OIT

No mundo, o trabalho infantil está a diminuir pela primeira vez

O trabalho infantil é um fenómeno que está a diminuir no mundo, o que acontece pela primeira vez, segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre este assunto. Em relação há quatro anos, quando publicou o primeiro relatório sobre o tema, a OIT assinala que o número total de crianças que trabalham caiu 11 por cento.

A redução foi ainda mais forte no número de crianças sujeitas a trabalhos perigosos, que baixou 26 por cento. Segundo a organização, mantendo-se o actual ritmo de declínio e o "momentum" global contra o trabalho infantil, este poderá ser eliminado, "na maioria das suas piores formas", em 10 anos.

"O fim do trabalho infantil está ao nosso alcance", afirma Juan Somavia, director-geral da OIT, citado num comunicado da própria organização.

Em 2004, quantifica a instituição, havia 218 milhões de crianças a trabalhar, dos quais 126 milhões o faziam em condições perigosas.

Por criança entende-se um indivíduo com idade entre os 5 e os 17 anos.

Os maiores progressos foram feitos na América Latina, onde o número de crianças envolvidas no trabalho infantil baixou dois terços, o que reduziu o grupo afectado para cinco por cento do total.

As evoluções positivas no Brasil e no México foram as principais causas desta evolução positiva, dado que estes países possuem metade das crianças latino-americanas.

Ao contrário, a África a sul da Sara é a área onde a situação menos evoluiu no sentido positivo, o que se traduz em valores "alarmantemente altos" do crescimento populacional, da infecção pelo vírus da sida e do trabalho infantil.

É na Ásia que se encontra a maior quantidade de crianças trabalhadoras - 122 milhões.

Apesar de este total ter baixado em termos absolutos, o facto de também a população juvenil estar em contracção impediu uma descida relativa.

A OIT atribui a descida do trabalho infantil à progressiva adesão dos Estados às suas normas e ao empenho político destes na redução da pobreza, fomento da educação básica e promoção dos direitos humanos.

Lugar de destaque é atribuído ao Programa Internacional de Eliminação do Trabalho Infantil que é a maior iniciativa no seu género e o maior programa operacional da OIT.

Desde que foi estabelecido em 1992, já investiu 350 milhões de dólares, com despesas anuais actuais em torno dos 50-60 milhões de dólares.

Além da estrutura tripartida da OIT - que agrega representantes governamentais, empresariais e sindicais -, o programa envolve empresas privadas, organizações comunais, organizações não governamentais, comunicação social, deputados, sector da justiça, universidade, grupos religiosas, além das criança e das respectivas famílias.

A versão portuguesa do relatório será apresentada em 11 de Maio, em Lisboa, durante a conferência intitulada Combate à Exploração do Trabalho Infantil no Mundo de Língua Portuguesa.

Esta versão é uma edição conjunta do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e do Gabinete da OIT em Portugal.

06.05.2004

 

Data de introdução: 2006-05-06



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (I)

O caminho da consciencialização pública e política sobre a necessidade de um Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população, cuidando do envelhecimento ao longo da vida, tem já um longo...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor
Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PSU: um regresso à inserção ainda por confirmar
Volto ao tema da Prestação Social Única, que tratei no artigo anterior. A simplificação dos apoios sociais é, em si mesma, uma boa ideia. O problema estava —...