Marginalidades, Delinquências e Violências

Entre várias temáticas que pensei eleger para esta coluna, acabei por me inclinar para um drama que se abateu sobre o "sub-mundo dos toxicodependentes e sem abrigo" na cidade do Porto, que, para além de todas as exclusões e abandonos que sobre eles se abatem diariamente, acabaram por sentir o luto pelo assassinato de um seu "companheiro de infortúnios", às mãos de um gang de adolescentes e jovens que, a sangue frio e com requintes de violência, o empurraram para o fundo de um poço escondido num prédio abandonado há 15 anos no centro da cidade. 

A notícia correu célere a todas as redacções da comunicação social. Com razão. O crime foi tão bárbaro que ninguém lhe poderia ficar indiferente!
Ouviram-se montes de pessoas que se pronunciaram sobre os "quês e porquês" destas coisas acontecerem. Quando se soube que estes adolescentes estavam acolhidos numa Instituição de Solidariedade Social, a mira foi logo apontada para estas Instituições e seus dirigentes que não conseguem ter mão nos seus rapazes! E, de alguma forma, os dirigentes dessas Instituições ao negarem-se a aparecer e a falar, não ajudaram muito a uma abordagem da questão que, sendo complexa e até, porventura, comprometedora, poderia ser logo enquadrada de uma outra forma.
Certamente que, apesar da confidencialidade que os processos das crianças ou jovens internados sempre merecem, haveria certamente alguns dados que talvez ajudassem a perceber logo que não foi certamente nas Instituições onde estavam acolhidos que aprenderam a praticar a violência que os fez cometer um crime tão hediondo!

Talvez tenha chegado a hora de Instituições e Dirigentes de Instituições de Solidariedade e outros promotores de solidariedade que, em horas de ponta e a pedido de tribunais e famílias, acabam sempre por receber quem lhes pede abrigo, serem mais cautelosos nas admissões que fazem, acautelando de forma adequada, um risco que tantas vezes acontece: receber pessoas sem terem condições para lhes garantir o que as pessoas ou Entidades Públicas ou Privadas muitas vezes esperam, omitindo-se completamente de situações que ninguém quer resolver, uma vez que conseguem endossá-los para uma Instituição de Solidariedade!
Este caso deverá levar as IPSS a estarem mais atentas e a serem mais exigentes nas condições que colocam no momento das admissões. Solidariedade sim e sempre, mas desde que existam condições objectivas para assumir compromissos que tais admissões implicam!

Não terá chegado a hora de, a partir deste crime de violência sobre indefesos sem-abrigo, nos mobilizarmos todos para uma busca criativa, em conjunto com essas pessoas, de respostas para a reconstrução dos seus projectos de vida, ajudando-as a reconquistar a sua auto-estima?

Quando hoje se encontram soluções metropolitanas para tudo, porque é que ninguém toma a iniciativa de colocar na agenda da Mesa das Juntas Metropolitanas esta legião de pessoas que nestes territórios fazem a experiência amarga da pobreza, exclusão, marginalidade, solidão, abrindo, em parceria com todos quantos há muito tempo convivem e se solidarizam com esta gente, canais de comunicação, diálogo e encaminhamento de soluções à medida dos seus direitos de cidadania?

 

Data de introdução: 2006-03-18



















editorial

O TRIÂNGULO DA COOPERAÇÃO

A consciência social, aliada ao dever ético da solidariedade, representa uma instância suprema de cidadania, um compromisso inalienável para com os mais vulneráveis e em situação de marginalidade, exclusão e pobreza.

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA, PRES. CONF. PORTUGUESA DO VOLUNTARIADO

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