PADRE LINO MAIA VENCE ELEIÇÕES PARA CNIS

Juntos na Solidariedade

Por volta do meio-dia, o parque frontal da Casa do Verbo Divino, em Fátima, estava praticamente deserto. A desfazer a placidez, a equipa de televisão da TVI entrevistava o padre Lino Maia, na qualidade de líder da Lista A, candidata às eleições da CNIS. O padre Arsénio Isidoro, que encabeçava a lista B, também candidata ao mesmo acto eleitoral que decorria, nessa manhã de sábado, dia 04 de Fevereiro, foi descendo as escadas da frontaria enquanto tentava perceber se seria adequado aproximar-se do adversário. Durante toda a semana os órgãos de comunicação social falaram de uma “guerra de padres” na conquista pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.
Os caminhos de Deus nunca tinham cruzado os dois párocos: Lino Maia, de Aldoar, no Porto, presidente há seis anos da CNIS, e Arsénio Isidoro, da diocese de Lisboa, de Ramada e Famões, em Odivelas, presidente da Casa do Gaiato. A “guerra de padres”, segundo a imprensa, tinha tido origem no Patriarcado, estendia-se à causa regionalista do Norte contra o Sul, ou Porto versus Lisboa, e até os partidos políticos eram exércitos de apoiantes das listas em contenda.
Devia ser em tudo isto que pensava Arsénio Isidoro à medida que se abeirava timidamente de Lino Maia. A entrevista tinha acabado e o ainda Presidente da CNIS recebeu o opositor de mão aberta estendida. Apresentaram-se reciprocamente e trocaram as primeiras impressões sem intermediários, numa conversa agradável e bem disposta. O repórter de imagem aproveitou o momento, de todos os ângulos e perspectivas. Os dois homens falavam como se estivessem sozinhos, dirimindo mal-entendidos, esclarecendo declarações, aclarando equívocos, trocando ideias. Despediram-se com um abraço e uma pose para a fotografia para que não restassem dúvidas de que os padres não estavam em guerra, nem separados por dioceses, regiões, cidades ou partidos. Apesar de liderarem duas listas, com pessoas e ideias diferentes para a CNIS, ambos estavam juntos na Solidariedade. Essa foi a imagem simbólica do dia do V Congresso eleitoral da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. E muitos mais abraços haveriam de trocar antes e depois de serem conhecidos os resultados que deram a vitória ao padre Lino Maia, para mais três anos de mandato.

A MAIOR VOTAÇÃO DE SEMPRE

Com 954 votantes, entre presenças e procurações, o Congresso Eleitoral registou a maior afluência de sempre às urnas. A votação iniciou-se às 11 horas da manhã e foi precisamente antes do almoço que as filas para o voto atingiram maior congestionamento, abrandando o ritmo de votação à medida que se caminhava para o fecho das urnas, marcado para as 15 horas. Num ambiente cordial, a enorme expectativa em torno do acto eleitoral teve uma verdadeira correspondência na afluência às urnas, com representantes das instituições de solidariedade de todo o país, incluindo ilhas.
O resultado foi conhecido por volta das 16 horas. A Lista A, encabeçada pelo padre Lino Maia, teve uma vitória clara nas eleições para os Órgãos Sociais da CNIS para o triénio 2012-2015, vencendo a Lista B, liderada pelo padre Arsénio Isidoro, por 247 votos, na maior participação eleitoral de sempre. "Se fosse uma derrota teria sido pessoal, mas esta é uma vitória das instituições", afirmou o reeleito presidente da CNIS, assim que os resultados finais foram anunciados. Dos 954 votos expressos, a Lista A recolheu 597, enquanto a Lista B 350, tendo ainda sido registados dois votos nulos e cinco em branco.

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Por seu turno, o líder da Lista B encarou o resultado com naturalidade, disponibilizando-se para colaborar no futuro da Confederação. "Acho que ganha a solidariedade e que o caminho tem que ser bem feito e solidariamente por esta lista que venceu as eleições", referiu o padre Arsénio Isidoro, acrescentando, relativamente ao futuro: "Não são horas de combate, são horas de nos juntarmos pelo bem... O futuro nunca será de oposição".
Os novos corpos sociais da CNIS foram empossados logo após o conhecimento dos resultados eleitorais. A tomada de posse contou com a presença do ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, e com o Presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos. O governante voltou a salientar a importância para o país do trabalho desempenhado pelas instituições de solidariedade, principalmente no actual contexto socioeconómico.
De referir que das 2700 associadas da CNIS, perto de 2100 estavam em condições estatutárias para exercer o direito de voto, sendo que nas últimas eleições apenas votaram cerca de 600 IPSS.

