Indicadores de qualidade de serviço

A rede social europeia (European Social Network) organizou em conjunto com instituições europeias nos dias 18 a 20 de Junho, em Berlim, durante a presidência alemã da EU, a conferência anual, é a 15ª, cujos temas centrais foram:
- Como podem os serviços sociais e de saúde criar uma oportunidade real para todas as pessoas em comunidades tão diversas que servem, quer sejam: jovens ou idosos, portadores de deficiência ou doença continuada ou de origens étnicas diferentes ?
- Como podem as instituições prestadoras de serviço, inovar os seus serviços e cooperar com as outras instituições nos campos, por exemplo: do emprego, da educação e dos serviços sociais gerais, trabalhando em conjunto com os sectores lucrativo e voluntário, para criar as condições certas e de acesso a todos ?
Ver no site: http://www.socialeurope.com., onde poderá tomar conhecimento das várias apresentações e debates que tiveram lugar.

Esta conferência teve a presença de mais de 400 delegados de 32 países, estando presente o Sr. Secretário de Estado da Segurança Social, Dr. Pedro Marques.

Gostaria de referir apenas um tema que foi muito focado nesta conferência, que considero muito importante e que, em geral, entre nós, não é tido como relevante.

“A existência de indicadores da qualidade de serviços prestados”
Como sabemos, quer a nível das instituições, quer a nível nacional em geral, a existência de indicadores de gestão é muito limitada e muito menos os indicadores de qualidade, que são os mais importantes para possibilitar uma gestão de sucesso e sobreviver neste mundo global cada vez mais complicado de entender e de nele operar, o mercado exerce uma pressão violenta sobre as pessoas.

Com efeito, é necessário saber mais acerca dos resultados dos serviços sociais, sendo este conhecimento muito importante para:
- os gerentes e trabalhadores das instituições
- políticos e outros decisores públicos
- utilizadores dos serviços sociais
Este conhecimento torna-se importante quando:
- é parte de uma avaliação dos diferentes serviços e resultados desses serviços
- cada avaliação inclui um tipo de comparação quer contra objectivos, períodos passados ou contra outros serviços
As avaliações e comparações são indispensáveis para a melhoria da qualidade.



Por isso, foi referido na conferência, a necessidade de uma Estratégia Nacional para a Melhoria da Qualidade. Os serviços com qualidade tem de:
- ser efectivos
- serem seguros e de confiança
- envolver os utilizadores e permitir que eles exerçam influência na instituição
- ser coordenados e integrados na gestão
- utilizar os recursos de forma apropriada
- estarem disponíveis e equitativamente distribuídos

As estratégias e os Planos de Acção devem ter por objectivo:
- fortalecer a influência do utilizador dos serviços
- fortalecer a instituição prestadora dos serviços
- melhorar a capacidade de organização e gestão
- fortalecer o papel da melhoria do conhecimento na educação
- fazer seguimento e avaliar os serviços regularmente
Como melhorar a organização e a gestão da instituição ?
- implementar e liderar sistematicamente um trabalho de melhoria da qualidade em cada serviço e transversal a todos os serviços.
- impulsionar uma cultura de abertura e reconhecimento que suporte a melhoria da qualidade e a recompense.
- promover a cooperação transversal a todos os serviços
- implementar um bom sistema de governação e controlo incluindo as TIC (tecnologias de informação e comunicação)
- reter os trabalhadores com talento e competências adequadas aos serviços
- divulgar e partilhar os objectivos a atingir

Como fazer o seguimento e avaliar os serviços ?
- aprender com os erros
- aprender através da utilização da informação disponível
- melhorar os serviços através da medição dos processos e resultados, desenvolver os indicadores relevantes
- melhorar a qualidade através da introdução de auditoria interna ou outros métodos de avaliação sistemática
- actualizar os registos existentes e estabelecer novos registos de qualidade

O que é um indicador de qualidade ?
- uma maneira de medir os diferentes aspectos de qualidade dos serviços sociais
- deste modo, os indicadores tem de ser: relevantes, válidos, fácil de medir e fácil de interpretar
Os indicadores de qualidade devem ser usados para medir a estrutura, o processo e o resultado dos serviços sociais.

Como desenvolver os indicadores ?, devem seguir o seguinte método:
- estrutura (juntar os responsáveis da instituição, debater, formar grupos, atribuir responsabilidades e eleger o coordenador do grupo)
- processo (organizar impresso inquérito tipo para identificar sinais importantes e relações entre os serviços)
- resultado (primeira geração de indicadores de qualidade descrevendo a estrutura e o processo, continuação de análise para desenvolver mais resultados e indicadores)

Factores críticos de sucesso:
- compreensão das directivas legais
- consenso no que respeita o que é a qualidade no campo do nosso serviço
- consenso no que respeita ao que o indicador deve dizer ou não dizer
- formação adequada dos dirigentes e colaboradores chave no processo
- envolvimento dos utentes a todos os níveis
- um bom inquérito tipo para recolha das informações relevantes

As instituições sabem como tem aumentado nos últimos anos o grau de exigência das entidades oficiais na recolha de informação da mais diversa origem e para os mais diversos fins, um desses fins, será de certeza o montante da comparticipação do Estado a atribuir às instituições. A questão da qualidade tem sido debatida em acções de formação e também a elaboração de dossiers de linhas de orientação.
A qualidade é cada vez mais o factor de decisão na escolha dos utentes com capacidade financeira para pagar os serviços. A orientação para o cliente/utente faz a diferença.
As dificuldades financeiras das instituições podem ser, eventualmente, superadas com uma melhor gestão e motivação de todos para colaborar para o sucesso do equipamento. É necessário um grande esforço de todos para elaborar indicadores de qualidade serviço.
Não existe gestão sem os indicadores adequados e citando W. Deming que dizia que: “Não se pode gerir o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, não há sucesso no que não se mede”.

* Centro Social Paroquial de Azambuja

 

Data de introdução: 2007-10-09



















editorial

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Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

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