FAS 2

O sucesso da disseminação de boas práticas

A grande aposta da CNIS em implementar a qualidade pelo vasto universo das IPSS tem ganho adeptos ano após ano e a prova disso foi a esmagadora adesão das instituições ao encontro realizado no dia 25 de Outubro, em Fátima, promovido pela Comissão Nacional de Acompanhamento e Disseminação de Boas Práticas do Projecto FAS 2.

Se o projecto abrange 76 IPSS, no encontro no Hotel Cinquentenário, em que foram abordadas a «Implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade – ISO 9001/2008», «Manuais de Avaliação da Qualidade das Respostas Sociais» e «Sistemas e Tecnologias da Informação ao Serviço da Melhoria do Desempenho das Instituições», marcaram presença representantes de 270 IPSS, num total de 630 pessoas, entre dirigentes e técnicos.

“Estamos a fazer a avaliação intermédia pelos vários distritos do País e o balanço é claramente positivo”, começou por dizer, ao SOLIDARIEDADE, Palmira Macedo, uma das principais responsáveis pelo projecto, que acrescentou: “O balanço é claramente positivo, como, aliás, hoje se comprovou pela apresentação dos seis casos práticos, sobretudo nas questões que aqui focaram e que é entender a qualidade e a implementação da ISO 9001 e dos Manuais de Referência da Segurança Social como instrumentos referenciais importantes para melhorar a gestão, para melhorar o funcionamento em equipa, para motivar os colaboradores, para aumentar a ligação entre a Direcção e os colaboradores e, fundamentalmente, para prestar melhores serviços às crianças, aos idosos e a todas as pessoas para quem as instituições trabalham, no sentido de fazer com que a qualidade signifique que, por exemplo, os idosos perderão mais tarde as suas capacidades, as crianças adquirirão mais competências e serão ambos muitos felizes nestas instituições”.

No encontro em Fátima estiveram presentes seis instituições de diversos pontos do País que vieram relatar as respectivas experiências na implementação da qualidade no sentido de alcançarem a certificação no âmbito do FAS 2, concretamente o Centro Social Paroquial Padre Ângelo Ferreira Pinto, o Centro Acção Social e Acolhimento à 3ª Idade de Roriz, o Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Rio Maior, a Fundação Stela Oswaldo e Bonfim, a Associação Social, Cultural Recreativa da Apúlia e o Instituto S. Miguel - Abrigo Infantil da Sagrada Família.

Em resumo, estas seis IPSS vieram demonstrar, como explica Palmira Macedo, que para implementar um programa de qualidade na gestão e organização das instituições “é preciso um trabalho muito grande, muito trabalho de casa, a elaboração de alguns documentos, ou seja, organizar a casa para facilitar a vida quer dos colaboradores quer da própria Direcção”.
Para além disto, este projecto acaba por estar directamente ligado à saúde económico-financeira das instituições.

“Este projecto é igualmente importante para garantir a sustentabilidade das instituições, porque vai haver ganhos de eficiência com esta organização e depois para servir como um selo para o exterior, como algo que credibilize as instituições perante terceiros e outros sectores, nomeadamente, o sector privado”, explica Palmira Macedo, especificando: “Isto é importante, especialmente para quem vai apoiar as IPSS e hoje, cada vez mais, quem apoia necessita destas garantias de que as instituições estão organizadas, que, no fundo, estão certificadas”.

A presença de representantes de muito mais IPSS do que aquelas que estão abrangidas pelo FAS 2, mostrou que são muitas as interessadas em seguir o exemplo das 76 que integram o projecto, o que deixa no ar a necessidade de um FAS 3.
“As demais que aqui estão presentes são todas as outras que não fazem parte do FAS 2 e como queremos disseminar as boas práticas e sensibilizar todas as outras para esta realidade, penso que o conseguimos plenamente”, referiu Palmira Macedo, mostrando-se esperançada que um FAS 3 pode ser um realidade dentro em breve: “A acreditar nas palavras do senhor ministro, ficámos hoje com boas expectativas de voltarmos a fazer uma nova candidatura e termos um FAS 3”.

ELOGIO À CNIS

De facto, na sua intervenção junto da vasta plateia presente no encontro de Fátima, Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade e da Segurança Social, referiu que “é importante disseminar as boas práticas”, referindo que continuar com projectos como o FAS 2 é muito importante. “É sábio quem por sábios se sabe rodear”, rematou o ministro, que sublinhou a importância do sector solidário em que as IPSS são a base.
“Este sector é muito importante para nós. O Estado tem que vos pedir que continuem a ajudar, temos que ter a humildade de pedir ajuda às IPSS, porque queremos estar com quem faz e sabe fazer. Só com as IPSS podemos ultrapassar este momento difícil que o País atravessa”, sustentou o governante, que deixou ainda um rasgado elogio à CNIS, pelas “excelentes propostas que fez para o PES, que é muito tributário da CNIS”.
Pedro Mota Soares voltou a defender que este Governo pretende alterar a forma de relacionamento entre o Estado e as IPSS: “Queremos estabelecer uma relação diferente, de parceria e não de tutela. O Estado tem que ser um amigo e não um patrão. O papel do Estado é o de agregar vontades. O Sector Social tem uma identidade própria, é diferente dos sectores privado e público e um Terceiro Sector forte e activo é um ponto fundamental para humanizar a sociedade”.

O ministro da Solidariedade e da Segurança Social referiu ainda que o Orçamento de Estado é “de rigor, com medidas difíceis, mas reforça o PES em 200 milhões de euros”, revelando que esta verba será “encaminhada para quem mais precisa e para quem mais ajuda, que são as IPSS”.
Depois de abordar algumas questões relacionadas directamente com o PES, o governante referiu que “o papel da Economia Social é fundamental” para o futuro de Portugal, e deixou um apelo: “Quero-vos pedir um pouco mais de empenho e de trabalho e estou certo que as IPSS não deixarão de dizer presente”.
Antes, na abertura dos trabalhos, o padre Lino Maia deixou um elogio ao clima de diálogo entre a CNIS e o novo ministro da pasta da Solidariedade e da Segurança Social, tal como ao trabalho desenvolvido pelas instituições no sentido de implementarem boas práticas na sua gestão e organização.
“Os manuais não são cartilhas, mas referenciais. Já sabemos qual e o caminho e estamos em condições de o apontar, face aos resultados visíveis”, defendeu o presidente da CNIS.
“Moderação e bom senso devem ser as normas orientadoras da intervenção do Estado neste sector”, defendeu o padre Lino Maia, que deixou ainda um alerta às IPSS: “Não esperemos muitas facilidades e muito dinheiro, mas vamos continuar resilientes. Sabemos estar e sabemos o que queremos, por isso vamos resistir”.
O encontro de Fátima terminou com a apresentação de «Sistemas e Tecnologias da Informação ao Serviço da Melhoria do Desempenho das Instituições».

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2011-11-04



















editorial

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