AS MIL E UMA VANTAGENS DE ELABORAR UM JORNAL NUMA IPSS

Repórteres atrevem-se em Mafra

Chama-se "O Arco-Íris" e dá cor, muita cor à vida dos utentes da Associação para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra (APERCIM).
Cor, vida, alegria, momentos únicos, vividos primeiro, noticiados depois pelos "Repórteres Atrevidos". Dão conta da vida da instituição, por exemplo a bênção e lançamento da primeira pedra do CRAERIS (Centro de Recursos da APERCIM); por exemplo as visitas de gente "ilustre" a esta IPSS de Mafra: Pedro Moreira, jornalista da TVI. Dão conta da vida lá por fora, por exemplo a actividade dos Bombeiros de Mafra.

E dão conta do que vão fazendo lá por fora, uma agenda repleta de assuntos entusiasmantes. Então não é que os "Repórteres Atrevidos" conseguiram o furo de assistir às gravações da novela "Dei-te Quase Tudo"? É verdade, uma jornada inolvidável reportada ao pormenor na edição n.º 14 de um jornal trimestral que iniciou a sua publicação em Janeiro de 2001 e veio para ficar.

"Fazem muitos contactos, efectuam muitas saídas. Posso dizer que são uns privilegiados, já beneficiaram de coisas que nunca dei aos meus filhos!" - conta, com indisfarçável orgulho a Dra. Casimira Henriques, Vice-Presidente da APERCIM, enquanto nos vai mostrando a "Sala do Jornal":
"Nesta sala os jovens do grupo participam activamente na elaboração d' O Arco-Íris e do Jornal de Parede.
A participação dos utentes traduz-se na escolha das matérias a serem tratadas, debates sobre um tema escolhido pelos elementos do grupo, elaboração e realização de entrevistas, elaboração e tratamento de textos, tratamento de imagem, composição e tratamento gráfico, entre outros.

As actividades realizadas na sala visam um aumento das capacidades dos elementos que constituem o grupo, com vista à potencialização das funcionalidades físicas, cognitivas e sociais".
"De quinze em quinze dias vão ao Pavilhão do Conhecimento, já estiveram no Centro Cultural de Belém. Para o último número do jornal prepararam reportagem da visita ao laboratório de Engenharia Genética de Plantas do Instituto Técnico de Química e Biologia (ITQB). Para além dos benefícios auferidos com as visitas ao exterior, há a vantagem de ficar tudo registado, em texto e fotos, dando conhecimento das suas actividades aos outros utentes da APERCIM e também à comunidade onde nos inserimos" - adianta Maria Otília Reis, Secretária da Direcção desta IPSS.

Casimira Henriques (à esquerda na foto) e Maria Otília ReisO jornal é ainda pretexto para algumas visitas à APERCIM. Assim aconteceu, por exemplo, com Pedro Moreira, jornalista da TVI sujeito a um "intenso interrogatório" por parte dos "Repórteres Atrevidos". Há tempos atrás, no tempo em que a sua estrela refulgia no desporto nacional, foi Jardel quem visitou a APERCIM e se sujeitou à entrevista da praxe.
O trabalho dos jornalistas da APERCIM já foi reconhecido a nível nacional. Em 2005 conquistaram uma menção honrosa atribuída pelo Público, no âmbito de um concurso de jornais escolares. Os prémios - uma televisão a cores e uma colecção de livros -, foram entregues por Marcelo Rebelo de Sousa, em cerimónia que decorreu na Fundação de Serralves e que os repórteres da APERCIM tão cedo não esquecerão.
A tiragem ronda os mil exemplares e esgota sempre:
"É verdade. Os nossos repórteres tratam da distribuição e venda no exterior, o que conseguem sempre com muito sucesso. O preço de capa é de um 'eurocôr', mas há leitores que fazem questão de contribuir com mais. Nota-se, da parte da população de Mafra, um grande carinho por este projecto" - afirma Casimira Henriques.
Capa e contracapa a cores e em papel couchet, oferta da Tipografia Rolo & Filhos. As 16 páginas do miolo são compostas e fotocopiadas na instituição.

A APERCIM iniciou as suas actividades em Dezembro de 1997. Tudo começara quatro anos antes, quando o Presidente da Câmara Municipal de Mafra chamou os pais das crianças e jovens deste concelho, que frequentavam a APECI em Torres Vedras, incentivando-os para uma experiência nova.
Ainda em 1993, o Centro de Saúde de Mafra tomava a iniciativa de conhecer uma parcela do seu universo, até aí incógnita - a população portadora de deficiência. Identificaram-se 147 pessoas, com idades inferiores a 20 anos, algumas delas com deficiências muito profundas.
A problemática da deficiência, no concelho de Mafra, era questão que merecia uma atenção especial da comunidade.

Até surgir a APERCIM, as crianças e jovens portadores de deficiência de Mafra só podiam encontrar um instituição vocacionada para esta problemática, A APECI. Esta situava-se no concelho vizinho de Torres Vedras, e tinha a lotação esgotada.
Além da pequena parte, que frequentava a APECI, as muitas outras crianças e jovens estavam entregues ao cuidado de si próprias e das famílias, muitas delas sem qualquer apoio, em situação económica difícil e sem perspectivas animadoras quanto ao futuro.