APELO À UNIÃO

A cerimónia de tomada de posse começou à hora marcada. O presidente da Assembleia Geral, Mário Dias, deu posse à sucessora, Manuela Mendonça, e desejou-lhe felicidades para o mandato. Os novos elementos dos órgãos sociais foram chamados ao palco e, ainda antes da chegada do ministro Pedro Mota Soares, o reeleito presidente da CNIS desfiou um discurso improvisado, assente no elogio à solidariedade sempre carregado de uma afectividade que o caracteriza. Ao padre Arsénio Isidoro, o rosto da lista B, que entretanto foi chamado para a mesa de honra, Lino Maia enalteceu a nobreza do gesto e disse que gostava de o ter por perto. “A minha primeira palavra é de enorme apreço pelo padre Isidoro e, se fosse hoje, teria muito gosto em tê-lo incluído na minha lista, logo em segundo lugar”, sustentou o padre Lino Maia, acrescentando, a propósito de mais um acto eleitoral, o último em que concorre para a liderança das Confederação: “Ninguém andava atrás de protagonismo, nem de poder, mas apenas de serviço. Na causa solidária não há bairrismos, nem Norte nem Sul, mas pessoas, especialmente as mais desfavorecidas. Batemo-nos, não por prestígio ou poder, mas porque achamos que é o melhor para todos”.
O líder da CNIS, que vai para o terceiro e derradeiro mandato, dirigiu-se de seguida aos que com ele estiveram na Direcção e deixaram de estar, afirmando que “a resiliência e serenidade” demonstradas “darão frutos”, deixando, depois, uma palavra, para os novos membros dos órgãos sociais: “Vamos fazer um caminho e hoje já somos amigos. Se não nos amarmos seremos incapazes de ajudar os outros”.
A primeira fase do discurso terminou com uma palavra para os funcionários da CNIS: “Não estou distraído da vossa dedicação”.
De seguida, o padre Lino Maia dirigiu-se aos muitos representantes de IPSS que fizeram questão de marcar presença na cerimónia de tomada de posse, voltando a colocar tónica na união de todos: “A todos vós dirigentes de instituições quero dizer, e perdoem-me a expressão, que estou-me nas tintas se votaram na Lista A ou na Lista B, mas já não sou indiferente ao facto de estarem dedicados aos outros… É mais o que nos une do que o que nos separa, por isso peço a todos que dêmos as mãos, porque os desafios são muitos e o País precisa de nós. É de nós que, nestes tempos, o País mais precisa”.

DIÁLOGO, COOPERAÇÃO E LEALDADE

O discurso foi interrompido pela chegada do ministro, que irrompeu pelo meio da sala. Pedro Mota Soares ainda foi a tempo de ouvir o presidente da CNIS abordar a relação com o Governo, revelando ter já recebido um telefonema de felicitações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
“Tenho sido pouco popular por dialogar e dizer bem do Governo, mas garanto-vos que quando tiver que dizer «Basta», di-lo-ei”, começou por referir, acrescentando: “Tem havido um bom diálogo e, dando as mãos, temos encontrado boas soluções para o País”.
Considerando que o Protocolo de Cooperação recentemente assinado é “óptimo”, qualificando-o mesmo de “o melhor de todos”, o presidente da CNIS, num tom firme, sustentou: “Seremos sempre intransigentes no diálogo, na cooperação e na lealdade. É este o caminho para o País”.
A terminar, o padre Lino Maia disse não agradecer os votos que recebeu, mas deixou um apelo: “Vou pedir apenas para darmos as mãos e nos ajudemos, para nos momentos difíceis possamos saborear os sorrisos daqueles a quem nos damos”.

APOSTA NA CONTINUIDADE

De forma genérica, a nova equipa que dirige os destinos da CNIS é uma aposta na continuidade. A salientar a saída de Mário Dias do cargo de presidente da Assembleia Geral para presidente do Conselho Fiscal. A substituí-lo encontra-se Manuela Mendonça. Outra das alterações verifica-se no cargo de Presidente-adjunto da direcção com a entrada de João Carlos Dias.
A nova presidente da Assembleia Geral acredita que foi “feita justiça ao trabalho desempenhado pela antiga direcção” e quanto ao novo cargo que ocupa, Manuela Mendonça garante que vai “procurar cumprir da melhor maneira que souber e puder”.
O novo Presidente-adjunto da CNIS diz que a direcção agora eleita não pode esquecer que existiram cerca de 30% de votantes a optar pelo outro projecto eleitoral. “Quem protagoniza este projecto que ganhou vai ter que encontrar pontos de encontro com esses 30% e vai ter que arranjar uma forma de criar pontes, de ver o que é que une e depois partir para a análise e discussão daquilo que possa separar” afirma o dirigente. João Dias alerta ainda para a dificuldade dos desafios vindouros. “Os tempos são diferentes, os desafios são diferentes, a margem que existe para tomada de decisão é menor, pelo que, apesar do caminho ser idêntico, temos que nos adaptar aos tempos que se vivem”.
Outro dos membros da equipa salienta o trabalho desempenhado no mandato anterior e acredita que a vitória demonstra a confiança das instituições de solidariedade no projecto adoptado. “Efectivamente esperava que houvesse uma diferença muitíssimo menor. Isto é a reacção das pessoas ao trabalho de uma equipa coesa, que trabalhou bastante, daí as instituições terem reconhecido esse esforço”, diz Eduardo Mourinha, vogal da Direcção.
A mesma opinião é partilhada por Lúcia Saraiva, secretária da Assembleia-geral, que sublinha a importância do padre Lino Maia estimular o diálogo com o ministro que tutela o sector social. “É uma vitória expressiva na confiança na continuação dos trabalhos que têm sido feitos até agora, parece-me uma escolha inteligente das IPSS, que sabem que o melhor é o caminho que tem sido traçado”.

Milene Câmara/Pedro Vasco Oliveira/V.M.Pinto
Textos e fotos

Resultados Eleitorais distribuídos por Distritos:

Porto, Madeira e Açores:
Total: 243 votos
Lista A: 221
Lista B: 20
Brancos: 1
Nulos: 1

Aveiro, Bragança, Castelo Branco, Portalegre e Santarém:
Total: 240 votos
Lista A: 131
Lista B: 106
Brancos: 3
Nulos: 0

Beja, Braga, Faro, Viana do Castelo e Vila Real:
Total: 209 votos
Lista A: 159
Lista B: 49
Brancos: 1
Nulos: 0

Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Setúbal e Viseu:
Total: 110 votos
Lista A: 55
Lista B: 54
Brancos: 0
Nulos: 1

Lisboa:
Total: 152 votos
Lista A: 31
Lista B: 121
Brancos: 0
Nulos: 0

 

Data de introdução: 2012-02-08



















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