às IPSS. Depois, as reformas também não têm aumentado muito, portanto as IPSS também não podem subir muito o preço que cobram aos utentes. Por isso, vivem com muitas dificuldades. Fazem um trabalho extraordinário, todas fazem o que podem, dirigidas por pessoas voluntárias, o que é de louvar.

Quais as questões sociais que mais a preocupam no concelho?
Sinto muito a questão dos idosos, porque eles têm mais dificuldade em se defender e em procurar ajuda. Quantas e quantas vezes, há idosos que estão nas instituições, mas fazem um esforço enorme para poder lá estar. Também me preocupam todas as pessoas que não têm saúde e não podem trabalhar. Hoje, em Portalegre, uma pessoa que esteja na sua fase de vida ativa e quiser trabalhar, trabalha. Há muita falta de mão-de-obra. Não pode escolher o trabalho, mas isso acontece a todos e, por vezes, temos que fazer outras coisas para chegar ao que queremos. Arriscava-me a dizer que, hoje, em Portalegre, todas as pessoas que queiram trabalhar e tenham saúde, podem fazê-lo. Não há, praticamente, desemprego em Portalegre. Há é muita falta de mão-de-obra em determinados sectores. E preocupa-me quem, por falta de saúde ou alguma deficiência, viva com poucos rendimentos. E, claro, que me preocupam as crianças, se não tiverem suporte familiar.

O distrito de Portalegre, segundo os Censos 2021, foi o distrito que mais população perdeu. Provavelmente, o concelho de Portalegre não é dos mais afetados, mas seguramente também terá perdido população. Apesar desta realidade, qual a situação da Creche Feliz aqui no concelho? Também há falta de lugares em creche, à semelhança do resto do país?
As vagas que temos em creche não sobram. Há muita procura e, por vezes, os pais não conseguem colocar os filhos onde querem. O que tenho sabido é que, mais ou menos, vai-se conseguindo encontrar resposta. Nestes territórios também nos deslocamos fácil e rapidamente a uma localidade a cinco, seis quilómetros. Depois, falamos em creche grátis, mas a gratuitidade não é para todos. Não é para todas as pessoas, nem para todos os rendimentos. Quero crer que quem precisa de ser ajudado deve ser ajudado…

Mas não é pela falta de creches que a população não crescerá?
Não. Nesse aspeto não.

Como é a relação da autarquia com as IPSS?
É ótima, ainda hoje aqui recebi o presidente de uma instituição. É uma relação muito boa e como já percebeu tenho um grande carinho pelas IPSS. Aliás, implementei uma medida, quando aqui cheguei, através da qual, quando uma IPSS fizer obra, a Câmara apoia no financiamento. Ainda não é o apoio que gostaria, mas à cabeça há um apoio de 20 mil euros para ajuda nas obras. E ajudamos noutras questões, ajudamos no desbloqueamento de procedimentos, nos projetos técnicos, etc.. Damos todo um apoio técnico às IPSS, que também é importante, não é apenas o dinheiro que é importante.

E as IPSS são um bom parceiro do Município na promoção da coesão social do concelho?
Sim. É importante que as pessoas idosas, as crianças e as famílias tenham uma resposta na freguesia onde vivem e tem sido assim. Não podemos ter respostas só na sede de concelho, por isso essa coesão tem que existir e temos IPSS em todas as freguesias. De facto, as IPSS ajudam-nos muitíssimo a conseguir essa coesão.

Deixe uma mensagem aos portalegrenses e não só para que venham à Festa da Solidariedade a Portalegre.
Todas as pessoas deviam participar. Muitas vezes, o comum do cidadão, que anda atarefado com a sua vida, não se apercebe do trabalho que as IPSS desenvolvem. Isto acontece porque ou já não têm filhos menores e já não precisa da creche ou porque não precisa de um lar para um familiar idoso, e depois não valorizam o trabalho que está por detrás destas instituições. E quando essas entidades acolhem as nossas crianças e os nossos idosos, as pessoas apercebem-se do trabalho maravilhoso que é feito nas instituições. Estas instituições substituem a família. É importante que a sociedade em geral se aperceba da gratidão que devemos às IPSS e reconheça e valorize o trabalho que lá é feito. É preciso divulgar mais o bom trabalho que as instituições fazem. As pessoas têm de reconhecer, devem-se envolver e quem sabe, por isso temos que divulgar este evento, para que a comunidade perceba que devem também servir. Pertencer aos órgãos sociais de uma IPSS é uma missão em prol da comunidade.

Pedro Vasco Oliveira (texto e foto)

 

Data de introdução: 2023-10-04



















editorial

SUSTENTABILIDADE

Quando o XXIV Governo Constitucional dá os primeiros passos, o Sector Social Solidário, que coopera com o Estado, deve retomar alguns dossiers. Um deles e que, certamente, se destaca, é o das condições de sustentabilidade que constituem o...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Agenda 2030 e as IPSS
Em Portugal é incomensurável a ação que as cerca de 5 mil Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) existentes, têm vindo a realizar.  As...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

A gratuitidade das creches entre o reforço do setor social e a privatização liberal
 A gratuitidade das creches do sistema de cooperação e das amas do Instituto de Segurança Social, assumida pela Lei Nº 2/2022, de 3 de janeiro, abriu um capítulo novo...