Um pequeno grupo de pais de Mafra deu as mãos, surgindo então a APERCIM.
Em Setembro de 2001 é inaugurado o edifício-sede, onde se desenrola um vasto conjunto de valências.
Uma breve visita ao edifício logo deixa perceber que estamos perante uma instituição modelar. Piscina, ginásio, olaria, jardim e estufa, lavandaria, cozinha e refeitório convivem com uma série de salas, a saber: sala de treino de actividades da vida diária, sala do jornal, sala de actividades expressivas, sala dos trabalhos artesanais, sala dos trabalhos oficinais, sala de autonomia, sala de fisioterapia, sala de integração sensorial, sala de Snozelen/relaxamento e várias salas de apoio.

A sala de Snozelen/relaxamento é uma das "jóias da coroa" da instituição, espaço branco que utiliza a luz, a cor e o som para estimulação sensorial. Dispõe no seu interior de um colchão de água aquecida vibratório, que primazia o contacto físico entre o terapeuta e o utente. Pode ser utilizada também como sala de relaxamento. Caracteriza-se pelo seu ambiente calmo, seguro e tranquilizante, onde é possível explorar livremente os materiais existentes como o espelho, coluna de água, fitas coloridas, bola de espelhos e a própria luz.

A visita às instalações faz ressaltar outro dado bastante importante: sempre que possível a APERCIM trata de ser auto-suficiente. Em alguns dos casos, a colaboração de voluntários torna-se preciosa. Nota-se, também, a preocupação na produção de um sem--número de peças, de inegável qualidade. Executam-se artigos utilitários e decorativos em grés/barro, velas, colares, pulseiras, brincos e anéis em cerâmica e missangas; outros artigos são confeccionados em sabonete, tecidos, madeiras e lãs; outros ainda são bordados a ponto de cruz, ponto pé de flor e ponto de cadeia (quadros, aventais, barras para toalhas). Não faltam as compotas de fruta. A generosidade das gentes do concelho é grande, a fruta é oferecida ficando a confecção da compota a cargo dos utentes da APERCIM.

Quem olha para a quase totalidade dos artigos elencados não se apercebe serem os mesmos executados por cidadãos portadores de deficiência. Daí o facto de muitas destas peças conseguirem colocação fácil no exterior.
"Recebemos pedidos do exterior para a execução de brindes de vária ordem, peças para serem oferecidas em casamentos, baptizados e outras ocasiões especiais. Para além das verbas que arrecadamos com essas vendas, o que mais nos gratifica é verificarmos que o trabalho dos nossos utentes é reconhecido lá fora" - assinala Casimira Henriques.

A APERCIM apoia actualmente cerca de duas centenas e meia de pessoas. Quer apoiar ainda mais, apoiar ainda melhor os utentes que já beneficiam dos seus préstimos. As instalações já não chegam para albergar os sonhos que brevemente se tornarão realidade. E são bastantes: um Centro de Actividades Ocupacionais, para 60 utentes; um Fórum sócio-ocupacional, para doze utentes; espaço para alojamento temporário (7 utentes); Lar residencial (33 utentes) e uma creche (33 crianças).
A concretização de todos estes sonhos passa pela conclusão das obras do Centro de Recursos da APERCIM para a Educação, Reabilitação e Inserção Social. O CRAERIS cresce a bom ritmo, as obras devem estar concluídas em finais de Agosto do corrente ano.
"Estamos a fazer tudo para que o CRAERIS possa estar a funcionar em pleno no primeiro mês de 2007. Olhando para as obras, aqui mesmo ao lado, percebemos que ainda há muito para fazer, mas também sabemos que tudo o que já foi feito começou apenas em Janeiro do corrente ano" - afirma esperançada a Dra. Casimira Henriques.

O Projecto de Intervenção Precoce, o Projecto Comunitário "Escola Inclusiva" e a equitação terapêutica integram outra lista de valências de uma instituição que não pára de crescer. A equitação terapêutica vai funcionar numa quinta oferecida à APERCIM pelos pais de uma utente:
"Já lá temos uma casa de madeira, estamos a construir uma segunda casa, que vai servir de apoio à hipoterapia. Temos cavalos oferecidos, como nos foram oferecidas, pela Florest e pela CAP as árvores de fruto que já lá plantámos. Os bacelos foram dados pela Associação de Agricultores de Mafra.
É uma quinta muito bonita, um espaço bastante acolhedor. Contamos que esteja 100% operacional até final de 2006, mas já lá desenvolvemos algumas actividades. Por exemplo, neste momento em que falamos estão lá alguns jovens utentes da APERCIM acampados".

Um "bilhete de identidade" mais pormenorizado da APERCIM pode ser consultado na internet, no endereço http://apercim.no.sapo.pt/index.htm 
A APERCIM fica na Rua Santa Casa da Misericórdia, n.º 5, 2640-528 Mafra, com os telefones 261 813 596, 261 814 817, fax 261 813 593.
Contactos por correio electrónico através do endereço de e-mail apercim.mafra@sapo.pt

 Desfolhe a edição 14 de "O Arco-Íris" na sua versão integral

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Páginas 4, 5 e 6

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Páginas 8 e 9

Páginas 10 e 11  

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Páginas 14 e 15

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Data de introdução: 2006-05-07



















editorial

O TRIÂNGULO DA COOPERAÇÃO

A consciência social, aliada ao dever ético da solidariedade, representa uma instância suprema de cidadania, um compromisso inalienável para com os mais vulneráveis e em situação de marginalidade, exclusão e pobreza.

Não há inqueritos válidos.

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